Crise deve elevar dívida bruta para 76,5% do PIB, prevê BC

Marcello Sigwalt
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Crédito: Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza audiência pública interativa para discutir as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária. nnEm pronunciamento, presidente do Banco Central do Brasil (BC), Roberto Campos Neto.nnFoto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Sem esconder o grande temor do mercado com relação aos desdobramentos econômicos da pandemia do covid-19, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, previu que a crise global deverá elevar a dívida bruta do país para 76,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Estadão, via Broadcast.

Potencial explosivo

A necessidade de garantir liquidez ao sistema e a decorrente ampliação do déficit fiscal do setor – sobretudo nesse período emergencial – devem elevar ainda mais o porcentual da dívida bruta, admite o presidente do BC ao Broadcast.

Quanto à possibilidade de excessos nos gastos emergenciais, por conta do impacto social da doença, Campos Neto assinalou que esse risco é baixo. “Passada a crise, temos condições de voltar à trajetória inicial”, confia.

Trem no trilho

Ainda sobre os gastos governamentais, o comandante da autarquia considera “normal, em termos de precificação de ativos, que eles continuem altos”, mas acrescenta que “nosso trabalho é elaborar medidas para colocar o trem de novo no trilho quando a crise passar”.

Refratário à discussão sobre o prazo de manutenção das medidas de contenção e isolamento social, Campos Neto evitou fazer prognósticos sobre o “tamanho” da queda do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. “Vai haver crescimento negativo, é quase certo isso”, completa, de acordo com o Broadcast.

Sem ruptura

Sobre dois setores mais atingidos pela crise, a aviação e o turismo, o presidente da autarquia disse que “vamos ter que ajudar alguns setores, pois o governo não deixará haver nenhuma ruptura”, garante, sem adiantar números.

Fuga em massa

Ao admitir que “a saída de investimentos de mercados emergentes, como o Brasil, é dez vezes maior do que na crise de 2008, Campos Neto observa que, “é grande o estresse atualmente, o que alimenta a busca, pelos investidores, de ativos mais seguros em países do primeiro mundo.

Reforma interrompida

O presidente do BC disse acreditar que o combate à pandemia deverá interromper a agenda das reformas no Congresso, mas destacou a própria agenda da autoridade monetária com relação à economia real. “No momento, o importante é criar condições de liquidez”, define.

Crédito na ponta

A redução da Selic (taxa básica de juros) em meio ponto percentual (hoje em 3,75% ao ano), segundo ele, serviu para “reprecificar o crédito na ponta, o que favoreceu, sobretudo, as pequenas empresas em relação às maiores”.

 Intervenção súbita

Atento às flutuações externas e às mazelas políticas internas, Campos Neto enfatiza que o BC está preparado “para atuar no mercado cambial, se for necessário, a qualquer momento, de maneira mais forte, inclusive, do que tem feito até agora”.

“Como o câmbio é flutuante, existe política para evitar excessos. No caso da política monetária, o instrumento são os juros”, justifica, segundo o serviço Broadcast.

Respeito aos contratos

O cumprimento dos contratos é fundamental para que se evite o aprofundamento da crise, assinalou Campos Neto. “Do nosso ponto de vista, é melhor ter um resultado fiscal um pouco pior, desde que os contratos sejam respeitados, com segurança jurídica”.

Mundo cresce menos

Entre as consequências econômicas da pandemia, o presidente do BC comentou que a enfermidade vai provocar uma mudança substancial na economia do planeta.

“Alguns estudos mostram que concentração de produção, em alguns países, foi capaz de melhorar vida das pessoas, mas a cadeia global de valor pode sair da crise com uma situação diferente”, completou.

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