Credit Suisse alerta para “futuro incerto” por causa do coronavírus

Paulo Amaral
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Crédito: Fachada do banco Credit Suisse, em Genebra. Foto: DENIS BALIBOUSE / REUTERS

Apesar de ter registrado lucro de 75% no primeiro trimestre, o Credit Suisse está preocupado com o “futuro incerto” por causa da crise do coronavírus.

Assim como já fizeram os grandes bancos americanos, o Credit Suisse, primeiro grande banco europeu a divulgar resultados desde que a pandemia impactou mercados e paralisou empresas e economia, vê com temor as projeções para os próximos “dois ou três trimestres”.

“Está claro que, no curto prazo, nos próximos dois ou três trimestres, com a Covid-19 e seu impacto serão desafiados”, sintetizou Thomas Gottstein, presidente-executivo da instituição, à Reuters.

Em nota enviada à CNBC, o banco suíço afirmou que o cenário causado pelo coronavírus ainda é “difícil de avaliar”.

“A escala do impacto econômico da crise da Covid-19 ainda é difícil de avaliar e antecipamos que poderemos ver um aumento das reservas nos próximos trimestres”.

“Como a maior parte do lucro da instituição é com a gestão de fortunas, a unidade de empréstimos corporativos já começou a apresentar sinais de estresse, com as perdas passando de de 81 milhões para 568 milhões de francos.

“Consideramos esses resultados decentes, com uma boa receita e bom desempenho de custos”, resumiu a Citi, agência de riscos, acrescentando que o risco parecia ter sido antecipado.

Gottstein afirmou ainda que “não está perdendo o sono” com o cenário atual, principalmente pela forma como a companhia tem lidado com o cenário de crise até agora.

“Na verdade, estou muito confortável sobre como lidamos com a crise até agora. Somos muito cautelosos, estamos muito conscientes da desaceleração geral da economia”.

Lucro no primeiro trimestre

Segundo a Reuters, o Credit Suisse viu o lucro líquido subir US$ 1,35 bilhão de janeiro a março de 2020, acima das expectativas traçadas antes da pandemia.

Os resultados foram impulsionados por descontos fiscais e ganhos pontuais, além de terem sido ajudados por mercados voláteis e “níveis excepcionalmente altos de atividade do cliente”.

Dividendos

Segundo a nota enviada para a CNBC, o Credit Suisse tem um plano elaborado para reduzir os dividendos a partir do outono europeu.

“O Credit Suisse vai propor uma redução do respectivo dividendo para metade, respeitando a recomendação do regulador suíço, a FINMA. No outono, o conselho de acionistas volta a reunir para avaliar a hipótese de distribuir a segunda metade do dividendo. O programa de recompra de ações da instituição também já se encontra suspenso, pelo menos até ao terceiro trimestre de 2020”.

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