Coronavoucher: Ipea aponta que 18% dos brasileiros que receberão auxílio “são invisíveis”

Paulo Amaral
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Crédito: Twitter

O auxílio-emergencial de R$ 600 sancionado pelo Governo Federal e apelidado de coronavoucher poderá beneficiar 59,2 milhões de brasileiros, segundo cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Destes 59,2 milhões, no entanto, aproximadamente 10,9 milhões de possíveis beneficiários ainda estão “invisíveis” aos olhos do Poder Público.

Isso significa que essa larga parcela da população não consta da larga base de dados do Governo Federal, o Cadastro Único.

Em nota oficial divulgada para a imprensa e publicada pela Agência Brasil, os técnicos do Ipea admitiram que a tarefa de localizar quase 11 milhões de beneficiários não será fácil.

Três cenários possíveis

O instituto divulgou um estudo que prevê três cenários envolvendo o agora popular coronavoucher. O primeiro deles aponta que nenhum dos quase 11 milhões de cidadãos que permanecem “invisíveis” seja localizado.

Neste caso, o auxílio de R$ 600 alcançaria 27,6 milhões de famílias e somaria um total de R$ 80,1 bilhões em investimentos.

O cenário intermediário aponta que metade das pessoas não cadastradas seja encontrada. O total de famílias ajudadas pularia para 32,5 milhões e os custos com o auxílio passariam para R$ 90,1 bilhões.

No cenário ideal, o mais otimista possível, todos os potenciais beneficiários receberiam o auxílio.

Desta forma, as famílias contempladas chegariam a 36,4 milhões e o investimento no coronavoucher seria de R$ 99,6 bilhões.

Em entrevista à Agência Brasil, Pedro Herculano Ferreira de Souza, coordenador de Estudos e Pesquisas de Gestão de Informações e de Estudos sobre Pobreza e Desigualdade, fez um alerta.

Segundo ele, nenhum programa consegue alcançar 100% dos beneficiários. Mesmo assim, destacou a importância do esforço para se localizar a maior parte dos “invisíveis”;

“Isso é mais importante agora do que minimizar o erro de inclusão, isto é, a inclusão indevida de pessoas”.

De acordo com o estudo do Ipea, aproximadamente 30% dos elegíveis para receber o coronavoucher fazem parte do Bolsa Família. Nesse caso, o auxílio substituirá o benefício regular do programa nas situações em que for mais vantajoso.

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