Covid-19 aparece novamente em pacientes que já tiveram recuperação comprovada

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1º de março mostram que 42.606 pessoas se encontram recuperadas da infecção pelo Covid-19, nome dado para o novo coronavírus que está assustando o mundo. Entretanto, alguns casos têm causado preocupação na comunidade médica internacional: pessoas estão sendo infectadas novamente.

Isso sugere que ou o vírus é mais resistente do que se imagina, ou ele tem um grau inesperado de mutação. Os médicos se preocupam com a situação que poderia dificultar a erradicação da epidemia.

Segundo a Reuters, “na quarta-feira (26), o governo da província japonesa de Osaka disse que uma mulher que trabalha como guia de ônibus de turismo havia testado positivo para o coronavírus pela segunda vez. O fato ocorreu após relatos na China de que pacientes que receberam alta em todo o país estavam testando positivo após deixarem o hospital”.

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Especialistas dizem que há várias maneiras que levam os pacientes que receberam alta a adoecer novamente com o mesmo vírus. Os pacientes convalescentes podem não acumular anticorpos suficientes para desenvolver imunidade ao SARS-CoV-2 e estão sendo infectados novamente. O vírus também pode ser “bifásico”, o que significa que permanece adormecido antes de provocar novos sintomas.

Qualquer que seja a resposta, o certo é que a comunidade médica ainda precisa aprender muito sobre o Covid-19.

Sem resposta

Alguns dos primeiros casos de de nova infecção na China foram atribuídos a discrepâncias nos exames. Mas isso não é a resposta que os cientistas querem ouvir. Erros humanos ou laboratoriais explicam caos isolados e não o comportamento do vírus.

Ainda segundo a Reuters, “em 21 de fevereiro, um paciente que recebeu alta na cidade de Chengdu, no sudoeste da China, foi readmitido 10 dias após a alta quando um teste de acompanhamento deu positivo”.

“Lei Xuezhong, vice-diretor do centro de doenças infecciosas do West China Hospital, disse ao jornal People’s Daily que os hospitais estavam realizando exames com amostras de nariz e garganta ao decidir se os pacientes deveriam receber alta, mas novos testes estavam apontando o vírus no trato respiratório inferior”, explica a matéria.

A paciente de Osaka recebeu resultado positivo no final de janeiro e teve alta do hospital pouco depois, no primeiro dia de fevereiro, levando alguns especialistas a especularem que era bifásico, como o antraz.

“Um estudo do Journal of American Medical Association de quatro profissionais da área médica infectados tratados em Wuhan, o epicentro da epidemia, informou que é provável que alguns pacientes recuperados continuem sendo portadores mesmo após cumprir os critérios de alta”, explica a Reuters.

Na China, por exemplo, os pacientes precisam ter resultados negativos, não apresentar sintomas e não apresentar anormalidades nos raios X antes de receberem alta.

Não há resposta certa ainda. Não está claro se os pacientes foram reinfetados ou se permaneceram “persistentemente positivos” após o desaparecimento dos sintomas do Covid-19.

Song Tie, vice-diretor do centro de controle de doenças da província de Guangdong, no sul da China, disse à Reuters que “14% dos pacientes que receberam alta na província tiveram teste positivo novamente e voltaram aos hospitais para observação”.

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