Grupo Cosan (CSAN3) fortalece caixa diante da crise

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

Nas últimas semanas, tivemos um noticiário corporativo movimentado, como muitas emissões de dívida e empréstimos bancários. Sob esse contexto, o Grupo Cosan (CSAN3) está reforçando o caixa com aproximadamente R$ 7 bilhões, conforme informou o jornal Valor.

De acordo com a companhia, já foram captados R$ 5 bilhões e mais R$ 2 bilhões estão sendo obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A obtenção de recursos para reforçar o caixa foi motivado pela crise do novo coronavírus e seus impactos ainda incertos sobre a atividade econômica mundial.

O Grupo Cosan também informou que existirá oportunidades de crescimento orgânico e fusão ou aquisição pós-pandemia.

Para o presidente da Cosan, Luis Henrique Guimarães, algumas empresas não sobreviverão ou sairão muito debilitadas da crise, entretanto, é cedo para citar qualquer oportunidade.

Mas lembrou que o grupo possui a capacidade de firmar parcerias e gerar valor sem a necessidade de ter o ativo”. “Essa deve ser uma característica muito forte no nosso futuro.”

Segundo o vice-presidente de Finanças da Cosan, Marcelo Martins, quase todas as empresas do grupo aumentaram suas disponibilidades, exceto a Cosan, que já tinha um caixa forte.

O executivo disse que os recursos captados serão destinados ao refinanciamento de dívidas com vencimento em 2020. Atualmente, o caixa consolidado do grupo ultrapassa a cifra de R$ 17 bilhões.

Moove

De acordo com reportagem do Valor, diante da redução pela metade do volume de vendas da Moove, a produção foi desacelerada para evitar o acúmulo exagerado de estoques e aliviar a pressão no capital de giro.

O presidente da Cosan salientou uma das vantagens competitivas da Moove, que diferentemente das concorrentes, os estoques ficam armazenados na companhia e não na distribuição. Dessa forma, quando a demanda voltar, sua recuperação deve ser mais rápida.

Raízen

A Raízen Combustíveis observou diminuição das vendas, principalmente em grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro. “Mas temos visto um pequeno aumento na demanda nos últimos dias, com o afrouxamento do isolamento em alguns Estados e as pessoas saindo um pouco mais de casa”, disse o executivo.

Segundo reportagem do Valor, o diesel teve retração de 15% e o combustível de avião caiu 80% devido ao cancelamento da maioria dos voos.

De acordo com Guimarães, a Raízen tem prestado auxílio à todos os revendedores. No entanto, apenas as revendas mais capitalizadas, com as melhores localizações e que foram mais rápidas no ajuste de custos são as que terão maiores chances de sobreviver. As menos eficientes  correm mais riscos de continuar operando pós-pandemia.

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Comgás (CGAS5)

A pandemia do coronavírus provocou redução nas vendas da Comgás para o comércio e indústria. Mas a companhia espera que a queda seja compensada pelo aumento de 9% nas vendas de gás para residências.

Segundo Guimarães, o segmento vem ganhando relevância nos últimos anos e já representa aproximadamente 35% das margens da companhia.

A maior preocupação da Comgás são os pagamentos e contas a receber, que devem ser impactos, pela decisão do governo de São Paulo de suspender por 30 dias cortes no abastecimento de determinados clientes.

De acordo com o Valor, a companhia tem monitorado a questão dos pagamentos mas não prevê um impacto relevante. Também não espera ter dificuldades para cumprir com o plano regulatório.

Com a retomada da atividade econômica, a companhia acredita numa elevação das conexões residenciais por parte de consumidores que tiveram dificuldades com o desabastecimento de GLP

A companhia teve que postergar alguns de seus planos, como os que envolvem geração térmica a gás, já que os leilões do governo foram adiados por tempo indeterminado. No entanto a Comgás acredita no mercado de gás e têm planos de longo prazo para o setor.

Rumo Logística (RAIL3)

A Rumo foi o negócio menos impactado pela pandemia de coronavírus. Isso porque a companhia trabalha no transporte de grãos e fertilizantes e tem atuado próximo da sua capacidade máxima.

Segundo o Valor, a companhia deverá concluir no próximo mês a expansão do terminal ferroviário em Rondonópolis (MT).

O presidente do grupo ainda informou que a Rumo possui caixa suficiente para realizar seus investimentos. Em relação a Malha Paulista, que foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), o Guimarães respondeu que trata-se de questão de “governança no governo”. “É uma questão entre TCU e ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres]”, finalizou.

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