Crescimento do setor industrial desacelera no final do ano, informa IHS Markit

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação / Brasil Escola

O Índice Geral de Compras no país (mais conhecido como PMI, na sigla em inglês) caiu para 50,2 pontos em dezembro, contra os 52,9 registrados em novembro, informa relatório da consultoria IHS Markit. O resultado indica “melhoria mais fraca nas condições de negócios no atual período de cinco meses de crescimento”.

A explicação, de acordo com comunicado da consultoria: “O subsetor de bens de capital foi o principal obstáculo para o aumento do índice básico, ao registrar a primeira deterioração em um ano, em meio a contrações sólidas nos volumes de vendas e de produção. O crescimento foi mantido nas categorias de bens de consumo e de bens intermediários, onde tanto o volume de produção quanto a quantidade de novos trabalhos se expandiram
em dezembro.”

Demanda mais fraca

O volume consolidado da produção industrial aumentou pelo quinto mês consecutivo, mas a elevação se deu “pela taxa mais fraca nesse período”.

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Diz o texto da consultoria: “Algumas empresas sugeriram que a quantidade mais elevada de vendas impulsionou a produção, mas outras reduziram as fabricações devido à demanda mais fraca por seus produtos. O volume total de novos negócios se expandiu por uma fração em dezembro, com a recuperação sendo a mais fraca no atual período de sete meses de crescimento. O crescimento foi, em parte, contido por vendas mais baixas para os mercados internacionais.”

Volume de exportação

O volume de novos pedidos para exportação diminuiu ao ritmo mais acentuado desde o início de 2009. Houve, na avaliação da consultoria, “uma demanda fraca por parte dos clientes na América Latina, especialmente da Argentina e do Chile.”

Informa o relatório: “A ausência de novos projetos levou os produtores de mercadorias a se concentrarem na conclusão de seus negócios pendentes. Os pedidos em atraso se contraíram a uma taxa acentuada, a mais rápida desde meados do ano.

Empregos afetados

Como resultado, a capacidade ociosa impediu que as empresas criassem empregos em dezembro. De acordo com a consultoria, “o nível de empregos no setor industrial caiu pela primeira vez desde julho, embora ligeiramente.
As empresas também reduziram as compras de insumos, encerrando, assim, uma sequência de quatro meses de expansão.”

Estoques de insumos

Com as quantidades de compras diminuindo, os estoques de insumos diminuíram da maneira mais significativa em um ano e meio. “Da mesma forma, os estoques de bens finais caíram ao ritmo mais rápido em dois anos.
Em outras partes, houve um aumento mais rápido nas cargas de custos, com vários entrevistados culpando a depreciação do real (em relação ao dólar americano) pelo aumento.”

Mas os dados mostraram uma ausência “de poder de demarcação de preços entre os produtores de mercadorias, já que os preços de venda aumentaram a uma taxa modesta, a mais lenta desde agosto.”

“As empresas preveem tempos melhores pela frente, com o grau de otimismo melhorando e atingindo um recorde de alta de onze meses. O sentimento positivo resultou de previsões de ganhos de novos negócios, investimentos mais elevados, um clima econômico favorável e campanhas de marketing”, conclui a consultoria.

Final de ano contido

A economista Pollyanna De Lima, da IHS Markit, comentou o relatório da consultoria: “Os resultados mais recentes do PMI mostram um final de ano contido para os fabricantes brasileiros, com vendas atenuadas levando a um
crescimento marginal e mais lento na produção, assim como a um corte de empregos renovado.”

Ela complementa: “As leituras decepcionantes observadas em dezembro atuaram para cancelar parcialmente os ganhos fortes em outubro e novembro, com o desempenho do setor no último trimestre de 2019 ficando basicamente em sintonia com o observado no terceiro trimestre. Isto indica que o setor fez uma contribuição apenas marginal para o crescimento econômico no quarto trimestre.”

Ponto fraco em dezembro

O principal ponto fraco em dezembro foi o subsetor de bens de capital, aponta a economista: “Tanto a produção quanto o volume de novos pedidos se contraíram pelas taxas mais acentuadas desde setembro de 2018.
Os mercados de exportação não conseguiram oferecer  estímulos às vendas. Os pedidos provenientes do estrangeiro caíram da maneira mais significativa em uma década, atenuados pela demanda mais baixa dos países latino-americanos.”

Projeções favoráveis

Com a clara falta de progresso, o único ponto positivo veio das projeções favoráveis de crescimento: “Os fabricantes se revelaram os mais otimistas em pouco menos de um ano, com a expectativa de que o crescimento da produção seja impulsionado por vendas mais elevadas, investimentos, iniciativas de marketing e melhores condições econômicas”, informa a economista da consultoria.