Covid-19: aéreas europeias são afetadas pela epidemia do vírus que se alastra pelo continente

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / KLM

As companhias aéreas europeias estão reduzindo drasticamente seu alcance de atuação por causa do alastramento acelerado do Covid-19 no continente. Um mês depois de suspenderem grande parte dos voos com destino à China continental, país epicentro da epidemia, agora as companhias europeia enfrentam o surto dentro de casa, especialmente na Itália.

As aéreas estão reduzindo horários de voo e aplicando medidas de economia. Uma delas é low cost britânica EasyJet, que anunciou o cancelamento de voos num montante que pode chegar a 500, entre 13 e 31 de março, a maioria tendo a Itália como origem e destino.

As informações são da agência de notícias AFP.

“Estes aproximadamente 500 voos representam 11% do volume de voos para e da Itália, para o mês de março”, informou um porta-voz da empresa à AFP. Representa ainda “um pequeno percentual” do número de voos totais da companhia.

Itália mais afetada pelo Covid-19

A Itália é o país europeu mais afetado pelo novo coronavírus, conhecido como Covid-19. São 889 casos confirmados, até o sábado (29), 9h, com 21 mortes. Até autoridades como o governador da Lombardia, Attilio Fontana, precisará ficar em quarentena nas próximas duas semanas após uma de suas funcionárias ter dado positivo.

Nesse cenário, o International Airlines Group (IAG), proprietário de várias companhias importantes, como a Iberia e a British Airways, anunciou ter cancelado seus voos a Milão e reduzirá seus serviços à Itália nos próximos dias.

O mesmo caminho está sendo seguido pela British Airways, que opera dez voos diários a Milão a partir de Londres.

Já a Air France está fazendo um “sutil ajuste no horário” de alguns voos para Milão, Bolonha e Veneza “reagrupados”, disse um representante da companhia à AFP. “Um dos cinco voos diários entre Paris e Veneza, por exemplo, foi cancelado e os passageiros foram transferidos a outros aviões. No entanto, ‘não há nenhuma outra decisão’ para além deste fim de semana”, informou a fonte à agência de notícias.

A Brussels Airlines informou que reduzirá em 30% seus voos a Milão, Roma, Veneza e Bolonha nas próximas duas semanas, até 14 de março. A companhia aérea belga “observa uma tendência geral negativa nas reservas em quase todos os mercados europeus, mas o norte da Itália é o mais afetado”, segundo comunicado.

Por fim, a AFP informa que “a companhia húngara de baixo custo Wizz Air, que tem uma forte presença na Polônia, está reduzindo em cerca de 60% seus voos para a Itália a partir de Varsóvia e outras cinco cidades polonesas ‘em vista da diminuição do interesse para este destino'”.

Contra o tempo

Apesar das autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) terem elevado o risco de pandemia para “muito alto”, o maior possível dentro da organização, ainda se crê que até o final de março o problema estará estabilizado em todo o mundo. Essa é a projeção mais otimista.

Mas as companhias devem se precaver para um cenário pior: o verão. Se o surto se estender até a estação quente, que começa em junho, o prejuízo já sentido agora, no inverno, poderá ser pior. É justamente quando as aéreas têm seu melhor sazonal. As ações das empresas foram afetadas nos mercados financeiros e todas elas buscam, antecipadamente ao cenário pessimista, reduzir seus custos.

“Assim, nesta sexta”, informa a AFP, “a Easyjet anunciou o congelamento das contratações, dos salários e das promoções, uma redução dos gastos administrativos e uma ‘oferta de dispensas não remuneradas’ a seus funcionários”. A alemã Lufthansa seguiu a mesma trilha.

A IAG parou de emitir prognósticos dos resultados financeiros para 2020 por causa da epidemia.

A Finnair, maior companhia aérea da Finlândia advertiu, através do seu CEO, Topi Manner, “que o resultado operacional da companhia em 2020 será ‘significativamente menor’ do que o do ano anterior. Embora neste momento o impacto seja ‘limitado’, ‘vemos um efeito negativo na demanda’, admitiu em um comunicado.

“É difícil prever como a situação se desenvolverá nos próximos meses”, ressaltou.

A KLM e a Air France também estão reduzindo custos. A perda de receitas com a suspensão dos voos para a China de fevereiro a abril ficou entre 150 e 200 milhões de euros.

“A temporada de verão na Europa poderia desaparecer se a situação se deteriorar na Itália e vemos, por exemplo, um aumento dos casos na França. Já estamos vendo que as empresas estão restringindo as viagens de negócios para proteger seus funcionários”, afirma Neil Wilson, analista da Markets.com, à AFP.

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