Covid-19: o que anda preocupando os CEOs de empresas norte-americanas?

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: iStock / Getty Images

A Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, recentemente convocou duas dezenas de executivos de empresas como BlackRock, CVS Health, Kohl’s, PayPal e Walmart para discutir o impacto da pandemia Covid nos negócios. O jornal The New York Times (NYT) contou essa história nesta sexta-feira (27).

O professor Joseph Allen, da Escola de Saúde Pública de Harvard, que tem assessorado empresas em questões relacionadas à pandemia, participou do encontro.

Ele falou sobre o que os altos executivos dizem quando debatem abertamente uns com os outros, enquanto olham para a próxima fase da pandemia – e além.

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Questões sobre vacinas

Anúncios de vacinas são bem-vindos, é claro. Isso todos concordam e nem precisa ser CEO para isso.

Mas eles levantam questões.

Como os executivos devem interpretar os dados sobre a eficácia anunciada por cada laboratório? Como será a logística de entrega? E se os funcionários não tomarem a vacina?

O NYT lembrou que uma pesquisa Gallup recente descobriu que cerca de 40% dos norte-americanos não concordariam em receber a vacina se ela fosse aprovada hoje.

Os CEOs estão sempre verificando a saúde de uma pessoa quando estão em tratativa de um negócio, disse Allen. “Alguns já estão trabalhando no lado tecnológico do problema”, afirmou, “por meio do qual as pessoas poderiam mostrar pelo celular que tomaram uma vacina ou tiveram um teste negativo recente”.

No escritório

Quando entrevistados na reunião de Harvard, os executivos classificaram a cultura corporativa como sua principal preocupação, uma preocupação que aumenta à medida que os funcionários continuam a trabalhar em casa.

“A perspectiva dessa necessidade de home office durar um ano ou mais é preocupante”, disse Allen.

Como resultado, os executivos estão cada vez mais focados em trazer os funcionários de volta ao escritório com segurança, seja investindo na melhoria da qualidade do ar ou na reconfiguração dos espaços de trabalho.

Mas esses ajustes são caros e afetam os orçamentos. “Esse olhar nem sempre está lá”, ressaltou Allen, que defendeu que as empresas incluíssem um diretor de saúde pública.

Adaptações e uma crença lógica

Uma parte da reunião foi dedicada aos primeiros 100 dias do governo Biden, especialmente a prioridade declarada do presidente eleito em lidar com a pandemia da Covid, algo que o atual, Donald Trump, com seu já histórico negacionismo à ciência e à realidade, falhou miseravelmente (famílias de mais de 172 mil brasileiros sabem muito bem o que é isso, quando olham o negacionismo de Jair Bolsonaro emanando do Palácio do Planalto).

Essa parte foi liderada por Sara Bleich (professora de Saúde Pública em Havard) e Juliette Kayyem (filiada ao partido democrata de Biden e formada em Direito em Havard), que disseram esperar uma abordagem mais coordenada do governo federal, conduzida pela equipe de especialistas em saúde reunida por Biden.

Isso pode ter implicações nos negócios, aumentando a disposição das pessoas em usar máscaras e tomar uma vacina.

Além disso, o que se entende aqui é baseado em uma crença lógica: a economia só vai melhorar e se sustentar saudável quando as pessoas estiverem bem, quando a saúde pública conseguir atender quem precisa e, então, não houver medo para trabalhar, produzir e, enfim, consumir.

Exatamente o oposto da aposta de Trump e Bolsonaro.

CEOs observam primeiro teste de Biden

Conforme o NYT, a aquisição da Simon & Schuster pode ser o primeiro grande teste antitruste do governo Biden.

Bertelsmann, a editora alemã, está supostamente perto de um acordo para comprar sua rival por mais de US$ 2 bilhões, derrotando a News Corp, de Rupert Murdoch.

Juntas, Bertelsmann e Simon & Schuster controlariam cerca de um terço do mercado de livros dos EUA, representando um potencial problema de competição.

Ajuda e menos incertezas sobre a Covid-19

Um dos maiores focos dos investidores em Wall Street nos últimos meses foi a possível ajuda que o governo federal deveria injetar na economia nesses tempos de pandemia.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, planeja colocar US$ 455 bilhões reclamados de empréstimos de emergência do Fed no fundo geral do departamento. Usá-lo exigiria a aprovação do Congresso, um obstáculo potencial para os planos de recuperação econômica do governo Biden.

E os mercados de ações atingem novos máximos à medida que a incerteza eleitoral diminui. As altas foram mais evidentes depois que a administração Trump iniciou formalmente o processo de transição e o presidente eleito Joe Biden escolheu a ex-chefe do Fed, Janet Yellen, para Secretária do Tesouro.

Covid: respostas mundo afora

Os CEOs olham, evidentemente, para a movimentação mundo afora.

A Grã-Bretanha e a França anunciaram medidas para afrouxar os bloqueios de circulação de pessoas antes dos feriados de dezembro, incluindo a reabertura de lojas e alguns encontros pessoais.

Nos EUA, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) está considerando encurtar as diretrizes de quarentena de 14 para 7 ou 10 dias.

A verdade é que a humanidade vai aprendendo a lidar com a Covid – como tratá-la, como salvar vidas e como evitá-la (máscaras, higiene pessoal e nenhuma aglomeração).

Assim, é possível que os governos sejam menos restritivos e possam macular menos as economias locais.

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