Correios entram em greve em protesto contra privatização e afetam comércio varejista online

Matheus Leal
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução

Funcionários são contra privatização e reclamam do reajuste salarial abaixo da inflação

Os funcionários dos Correios anunciaram na noite dessa terça-feira (10) greve por tempo indeterminado. A Findect, Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios, alega que a paralisação é um protesto contra a privatização da estatal e o irrisório ajuste salarial abaixo da inflação.

“A decisão foi uma exigência para defender os direitos conquistados em anos de lutas, os salários, os empregos, a estatal pública e o sustento da família”, informam os sindicatos.

Apesar da conta oficial dos Correios no Twitter afirmar que a paralisação parcial não irá afetar a população, o que se mostra em menos de 24 horas do anúncio da greve é justamente o contrário. Com quase 80% das agências fechadas, grande parte dos varejistas online irão ter atrasos consideráveis em suas entregas, refletindo assim no prazo final e na chegada do produto ao consumir.

Os Correios são utilizados por quase 90% das lojas virtuais do país, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. O Mercado Livre, por exemplo, que tem parceria com a EFC, Empresa Brasileira de Correios, já mostra um anúncio em suas vendas e um pedido de desculpas por possíveis atrasos.

Quem também será afetada é a Amazon. A empresa americana, que anunciou a chegada do seu serviço prime ao Brasil nessa semana, não possui uma empresa de operação no país, como acontece nos Estados Unidos. Assim, utiliza, na maioria das vezes, os Correios.

Os funcionários da estatal reclamam do ajuste salarial de apenas 0,8%, bem abaixo dos 3,1% de inflação acumulada. Além disso, são contra à possível privatização da empresa. Essa, porém, mesmo cogitada, ainda precisa de estudos do BNDES e, logo após, iria à votação no Congresso. Em comunicado, os Correios afirmam que “sua real situação econômica e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões”. Entretanto, a empresa fechou no azul em 2017 e 2018.

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