Crédito privado atrelado ao CDI tem o pior mês da história

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
1

O mercado secundário de títulos de dívida corporativa, mais conhecido como “crédito privado”, sofreu alguns ajustes no mês de novembro. Dessa forma, o valor de mercado dos ativos caiu e as taxas dos papéis subiram, o que acabou afetando a rentabilidade de diversos títulos.

Como uma empresa arrecada dinheiro?

Entender como uma empresa capta recursos para financiar suas atividades é o primeiro passo para que se compreenda todo o restante.

Desse modo, pode-se simplificar as maneiras de se arrecadar capital em duas formas:

  • Captar recursos com acionistas
  • Recorrer a empréstimos, com emissão de títulos

Captação de recursos com acionistas

Neste caso, a remuneração do investidor está vinculada aos dividendos recebidos e à valorização das ações, basicamente.

Desse modo, o ganho do investidor nesta forma de captação é muito mais incerto do que o fluxo de caixa de caixa proporcionado por um título de crédito.

Sendo assim, ao avaliar a atratividade da aplicação em ações, o investidor acaba dando peso maior às expectativas futuras de lucratividade da empresa.

Captação de recursos com emissão de títulos

Esta é a segunda maneira de uma empresa conseguir capital e funciona, basicamente, como um empréstimo.

Dessa maneira, o ganho obtido aqui, por parte dos investidores, é com os juros embolsados ou, em outras palavras, a taxa de rentabilidade do título que a empresa emitirá.

De modo geral, esse método costuma ser mais seguro para os investidores, pois a rentabilidade é prefixada, geralmente, bastando apenas que a empresa cumpra sua parte e o pague.

Ademais, para o investidor avaliar se irá ou não investir em título de crédito, ele dará ênfase no cálculo do valor do fluxo de caixa a ser recebido ao longo do tempo, descontado pela taxa de juros dos títulos públicos com prazo equivalente.

Spread e sua oscilação

O conceito explicado acima é conhecido pelo jargão “spread” no mercado.

Reforçando, o spread é, basicamente, a diferença entre a remuneração esperado dos títulos públicos e privados.

Em soma, vale destacar que o spread pode variar conforme as condições do mercado.

Da mesma forma que as empresas tem duas formas de captação de recursos, existem duas razões conceituais para que um spread oscile.

Assim sendo, a primeira é se aumentar o risco de que a companhia não honre suas obrigações.

Já a segunda é em função da  oferta e demanda por títulos de crédito no mercado.

Assim, logicamente, os dois motivos influenciam o valor de mercado dos papéis.

Primeiro caso

A título de exemplo, considere o caso das debêntures emitidas pela concessionária Rodovias do Tietê, título conhecido como RDVT11.

Dessa forma, como a companhia teve dificuldades financeiras e entrou na justiça com um pedido de recuperação judicial, o valor de mercado das debêntures foi calculado em zero.

Nessa lógica, é cristalina a presença de uma incerteza absoluta sobre a capacidade  da empresa de honrar seus compromissos.

Segundo caso

Contudo, há também uma outra possibilidade para se ter uma alteração no valor dos títulos de crédito, que é quando há um aumento brusco da demanda.

Nesse sentido, vale citar o começo do ano, quando houve uma forte captação dos fundos da categoria crédito privado.

Sendo assim, devido à perspectiva de queda dos juros e da possibilidade de que as aplicações atreladas aos títulos públicos mais conservadores passassem a render menos do que a inflação, muitos investidores acabaram direcionando os recursos para outras modalidades.

Desse modo, um dos destinos foram os fundos de crédito privado, que registraram um forte aumento da captação.

Em conseguinte, com os recursos disponíveis, os gestores cumpriram seus mandatos e passaram a comprar os títulos disponíveis no mercado.

Logo, esse aumento na procura gerou um aumento das cotações dos papéis, o que acabou refletindo positivamente na rentabilidade dos fundos.

Retornando a fala anterior, o que houve, basicamente, foi um aumento da demanda com a procura por títulos e uma diminuição na oferta, o que acarretou em cotações maiores para os papéis.

Somado a isso, o inverso aconteceu agora em novembro, isto é, os saques ocasionaram uma pressão para vender os ativos, o que afetou a rentabilidade dos fundos.

Assim, esse movimento foi detectado pelo indicado IDA-DI, calculado pela Anbima, a associação das instituições financeiras.

IDA-DI

O IDA-DI representa uma carteira de debêntures emitidas por cerca de 200 companhias e com taxas atreladas ao CDI.

Pela primeira vez na história o indicador fechou o mês no território negativo, caindo 0,07%.

Nessa perspectiva, o índice reúne emissões com vários prazos de vencimento. Em soma, aproximadamente 25% tem resgate em até 1 ano e meio e as demais vencem em até 7 anos.

A rentabilidade média das debêntures com prazo de vencimento mais curto foi positiva em novembro, de 0,35%.

Já o retorno médio dos títulos com vencimento mais longo foi de -0,10%, logo, esse foi o grupo que afetou o resultado do indicador.

Observe no gráfico abaixo a relação entre o prazo de vencimento em dias úteis das debêntures que fazem parte do IMA-DI, no eixo horizontal, com a taxa indicativa dos títulos para o dia 29 de novembro de 2019, no eixo vertical. A taxa indicativa é o ‘spread’ anual acima do CDI.

Clique aqui para visualizar o gráfico de forma mais ampliada.

Cada ponto representa um título específico e entraram no gráfico apenas os papéis com vencimento superior a um ano e meio.

Ademais, a reta que passa entre os pontos é uma linha de tendência. Nessa lógica, apesar de indicar que quanto maior o prazo do vencimento, maior a taxa, a dispersão de remuneração de títulos com praticamente o mesmo vencimento é grande.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Em um contexto de recuperação de atividade econômica, a aplicação de debêntures e demais títulos corporativos é atrativa.

Para concluir, os fundos de crédito privado têm a desvantagem do custo da taxa de administração, mas oferece uma seleção geral para a administração dos ativos. Assim, como em qualquer investimento, o importante é manter um horizonte de longo prazo e tentar escolher as alternativas com perspectiva de desempenho mais sólidas.


Aproveite as oportunidades e aumente a rentabilidade dos seus investimentos.

Preencha seus dados abaixo e conte com especialistas para ajudar.

Se preferir, ligue direto para 4007-2374