Covid-19: conheça países e territórios que não têm um só registro da doença

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Site Johns Hopkins University

Levantamento da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, feito com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que o mundo tinha, até o dia 3 de abril, 181 países e territórios com pelo menos um caso de Covid-19 confirmado.

Outros 41 não informaram nenhum teste positivo até aqui, em meio à pandemia que paralisou o planeta.

Mas alguns desses países e territórios podem não ter anunciado nenhum caso por serem localidades fechadas ao resto do mundo. Há chances de estarem escondendo a real situação.

Outros, no entanto, simplesmente não dispõem de kits suficientes para testar a população.

Mas existem lugares no mundo comprovadamente isentos de infectados por Covid-19. Claro: alguns são pontos isolados no mapa, gelados ou distantes. Outros são quentes e com população composta por centenas ou milhares de pessoas.

Conheça agora esses lugares em que não há sinais de que haverá isolamento social, filas em supermercados, nem bancos, comércio, cinemas e lugares turísticos fechados por tempo indeterminado. Não existe também risco de desemprego ou recessão.

Nem se veem pessoas circulando assustadas com máscaras médicas pelas ruas. Os habitantes devem assistir pela TV às notícias de países em quarentena como quem vê filmes de ficção ou terror.

Muitos lugares livres de Covid-19 são ilhas

Muitas dessas localidades não infectadas pela pandemia são ilhas e territórios ultramarinos de grandes países, como Grã-Bretanha, Noruega, Austrália, França, Estados Unidos.

As Ilhas Geórgia e Sandwich do Sul, por exemplo, próximas da costa argentina e quase na Antártica, são de propriedade da Grã-Bretanha.

Moram nesse arquipélago apenas 100 habitantes, segundo censo de 2005. Quase 100% das pessoas vivem na capital Grytviken, que é essencialmente um porto e não tem sequer ruas asfaltadas.

As Ilhas Pitcairn (ou Picárnia) também são britânicas. Elas ficam no meio do Oceano Pacífico e nelas moram apenas 67 pessoas. Não há aeroporto ali.

As Malvinas são conhecidas por conta da guerra com a Argentina, nos anos 1980. Ali moram 3 mil pessoas, bem próximas ao extremo sul argentino. Nenhum infectado.

Conta-se também o território composto pelas ilhas Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, no meio do Oceano Atlântico. O conjunto tem aproximadamente 6 mil habitantes. Santa Helena foi uma ilha-prisão, onde Napoleão Bonaparte morreu.

Há ainda o Território Britânico do Oceano Índico, uma série de ilhotas no sul da Ásia, com apenas 2.500 habitantes. Pouco mais ao norte, as Maldivas já detectaram 19 casos positivos.

A Inglaterra é um dos países mais afetados pelo Covid-19: são 38.168 confirmados e 3.605 mortos, mais até do que a China, onde o surto começou.

Já o caso das Ilhas Spratly é mais tranquilo de se esclarecer. Esse arquipélago no sul da Ásia e em constante disputa por Vietnã, China, Hong Kong, simplesmente não tem habitantes.

Noruega além-mar

O mesmo vale para a Ilha Bouvet, no meio do caminho entre o Cabo da Boa Esperança, no sul africano, com a Antártica. De propriedade norueguesa, é um território desabitado.

Svalbard e Jan Mayen são dois arquipélagos árticos, bem ao norte da Noruega, ao qual eles pertencem administrativamente. Ali, moram pouco mais de 2.600 pessoas.

A Noruega tinha até o dia 3 de abril 5.370 casos confirmados e contava 59 mortes. Todas em seu território continental.

Ilhas australianas

As Ilhas Keeling ou Ilhas Cocos são propriedade da Austrália, ficam a noroeste do país, mais perto da Indonésia, e lá habitam apenas 600 pessoas. Ali ao lado, ainda mais perto da Indonésia, estão as Ilhas Christmas, com 1.800 habitantes, também da Austrália.

Outra ilha australiana sem casos de Covid-19 é a Norfolk. Do lado leste do continente, pouco acima da Nova Zelândia, a ilha tem cerca de 2.100 habitantes. Apesar de possuir aeroporto internacional, não tem um só caso confirmado.

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A Austrália também dona do Território das Ilhas Heard e McDonald, completamente desabitado, bem ao sul do Oceano Índico, quase na Antártica.

Os australianos contam 5.454 infectados, com 28 mortos até aqui. Todos em seu território continental.

Territórios franceses

Wallis e Futuna é uma coletividade ultramar da França. Fica a leste da Austrália, no oceano Pacífico, perto de Fiji, a ilha mais famosa da região. São três reinos: o de Wallis e os dois que dividem a ilha de Futuna (Sigave e Alo). O presidente é Emmanuel Macron, da França. Ali, moram mais de 15 mil habitantes, nenhum deles infectado.

Outra coletividade ultramarina francesa são as ilhas de Saint-Pierre e Miquelon, pertinho da Terra Nova e Labrador, no Canadá. São pouco mais de 6 mil habitantes, que agora estão com a fronteira com o Canadá fechadas.

Há ainda cinco territórios franceses conhecidos como Terras Austrais e Antárcticas Francesas.

Fazem parte delas as Ilhas Kerguelen, um grupo de ilhas vulcânicas no sul do Oceano Índico, no sudeste da África; as Ilhas de São Paulo e Amsterdã, um grupo ao norte de Kerguelen; as Ilhas Crozet, ao sul de Madagascar; a Terra Adélia, na Antártica; e as Ilhas Esparsas, um grupo disperso de ilhas ao redor da costa de Madagascar. Nenhuma delas possui um só caso confirmado entre os seus aproximadamente 2.500 habitantes.

A França sofre bastante com o novo coronavírus. Já são 64.338 casos e 6.507 mortos. Nesses, não estão contabilizados casos em seus territórios, como na Guiana Francesa, na América do Sul, que tem 57 infectados.

Outros territórios

As Ilhas Virgens Americanas e Samoa Americana são territórios não incorporados aos Estados Unidos (embora façam parte das eleições norte-americanas, com primárias, inclusive). A primeira fica ao lado de Porto Rico e a outra, na Polinésia.

As ilhas caribenhas norte-americanas têm mais de 105 mil habitantes e é impressionante não haver nenhum caso registrado ali.

Com mais de 66 mil habitantes, Samoa é um dos maiores territórios ultramarinos sem casos de Covid-19. Ainda mais quando se olha para o quadro dramático dos Estados Unidos, com mais de 280 mil casos e mais de 7.400 mortos, podendo chegar, segundo previsões catastróficas, a 200 mil vítimas fatais.

Não confundir com Samoa, um país independente vizinho ao território norte-americano. São 177 mil samoanos que vivem ali, com porto e aeroporto internacionais e nenhum caso confirmado de Covid-19.

Já os Países Baixos Caribenhos são três conjuntos de ilhas que nem estão próximas entre si. A maior, Bonaire, fica na costa venezuelana, e tem 18 mil habitantes. As outras duas, Saba e Santo Eustáquio, ficam no cordão do arquipélago que forma as Ilhas Virgens, Martinica, Dominica etc. Juntas, têm 6 mil habitantes.

A Holanda também está inserida na pandemia com números robustos. São 15.723 infectados e 1.487 vítimas fatais.

Antártica e Polinésia

Dois cenários geográficos bem distintos, mas em comum o fato de estarem isolados da pandemia que assola o mundo.

A Antártica, o continente gelado no polo sul do Planeta Terra, apesar de muitas bases científicas de muitos países, não tem nenhum caso confirmado do novo coronavírus.

Já na quente e paradisíaca Polinésia, na Oceania, há muitos países independentes que não registram um único caso. Entre eles, Nauru, um minúsculo país a nordeste da Papua Nova Guiné, com 11.200 habitantes, um aeroporto internacional, praias belíssimas, e nenhum caso.

A mesma situação da ilha onde fica Palau, país independente desde 1994, com 21 mil habitantes, localizado a leste das Filipinas, na Micronésia.

Tonga, com 107 mil habitantes, ao lado de Fiji, na Polinésia, com belas praias, também não faz parte das estatísticas da pandemia.

O mesmo acontece com outros países da região, como Tuvalu (12 mil habitantes), Vanuatu (272 mil habitantes), das vizinhas e populosas (em comparação com os vizinhos) Ilhas Salomão (612 mil habitantes), das Ilhas Cook (18 mil), Ilhas Marshall (54 mil), Quiribati (110 mil) e as 607 ilhas da Micronésia, país independente com 106 mil habitantes.

África

O continente africano é uma das grandes preocupações da OMS por ser densamente povoado, com grandes conflitos, pobreza extrema em vários territórios e pouca capacidade de testar e tratar a população.

Mesmo assim, há países como o Malauí, com 120 mil habitantes e sem saída para o mar. Uma possível infecção teria que chegar importada pelo aeroporto ou por terra. A pequena nação fica entre a Zâmbia (39 casos confirmados), Moçambique (10) e Tanzânia (20).

O mesmo ocorre com o pequeno Lesoto, reino encravado no meio da África do Sul, que tem 1.505 infectados e 9 falecidos. São 31 mil lesotianos sem saída par ao mar.

Entre Madagascar e a fronteira da Tanzânia e Moçambique, está Comores, um país comporto por três ilhas e 810 mil habitantes. Nenhum deles foi contaminado.

Na África, enfim, tem o Sudão do Sul, com mais de 11 milhões de habitantes e devastado pela mais longa guerra civil do continente, que durou 32 anos e só acabou em 2005. Ali, 75% da população não tem acesso a serviços básicos de saúde. Não ter um caso confirmado pode ter a ver com a falta de testes disponíveis.

Ásia e Oriente Médio

Segundo informa o G1, “o regime autoritário do Turcomenistão tem implementado uma política extrema que parece seguir o lema escapista ‘o problema não existe se você não falar dele'”.

O país faz fronteira com o Cazaquistão a noroeste, Uzbequistão a nordeste e leste, Afeganistão a sudeste, e Irã ao sul. A região com conflitos históricos não propicia muito avanço tecnológico e médico.

A população de 5 milhões de pessoas vive sob a ditadura de Gurbanguly Berdimuhamedow, presidente desde 2006. O governo quer banir até mesmo o uso do termo “coronavírus” da vida pública.

O Tadjiquistão, com mais de 9 milhões de tajiques, 20% da população vive com menos de US$ 1,25 por dia. A pobreza pode ser uma das explicações para esse país que faz fronteira com a China não ter tido nenhum caso confirmado até aqui. O presidente Emomali Rahmonov também tem acusações de organismos internacionais de ser pouco transparente e manipular eleições.

Falta de transparência é exatamente o sinônimo que o mundo tem da ditadura na Coreia do Norte. Com mais de 25 milhões de habitantes, não é de se admirar que o país mais fechado do mundo não tenha um só caso confirmado do Covid-19.

Mas os sul-coreanos, com 10.062 casos e 174 mortos, desconfia da estatística zerada do país ao norte. A OMS também. Mas o ditador Kim Jong-un segue afirmando que o vírus não chegou ao país.

Por fim, o Iêmen. O país está assolado pela guerra e descrito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o cenário da pior crise humanitária do planeta, segundo o Globo.

“À diferença de outros países do Golfo, o Iêmen não tomou medidas drásticas para prevenir a propagação do novo coronavírus porque é menos vulnerável. Várias regiões do país estão entrincheiradas, e os contatos aéreos com o exterior já são drasticamente limitados”, conta o jornal carioca.

Não ter nenhum caso oficialmente confirmado de Covid-19, ao contrário do vizinho ao norte, a Arábia Saudita, que tem 2.039 casos confirmados e 25 mortos, e do vizinho a leste, Omã, que tem 252 cidadãos positivos e uma morte, não quer dizer que seja verdade, já que a crise humanitária indica que não há sequer testes disponíveis.

Números mundiais do Covid-19

Até a noite de sexta-feira (3), a OMS contava em todo o mundo mais de 1,100 milhão de infectados. São 60 mil vítimas fatais da pandemia mais avassaladora da história da humanidade.

A taxa de mortalidade é de 5,38%. Esse é outro dado que vem crescendo dia a dia.

Nos últimos cinco dias, a média de mortes diárias pelo Covid-19 é de 4.500. Nos últimos dois dias, 6.000 mortes a cada 24 horas.

Esses números, a cada dia, aumentam dramaticamente. E nada garante que muitos desses territórios também não entrem na estatística.

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