Covid-19: SP quer vacinar população com mais de 18 anos até outubro

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo de São Paulo espera vacinar contra a covid-19 toda a população do estado, com mais de 18 anos, até o final de outubro. A informação foi divulgada hoje (2) pelo governador João Doria.

Isso vai depender, no entanto, da disponibilização de doses pelo Ministério da Saúde. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, o planejamento feito pelo governo paulista foi feito com base em relatório do ministério e já prevê uma possível redução ou atraso no envio de imunizantes.

“Temos a certeza de que, se a entrega for feita de acordo com o que está projetado pelo Ministério da Saúde, e até uma possível redução de doses, poderemos sim completar o calendário vacinal e vacinar [até o fim de outubro] adultos acima de 18 anos do estado de São Paulo”, disse ela.

Novo calendário

Pelo novo calendário planejado pelo governo paulista, pessoas entre 55 e 59 anos de idade serão vacinadas contra a covid-19 entre os dias 1° e 20 de julho. Já entre os dias 21 e 31 de julho serão vacinados os profissionais da educação com idades entre 18 e 44 anos.

Entre os dias 2 e 16 de agosto será vacinado o público com idades entre 50 e 54 anos de idade. Já as pessoas entre 45 e 49 anos serão vacinadas no período de 17 e 31 de agosto.

O calendário prevê ainda a vacinação de pessoas com idades entre 40 e 44 anos entre os dias 1° e 10 de setembro; das pessoas entre 35 e 39 anos entre os dias 11 e 20 de setembro; e das pessoas entre 30 e 34 anos entre 21 e 30 de setembro.

Já entre os dias 1° e 10 de outubro serão vacinadas as pessoas entre 25 e 29 anos e, entre os dias 11 e 31 de outubro, as pessoas de 18 a 24 anos. A vacinação de menores de 18 anos ainda não está no planejamento porque os imunizantes disponíveis para vacinação no Brasil ainda não têm testes de eficácia com esse público.

Próximas etapas de vacinação

Pessoas de 18 a 29 anos de idade com comorbidades ou deficiência permanente que recebam o benefício de prestação continuada (BPC) e que moram no estado de São Paulo vão poder ser vacinadas contra a covid-19 a partir da próxima segunda-feira (7).

Com isso, o governo paulista pretende finalizar a vacinação de pessoas com comorbidades ou deficiência permanente do estado até o final deste mês. A previsão é de que sejam imunizadas 550 mil pessoas que compõem esse grupo.

Outras 1,2 milhão de pessoas com comorbidades ou deficiência permanente com idade entre 30 e 39 anos já começaram a ser vacinadas hoje (2) na rede pública de saúde.

Para ser vacinada, a pessoa com comorbidade precisa apresentar comprovante de sua condição com exames, receitas, relatório ou prescrição médica. Já as pessoas com deficiência permanente precisam apresentar o comprovante de recebimento do BPC.

Professores

O governo estadual anunciou hoje a antecipação da vacinação de profissionais da área de educação, que tenham entre 45 e 46 anos, para a próxima quarta-feira (9). Esse grupo é composto por cerca de 80 mil pessoas.

Dia D

No próximo sábado (5), haverá no estado o Dia D de vacinação contra a covid-19 para as pessoas que ainda não completaram a sua imunização, ou seja, ainda não tomaram a segunda dose do imunizante.

Nesse dia, mais de 5 mil pontos de vacinação vão ficar abertos das 7h às 18h para aplicação exclusiva da segunda dose. Serão vacinadas as pessoas que estão com mais de 28 dias de atraso com as doses da vacina CoronaVac, fabricada pela farmacêutica Sinovac e o Instituto Butantan, ou 12 semanas de atraso do imunizante Oxford/AstraZeneca/Fiocruz.

Ambos os imunizantes são aplicados em duas doses. A pessoa é considerada imunizada 21 dias após tomar a segunda dose dos imunizantes.

Fiocruz prevê entrega de 100 mi de doses no 2º semestre

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiantou hoje (2) que a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional deve permitir a entrega de 50 milhões de doses da vacina contra covid-19 em 2021.

Segundo a fundação, foi firmado novo acordo com a AstraZeneca para a importação de IFA suficiente para mais 50 milhões de doses, somando 100 milhões de doses a serem entregues no segundo semestre.

A projeção inicial da fundação, divulgada ainda em 2020, era a produção de 110 milhões de doses com IFA nacional em 2021, mas a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, explicou que essa era uma estimativa feita ainda com a vacina em fase de testes.

“As 110 milhões foram uma estimativa com os dados que tínhamos antes mesmo de a vacina ser aprovada, antes de várias etapas terem acontecido e os problemas iniciais com o IFA”, citou a presidente da fundação, que reforçou que a Fiocruz trabalha para conseguir mais IFA e produzir mais vacinas.

“Nosso esforço é por IFA adicional, e isso já está contratualizado. Um esforço para mais IFA, se for possível, porque há uma carência [internacional]. Essa vacina está sendo usada em 170 países”.

Acordo de transferência de tecnologia

A Fiocruz assinou nesta semana o acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca para garantir a produção de IFA nacional. Até o fim de julho, serão entregues 100,4 milhões de doses produzidas somente com IFA importado e previstas no acordo de encomenda tecnológica, assinado no ano passado.

Além do esforço para ampliar a produção do segundo semestre, a Fiocruz busca reduzir a possibilidade de haver uma interrupção de entregas, já que as doses da encomenda tecnológica serão liberadas até julho e as da produção nacional de IFA só devem ter a distribuição autorizada pela Anvisa em outubro. Além de carregamentos adicionais de IFA importado, a fundação tenta conseguir também mais doses prontas, como as 4 milhões que chegaram da Índia em janeiro.

O diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, ressaltou que todas as alternativas estão sendo avaliadas e articuladas para que mais vacinas sejam disponibilizadas à população. Sobre a previsão inicial de doses totalmente nacionais, ele reforçou que o maior conhecimento sobre a vacina permitiu fazer uma previsão mais precisa.

“À medida em que a gente foi conhecendo melhor o processo, detalhando melhor os protocolos de produção e conhecendo melhor os rendimentos, à medida que a gente foi tendo essas informações, a gente teve uma capacidade maior de fazer uma previsão mais precisa”, disse ele.

“Nesse momento, a gente viu que até pode produzir mais do que 50 milhões de doses, mas dificilmente a gente consegue entregar, porque várias dessas doses estarão em controle de qualidade”.

Mesmo assim, o diretor destaca a dificuldade de fixar previsões de doses.

“Vai depender do rendimento que a gente vai conseguir do IFA. O IFA varia lote a lote, tem concentrações virais diferentes, volumes diferentes, e isso pode gerar mais ou menos doses”.

Zuma avalia que a assinatura do contrato de transferência de tecnologia ter acontecido no fim de maio não atrasou a produção do IFA, porque as informações técnicas já vinham sendo compartilhadas pela AstraZeneca desde agosto do ano passado.

A negociação do acordo, afirma ele, trouxe a possibilidade de aperfeiçoamentos futuros na vacina serem compartilhados com a Fiocruz, assim como a fundação se compromete a compartilhar quaisquer melhoramentos que faça na vacina.

*Com Agência Brasil