Ata do Copom: novo corte da Selic, se houver, será pequeno; fiscal preocupa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central publicou nesta terça-feira (11) a ata de sua última reunião, quando optou por unanimidade pelo corte da taxa básica de juros, Selic, de 2,25% para 2%.

Na ata, o Comitê confirma a interpretação dada pelo mercado do comunicado publicado após a decisão do corte: o Copom deve manter a Selic em 2% até o final do ano. Novo corte, se houver, será pequeno.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, afirma o Comitê na ata.

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Tudo dependerá de dois fatores: equilíbrio fiscal e controle da inflação. O Comitê considerou necessário condicionar sua intenção para a política de juros à manutenção do regime fiscal. “Já que sua ruptura implicaria alterações significativas para a taxa de juros estrutural da economia”, diz. E também à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo. “Tendo em vista que a desancoragem indicaria que os custos derivados do estímulo monetário estariam se sobrepondo a seus benefícios”. Atualmente, o Banco Central trabalha com meta de inflação a 4% para este ano.

“Eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal. Assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”, reafirma.

Copom: cenário permanece desafiador

Na ata, o Copom avalia que o cenário é desafiador, especialmente para países emergentes. E que o Brasil recuperou apenas parcialmente até aqui as perdas decorrentes das medidas de isolamento social devido à pandemia.

“A pandemia da Covid-19 continua provocando a maior retração econômica global desde a Grande Depressão (1929). Nesse contexto, apesar de alguns sinais promissores de retomada da atividade nas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador”.

O Copom ressalta a imprevisibilidade da evolução do vírus, que aumenta a insegurança econômica. E afirma que a provável retirada ou redução do auxílio emergencial do governo à população tende a impactar o consumo. E, consequentemente, ter reflexos na inflação.