Covid-19: milhões de brasileiros deixam de pagar contas e 80% podem perder emprego

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / O Liberal

Pesquisa do instituto Locomotiva aponta que 91 milhões de brasileiros deixaram de pagar em abril pelo menos uma das contas referentes ao consumo de março. As informações foram conseguidas com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo. “Como comparação”, informa o jornal, “no mês anterior, antes dos impactos da quarentena, eram 59 milhões (37%) com contas atrasadas – houve, portanto, um salto de 54% no período”.

“A covid19 chegou na reta final de uma crise econômica e encontrou uma população sem poupança”, afirma o presidente da Locomotiva, Renato Meirelles ao jornal paulista.

“Quanto menor a renda, maior o endividamento relacionado a contas mais simples, como água, luz, aluguel ou carnês. Nas classes A e B, os destaques ficam para o cartão de crédito e mensalidades escolares”, diz Meirelles.

Desemprego

O problema pode se agravar. Isso porque estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que 8 a cada 10 dos trabalhadores brasileiros podem perder o emprego ou a renda por causa da crise decorrente da pandemia do Covid-19.

Esses 80% de trabalhadores incluem também aqueles que possuem vínculo formal com o empregador e agora se tornam vulneráveis e não mais apenas os com baixa escolaridade e especialização.

O grupo mais frágil é o dos trabalhadores informais de atividades não-essenciais, um universo de 24 milhões, 25% da força de trabalho nacional, mas dependendo da força com que a pandemia vai atingir o país, e especialmente o tempo que ela vai perdurar, pode impactar todo e qualquer trabalhador.

Quanto mais rápido a sociedade conseguir controlar o alastramento do Covid-19, melhor.

Segundo matéria do site Poder 360, “nos setores considerados não essenciais, os mais atingidos são serviços domésticos (6,2 milhões de pessoas), beleza (2 milhões) e comércio de roupas, calçados e viagens (1,5 milhão de trabalhadores)”.

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“Já nos setores essenciais, os mais vulneráveis são construção de edifícios (3,7 milhões), bares e restaurantes (2,5 milhões) e comércios de alimentos, bebidas e fumo (2,4 milhões)”, escreve o site.

Crise do Covid-19 leva ao endividamento

De acordo com a pesquisa do instituto Locomotiva, obtida pelo Estadão, “cada brasileiro, em média, deixou de pagar quatro contas, sendo que as consideradas não essenciais estão entre as mais frequentes, como carnês ou crediários de lojas (renegadas por 46% dos entrevistados) e empréstimos com instituições financeiras (descartados por 36%)”.

O cartão de crédito e o cheque especial são as mais renegadas por brasileiros: 37% deles deixaram de pagar, o que pode agravar ainda mais a situação do devedor, já que são duas dívidas com juros muito altos.

Na opinião de Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria Integrada ouvida pelo jornal paulista, a pesquisa da Locomotiva surpreende: “a gente esperava por esse salto no endividamento, mas ao longo do ano, não tão rapidamente. Com os bancos, nós voltamos hoje aos níveis de inadimplência de 2017. Como esperamos um (índice de) desemprego de 14,5% neste ano, e uma melhora pequena no ano que vem, projetamos que a massa de endividamento deva voltar aos patamares de 2019 apenas em 2022”.

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