Coronavírus surgiu em cidade chinesa em dezembro, atingiu 300 pessoas e matou seis delas

Omar Salles
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Crédito: Varidade de coronavírus não letal a humanos identificada no Estado de são Paulo - Crédito - divulgação - Governo do Estado de São Paulo

Especialistas de saúde, políticas públicas e dos mercados tentam compreender como um coronavírus está se espalhando pela China desde a semana passada. Até agora, a doença, que tem sintomas como tosse, febre e dificuldades respiratórias gaves, matou seis pessoas e atingiu mais de 300. A grande maioria dos casos está concentrada na cidade de Wuhan, com 11 milhões de habitantes e capital da província de Hubei, na China. Alguns casos foram registrados na Tailândia, Taiwan, Vietnã e Japão.  Os Estados Unidos tiveram o primeiro caso confirmado hoje.

Segundo o Centro Nacional de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), o primeiro caso de coronavírus de Wuhan foi confirmado hoje nos Estados Unidos. Trata-se de um homem que viajou recentemente da China para o Estado de Washington, na Costa Oeste.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o novo vírus tem potencial para atingir outros países além da China. Na terça-feira (21) as notícias de que o vírus se espalhava pela China causaram pânico nas bolsas de valores de Xangai e Hong Kong, com investidores estrangeiros vendendo ações. A bolsa de valores de Hong Kong fechou em queda de 2,81% no índice HSI.

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O vírus apareceu em forma letal em dezembro e foi identificado pelo médico e cientista Leo Poon, que fez o sequenciamento genético do organismo em Hong Kong. Poon  diz que é muito possível que o vírus tenha se originado em um animal e contaminado uma pessoa. “O que nós sabemos é que o vírus causa pneumonia e então não responde ao tratamento com antibióticos, o que não é surpresa. Contudo, em termos de mortalidade, a SARS é bem mais letal, matando 10% dos pacientes, enquanto o coronavírus parece levar 1% dos pacientes ao óbito’, disse Poon, que é virologista na Universidade de Hong Kong, à emissora CNN.

A Síndrome Respiratória Aguda (SARS, na sigla em inglês) foi uma epidemia que também se originou na China, no final de 2002, e matou mais de 700 pessoas nos meses seguintes, em vários países. Não existe vacina contra viroses, embora existam vacinas contra vírus das gripes. Cachorros e gatos domésticos podem pegar o vírus da SARS e o coronavírus, mas não passam a doença para humanos.

O doutor Poon diz que a transmissão originária de um animal para humano pode caracterizar o coronavírus como uma zoonose. Segundo ele, o coronavírus é muito comum em vários animais. Não se sabe o que detonou um processo letal no coronavírus transmitido para uma pessoa na cidade chinesa de Wuhan.

“Até agora apenas seis pessoas morreram e a maioria tinha o estado de saúde frágil antes de apanhar a gripe. Muitos pacientes mostraram sintomas relativamente fracos”, diz Gareth Leather, economista-sênior da Capital Economics.

Em entrevista à emissora CNBC dos Estados Unidos, Leather lembra que a SARS matou mais de 700 pessoas entre o final de 2002 e começo de 2003, a maioria também na China, onde a doença se originou.

“Embora as autoridades tenham sido lentas ao dar uma resposta no começo do surto, agora elas estão muito mais informadas sobre a propagação do vírus e pró-ativas em contê-lo. As pessoas que estão em Wuhan e apresentam sintomas têm evitado embarcar nos trens, ônibus e aviões, enquanto os outros países estão tomando precauções e isolando pessoas suspeitas de terem o vírus e que chegam da China”, comenta Leather, reparando que existe um forte contraste com a epidemia da SARS em 2002-03, quando o governo chinês demorou semanas para revelar o que acontecia e não foram tomadas precauções.

A emissora CNN deslocou ontem uma repórter ao mercado público em Wuhan onde se acredita que a doença tenha se originado. Os especialistas chineses, que na segunda-feira disseram que o vírus se propaga de pessoa para pessoa, dizem que no início o vírus se propagou de um alimento – peixe, crustáceo ou carne – para uma pessoa. A matéria da CNN mostrou que o mercado de Wuhan tem condições muito precárias de higiene, com muitos trabalhadores que manuseiam carnes sem o uso de luvas de plástico e toucas. Além disto, centenas de animais vivos convivem perto de animais mortos, como em qualquer mercado chinês.