Criptomoedas batem US$ 1 tri em valor; até onde vai a valorização?

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução / Canva - Operando Criptomoedas

Não se fala de outra coisa no mercado financeiro. As seguidas altas e os recordes sucessivos do valor do bitcoin (BTC) nas últimas semanas e meses levaram também outras criptomoedas a se valorizarem, surfando a onda do bitcoin. Na quinta-feira (07) o mercado de criptomoedas atingiu o recorde histórico de valor de mercado de US$ 1 trilhão.

Mas a euforia vem atrelada à uma pergunta que ninguém sabe responder: até onde vão as criptomoedas?

Grande parte desse valor recorde vem somente do bitcoin.

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O criptoativo corresponde a US$ 670 bilhões (68%) do valor do mercado. Depois, vem a plataforma Ethereum, com valor superior a US$ 135 bilhões (13%).

Na sequência estão as altcoins (moedas alternativas ao bitcoin), como USDT, Litecoin, XRP, Cardano, Stellar e outras.

No Brasil, na quinta-feira, o bitcoin chegou ao recorde de R$ 212 mil, em uma sequência de altas sucessivas dia após dia. Assim, com o rali do bitcoin cada vez maior e mais rápido, as altcoins também têm acompanhando as fortes subidas.

Com os números recentes, o bitcoin se tornou o oitavo ativo mais valioso do mundo! Deixou pra trás até mesmo o gigante Grupo Alibaba, da China.

Já a Ethereum também entrou na lista dos 100 ativos mais valiosos do mundo.

Valorizações históricas e recorrentes

De acordo com o Portal do Bitcoin, o bitcoin fechou 2020 com 290% de valorização na moeda norte-americana, o que correspondeu a 420% de aumento na cotação em real.

Mas a alta continuou nos primeiros dias de 2021.

Para se ter uma ideia do forte rali do bitcoin em menos de um ano, no ápice da crise do coronavírus, em março, o ativo estava cotado em US$ 5.286. Na última quinta-feira (07) chegou a ser cotado a US$ 39 mil. Ou seja, uma alta de mais de 630%.

Em outras palavras, caso alguém tivesse investido R$ 100 mil em bitcoins em março, teria hoje R$ 630 mil na conta.

Em todo o ano de 2020, a alta do bitcoin foi de 303% em dólar – e 419% em reais, segundo a Economatica. A título de comparação, o ouro, investimento tradicional que mais rendeu em 2020, valorizou-se 56%.

Nos últimos dias os recordes do valor do bitcoin têm crescido de forma impressionante:

10 maiores criptomoedas

Hoje existem mais de 7 mil criptomoedas espalhadas pelo mundo. Mas somente 10 delas concentram 90% da capitalização de todo o mercado.

Confira o top 10 das criptomoedas mais populares e capitalizadas:

  1. Bitcoin
  2. Ethereum
  3. Tether
  4. XRP
  5. Litecoin
  6. Cardano
  7. Polkadot
  8. BitcoinCash
  9. Stellar
  10. Cardano

Levantamento divulgado na terça-feira (05) pelo CryptoCompare, empresa especializada no mercado digital de criptomoedas, mostra que os volumes de negócios em grandes bolsas de criptomoedas atingiram um recorde diário de US$ 68,3 bilhões na segunda-feira (4).

Em 2020 os volumes foram de US$ 13,1 bilhões.

Valores das 10 principais criptomoedas no dia 8 de janeiro

Valores das 10 criptomoedas às 14h do dia 08-01

Principais criptomoedas do mundo. Fonte: Coinmarketcap

A sombra de 2017 e o momento atual

Criada há apenas 11 anos, o bitcoin é uma moeda digital que caiu no gosto de milhares de investidores nos últimos anos. Mas seu alto potencial de ganho vem atrelado também ao altíssimo risco.

Assim como as grandes altas, fortes quedas do bitcoin também já foram registradas no histórico da criptomoeda.

No ano de 2017, quando o mercado estava em alta, os especialistas se perguntavam se os valores eram sólidos. Logo depois veio a queda. O mercado de criptoativos perdeu 80% do valor de mercado.

Mas, então, o que mudou em 2020/2021?

A capitalização do mercado no momento está o dobro do que era em 2017.

Valorização bitcoin. Fonte: reprodução Bloomberg

Valorização bitcoin. Fonte: reprodução Bloomberg

Isso é devido a uma série de fatores. Entre eles está a maior consolidação do bitcoin, sendo adotada de forma institucional por empresas sólidas, e ganhando mais força dentro de Wall Street. Muitos veem a criptomoeda como uma alternativa ao ouro como reserva de valor.

Cada vez mais os investidores institucionais estão convencidos de que a criptomoeda se tornará um ativo duradouro, e não uma bolha como alguns investidores e analistas projetam.

Investidores como Paul Tudor Jones, Ray Dalio, Stan Druckenmiller e Rick Rieder investiram nos últimos meses bilhões de dólares em bitcoin.

  • Bitcoin 2021: moeda digital pode superar os US$ 60 mil no próximo ano

Criptomoedas: o céu é o limite?

Mas, afinal, até que valor podem chegar o bitcoin e as criptomoedas?

Obviamente ninguém tem a resposta para essa pergunta. Mas diferentes casas de análises ao redor do mundo e grandes investidores estão bem otimistas com a alta do bitcoin e acreditam que a fase de desconfiança com o ativo ficou no passado.

Enquanto muitos investidores acreditam que o valor dos criptoativos está esticado e que a bolha deve estourar em algum momento (afinal, todas as moedas estão nas máximas recordes), projeções de altas cada vez maiores estão sendo divulgadas.

O tradicional banco JPMorgan, por exemplo, acredita que há espaço para o bitcoin valer muito mais. Análise divulgada na terça-feira (05) apontou que o ativo pode superar os US$ 146 mil e seguir como um dos principais rivais do ouro no mercado de commodities.

Para Tom Fitzpatrick, CEO do Citibank, a valorização do bitcoin continuará em 2021. Ele acredita que o ativo pode disparar ainda mais e chegar a valer até US$ 318 mil no fim de 2021.

Simon Dedic, cofundador da Blockfyre e sócio-gerente da Moonrock Capital, também está otimista e aposta que cada bitcoin pode ultrapassar a casa de US$ 150 mil no decorrer deste ano.

Grandes empresas como a PayPal e Fidelity, em 2020, fizeram movimentos que deram mais credibilidade ao ativo. A PayPal, por exemplo, anunciou uma funcionalidade que permite aos usuários investimentos em criptomoedas.

Por fim, os analistas alertam para a alta volatilidade das criptomoedas (tanto para cima quanto para baixo). Se quiser investir, a dica é: vá com calma e comece aportando de 1% a 2% da sua carteira em criptomoedas.