“Crise atual atinge economia da vida real”, diz Rodrigo Maia

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: J. Batista/Câmara dos Deputados/Divulgação

Em live realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na tarde desta segunda-feira (13), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu ações em conjunto – entre o setor público e privado – para que seja garantida liquidez de “todos os setores da sociedade”. Maia também destacou que a crise atual se difere da ocorrida em 2008, pois, hoje ela atinge a “economia da vida real”.

Liquidez

Durante a transmissão, que foi mediada pelo jornalista e diretor de comunicação da federação, João Borges e teve a participação do presidente da Febraban, Isaac Sidney, foi discutida a questão da garantia de liquidez às famílias e às empresas de pequeno, médio e grande porte.

“Tem muita demanda de microcrédito, muitas pessoas que estão no crédito consignado também tem muita demanda e tem uma demanda das empresas médias e grandes por liquidez. Mas, isso aí depende uma ação junto com o governo federal, no meu ponto de vista”, analisou o presidente da Câmara.

Rodrigo Maia também destacou a aprovação da PEC do “orçamento de guerra”, que “gera condições para o Banco Central poder atuar também, suprindo algumas deficiências do próprio sistema financeiro. Temos demandas de todos os tipos”, explicou o presidente da Câmara.

Atuação dos bancos contra a crise

Por sua vez, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, destacou inciativas dos bancos para aliviar a crise desencadeada pela pandemia.

“Os bancos têm tomado várias inciativas nessa área de concessão de crédito. Ainda no dia 17 de março, quando a crise atingiu o Brasil de maneira mais severa, anunciamos um programa de renovação do crédito, fazendo uma prorrogação das parcelas por mais 60 dias”, destacou o presidente da Federação.

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O presidente da Febraban também falou sobre a renegociação de dívidas. “Já renegociamos algo em torno de R$ 130 bilhões. Os bancos receberam 2 milhões de pedidos para renegociação de dívidas. Eu estimo que esses R$ 130 bi já estamos próximos de R$ 150 bilhões só de renegociação”, revelou Sidney.

“Nós propusemos ao governo Federal, juntamente com o Banco Central (BC) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma linha de crédito para financiar a folha de pagamento de pequenas e médias empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. Os bancos vão suportar, com recursos próprios, R$ 6 bilhões para financiar a folha de pagamento de 1,5 milhão de empresas e 12 milhões de empregados”, destacou o presidente da Febraban.

Crédito consignado e respeito aos contratos

O presidente da Febraban também revelou que está sendo discutido entre as instituições financeiras a concessão de carência para clientes do crédito consignado. De acordo com Isaac Sidney, a intenção “é estender a prorrogação que fizemos em outras linhas para o crédito consignado, quem sabe dando uma carência”.

Ainda no que diz respeito sobre a renegociação de dívidas, Sidney enfatizou a importância do cumprimento de contratos durante a crise que “choque de oferta e choque de demanda não se resolvem com quebra de contrato” e que o descumprimento de acordos pode trazer “consequências severas” à economia.

Crítica ao sistema financeiro

Rodrigo Maia elogiou a atuação dos bancos na crise atual, pois, lembrou que, geralmente a setores da sociedade criticam o sistema financeiro “por sempre querem lucrar” em situação como a atual. Entre as ações do banco, o presidente da Câmara destacou aquelas voltadas para a compra de equipamentos e insumos hospitalares. “Isso é um gesto importante para a sociedade”, disse Maia.

“Isso gera uma proximidade do setor que, na cabeça das pessoas sempre foi distante. Apesar de estar todos os dias na vida das pessoas: quando pagam uma conta, é pelo sistema bancário, quando recebe o salário e, quando precisam de um empréstimo, é pelo sistema bancário”, disse Maia.

Ao término da transmissão, o presidente da Febraban fez questão de destacar que o sistema financeiro brasileiro está “sólido e saudável”.