Coronavírus vs. SARS: especialistas em saúde sobre as principais diferenças entre os dois surtos

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.

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Segundo especialistas da área da saúde, ainda que a propagação do coronavírus seja “mais infecciosa”, ele é menos grave que a epidemia de SARS (sigla em português para Síndrome Respiratória Aguda Grave).

A comparação entre as duas epidemias é relacionada ao impacto econômico que elas tiveram. Os economistas querem compreender como surtos epidêmicos afetam o mercado.

De acordo com o Peter Piot, professor de saúde global e diretor London School of Hygiene and Tropical Medicine, a taxa de mortalidade do coronavírus é menor se comparada ao surto de SARS, em 2003.  Mas, se 1 milhão de pessoas forem infectadas pelo coronavírus –  o que não é impossível – uma taxa de 1% a 2% representaria um número entre de 10 mil até 20 mil mortos, afirma Piot.

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Na última terça-feira (28), autoridades da saúde da China confirmaram que o surto de coronavírus infectou 4,515 pessoas, com 106 mortes confirmadas. Isto significa que o vírus matou um pouco mais de 2% dos infectados.

Coronavírus x SARS

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, a maioria dos pacientes que foram a óbito devido ao coronavírus tiveram problemas de saúde concomitantemente à infecção – como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares – uma vez que o seu sistema imunológico ficou enfraquecido.

A OMC rejeitou em duas reuniões de emergência na última semana a declarar a epidemia do coronavírus como uma emergência de saúde global, mas a agência de saúde das Nações Unidas (ONU) afirmaram que a situação da China é uma emergência.

O coronavírus é de uma família de vírus que, geralmente, atinge os animais. No entanto, o vírus pode evoluir e contaminar os seres humanos também.

Os sintomas das pessoas infectadas são de febre, tosse e falta de ar que pode evoluir para uma pneumonia. Os médicos comparam a infecção com coronavírus com o surto de SARS durante o período de incubação do vírus que varia de dois até sete dias.

Durante o período de infecção do SARS (2002-2003), foram registrados 8.098 casos e 774 mortes, segundo os dados da OMC. Desta forma, o SARS matou uma em cada dez pessoas infectadas.

Na semana passada, o ex-comissário da FDA afirmou que o surto de coronavírus foi identificado, primeiramente, na cidade de Wuhan, na China. Além disso, ele declarou que a epidemia parece ser mais infecciosa, embora menos letal.

Qual é o seu impacto econômico?

O surto de SARS contribuiu para uma queda no mercado mundial no início de 2003, mas logo se recuperou assim que a epidemia foi contida. O S&P 500, índice composto por quinhentos ativos cotados nas bolsas de NYSE ou NASDAQ, caiu, aproximadamente, 10% desde o início do ano até meados de março, mas terminou em mais de 26% durante todo o ano.

Claramente, as condições do mercado em 2003 são diferentes das de 2020, com as ações ainda em um nível mais baixo após a bolha tecnológica. A epidemia de SARS também foi acompanhada por outro fator relevante para os mercados financeiros em 2003, a invasão dos EUA no Iraque em março.

Na última segunda-feira (27), as bolsas de valores em todo o mundo caíram acentuadamente em meio à intensificação da preocupação com o impacto econômico do coronavírus. Em Wall Street, a média industrial da Dow Jones registrou sua maior queda em um dia desde outubro.

“A maior diferença é que hoje há muito mais transparência e troca de informações porque, na China, houve omissões de informações no início – esse não é mais o caso”, afirma Piot. Ele ainda relata que há uma rede de laboratórios e vigilância de doenças foi criada nos últimos anos, em que há maiores investimentos nos países pobres, “mas não é suficiente”.

O coronavírus será declarado como uma emergência de saúde mundial?

Diversos casos do coronavírus foram confirmados na Tailândia, Vietnã, Coréia do Sul, Malásia, Japão, Austrália, França e Estados Unidos. Além da Alemanha, Camboja e Sri Lanka que confirmaram seus primeiros casos do vírus nesta segunda-feira (27).

“É uma emergência de saúde mundial. Não há dúvida quando se considera que em um dia, como ontem, o número de novos casos dobraram da noite para o dia e agora há mais de 100 mortes e com cada vez mais países apresentando novos casos ”, disse Piot.

Ao ser perguntado se a OMS poderia declarar uma emergência oficial de saúde pública de interesse internacional nos próximos dias, Christian Lindmeier, porta-voz da OMS em Genebra, respondeu: “Estamos analisando uma reavaliação muito em breve”.

“Uma emergência de saúde pública de interesse internacional, quando é declarada, muitas vezes desencadeia um sinal político”, disse Lindmeier, antes de acrescentar: “Mostra aos líderes mundiais que a cooperação internacional agora é necessária”.