Covid-19: gestão de ativos judiciais é alternativa para levantar recursos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / Pro Solutti

A pandemia do novo coronavírus paralisou o mundo, com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que os governos implantem o máximo possível de distanciamento social, com atividades consideradas não essenciais paradas.

O grande desafio da administração pública de cada país é equilibrar o esforço para salvar vidas com o mínimo impacto na economia.

Nesse sentido, Rodrigo Valverde, sócio da Pro Solutti Capital, escrevendo para o jornal O Estado de S. Paulo, compreende que a única arma disponível para impedir a maior disseminação do Covid-19 é mesmo o isolamento social

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Mas ele questiona, em coro com a maioria dos economistas: “Sobreviveremos ao coronavírus, mas resta a dúvida: e a recessão a seguir?”

“Com o comércio fechado em decorrência da quarentena decretada por estados e municípios, muitas empresas passarão a ter faturamento nulo e as contas continuarão chegando”, prossegue.

“A falta de liquidez pode trazer consequências muito danosas à economia e à sociedade em geral. Quem irá comprar um apartamento agora? Quem irá comprar o carro que você colocou à venda?”

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Ativos judiciais

O cenário de incertezas, que vai se agravar após a passagem da pandemia – sem se ter exatamente uma noção de quando isso vai de fato ocorrer – faz Valverde ressaltar os ativos judiciais.

“Existem pessoas físicas e jurídicas que possuem ativos judiciais que, em decorrência da suspensão das atividades do Poder Judiciário, irão esperar ainda mais tempo para receber esses valores. Neste contexto, o mercado de gestão de ativos judiciais tem sido cada vez mais procurado como uma alternativa para levantar recursos no mercado e para livrar do ativo judicial”, escreveu.

E argumentou que, “enquanto a concessão de crédito cai neste momento conturbado com os bancos elevando taxas e as condições mais rígidas para a liberação do dinheiro, o olhar do gestor para passivos judiciais pode auxiliar no processo de superação desta crise”.

Covid-19 avança

Ainda não há um horizonte de quando o país vai conseguir relaxar de vez as medidas restritivas de circulação de pessoas. O Brasil não atingiu o pico e ainda teste muito pouco.

Mesmo com tão poucos testes em comparação a outros países, o Brasil tem mais de 40 mil infectados com Covid-19 e mais de 2.500 mortos. Quanto mais se testa, mais se tem uma dimensão da crise.

Entretanto, esse quadro de dúvidas vai prolongar ainda mais a duração da crise em território nacional.

Assim, escreveu Valverde, a “sociedade necessita cada vez mais de fontes de financiamento e formas para levantar recursos no mercado, as lawtechs estão olhando não somente os casos mais vultosos como também os processos com valores mais baixos. O objetivo é justamente atender a população que mais precisa. Além disso, sensibilizadas e mesmo comprometendo seus caixas, estas empresas estão dispostas a buscar alternativas empresariais que apoiem a população”.

“Alternativa é a palavra da vez e continuará sendo por um bom tempo. Seja para passar por esse período, seja para florescer a economia da nação depois”, concluiu.

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