Coronavírus: perdas no turismo devem somar R$ 116,7 bi até 2021, diz FGV

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site I love trip

As perdas econômicas do turismo brasileiro, devido ao impacto econômico decorrente da pandemia global causada pelo novo coronavírus, deverão totalizar R$ 116,7 bilhões no biênio 2020-2021.

Essa cifra corresponde a 21,25% da atividade total do período.

É o que diz o estudo intitulado Impacto Econômico do Covid-19 – Propostas para o Turismo Brasileiro abril 2020, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV),

PIB encolhe

Também o PIB da atividade encolherá 38,9% em relação ao ano passado, chegando esse ano a um montante de R$ 165,5 bilhões, e a R$ 259,4 bilhões em 2021 – resultado ainda inferior, em 4,2%, ao de 2019.

O estudo da FGV projeta uma lenta recuperação da atividades para os próximos 12 meses, que serão marcados pelas fases de reequilíbrio dos negócios até a estabilização da atividade.

Prazo dilatado

Esse prazo se estende para 18 meses, no caso do turismo internacional.

Previsão difícil

Responsável por 3,71% do PIB (3% dos empregos do país), a atividade turística, acentua o trabalho, terá de crescer, em  média, 16,5% ao ano em 2022 e 2023, o que corresponderia a um PIB setorial de R$ 303 bilhões e R$ 355 bilhões, respectivamente.

Reação diferenciada

Essa é uma expectativa considerada pouco factível por analistas, uma vez que cada segmento turístico terá uma reação diferenciada frente ao impacto da crise pandêmica. Mas a realidade é bem diferente dessa expectativa otimista.

Salvar empregos

Entre as medidas consideradas urgentes – a fim de “evitar que o impacto não seja, ainda mais significativo, de forma a reduzir a pressão operacional e salvar empregos – a FGV elencou as seguintes:

  • Auxílios públicos serão essenciais para manter o setor vivo, urge a disponibilização de crédito para o setor, principalmente o setor aéreo, que é o coração da atividade.
  • Reequilíbrio dos contratos de concessão (aeroportos, centros de eventos e atrativos turísticos) precisam ser considerados com urgência para dar segurança aos empreendedores e tempo para a recuperação dos negócios.
  • As micro e pequenas empresas precisam de uma atenção especial, crédito facilitado e subsidiado para manter suas atividades, diferimento de tributos e flexibilização dos contratos de trabalho de forma a manter no médio prazo a massa salarial do setor.
  • Redirecionamento dos recursos e esforços para a promoção do turismo doméstico. O crescimento econômico do setor de turismo está fortemente atrelado à promoção dos destinos.
  • A crise trouxe a necessidade de revisão dos planos que estavam em andamento e replanejamento dos modelos de comunicação com os consumidores. O turismo internacional levará ainda mais tempo para retomar. Recursos devem ser disponibilizados para viabilização de eventos coorporativos e de lazer no mercado doméstico.
  • Crédito ao consumidor com condições atrativas. No período de retomada, as finanças familiares e das empresas do setor estarão combalidas. Será necessário um esforço de crédito especial as operadoras de turismo e consumidores de forma viabilizar a estada de lazer no Brasil. Ressalta-se ainda que o período de férias escolares deverá sofrer adaptação diminuindo

Situação dramática

Forte empregador de todas as faixas de renda – em especial, aquela que possui mão-de-obra não especializada – o setor turismo de viagens é o que apresenta situação mais dramática, da retração súbita dos negócios.

Incógnita torturante

A grande incógnita que persiste, nas análises de mercado, é o tempo de duração das medidas de contenção social ou se haverá novas ondas de contágio.

Contagem regressiva

Dessa “resposta do milhão” depende a sobrevivência da atividade. Quanto mais tempo durar o lockout, mais danos trará ao setor, com falência de empresas e grandes cortes de empregos.

Desemprego em alta

A decorrente expansão do desemprego será outro fator de retração econômica do setor, pois este não poderá mais oferecer a mesma gama de produtos e serviços de antes da crise.

Confiança é preciso

Ao mesmo tempo, a demanda por turismo deverá ser fraca, em que “a predisposição para gastos em viagens ainda estará condicionada a uma maior confiança na segurança sanitária do destino a ser visitado”.

Receitas minguam

O estudo da FGV também focaliza a questão das receitas fiscais, que deverão ser duramente atingidas, nas já debilitadas finanças públicas brasileiras.

Delivery salvador

Uma das poucas exceções é o setor de restaurantes, que encontraram no delivery (serviços de entrega) a solução salvadora da atividade, que investe agora em promoções de consumo futuro.

Já o de transporte aéreo e aluguel de bens móveis (automóveis) poderão se recuperar de forma consistente, à medida que a demanda se normalize, em especial, com o retorno da viagem de negócios.

Mais tempo demandarão as agências e organizadoras de viagem para se recuperarem das perdas.

Restrição afeta 3 bi

Análise apresentada pelo Pew Research Center indica que 93% da população mundial vive em países onde foi determinada alguma medida de restrição de viagem.

A conclusão é de que a crise afetou cerca de 3 bilhões de pessoas, que moram em países que fecharam inteiramente suas fronteiras.

Para a retomada consistente da economia, o trabalho da fundação destaca alguns fatores condicionantes à uma performance positiva.

São eles “o sucesso das medidas de isolamento social; pesquisas em relação a um tratamento efetivo da doença; descoberta de uma vacina; saber o número real de vítimas e uma política que mitigue efeitos da crise.

Hora do ‘pires na mão’

O estudo da FGV lembra que, mesmo sendo um setor “essencialmente privado”, o turismo vai precisar, e muito, dos recursos públicos para se soerguer, “tanto para geração de empregos quanto de divisas ao país”.

Para dar uma ideia do porte do setor turístico, o estudo da FGV revela que o país saiu de um patamar de 4,1 milhões para 6 milhões em poucos anos.

Socorro financeiro

Além dos repasses e socorros financeiros previsíveis na atual situação, o estudo considera oportuno avaliar a necessidade de disponibilização de empréstimos de longo prazo.

Pretende-se, assim, preservar toda a cadeia produtiva, os empregos e a liquidez das empresas.

São consideradas, pelo IBGE, atividades relacionadas ao turismo e participação setorial:

» Hotéis e Pousadas (7,14%);

» Bares e Restaurantes (37,45%);

» Transporte rodoviário (17,37%);

» Transporte aéreo (4,78%);

» Outros transportes e serviços auxiliares dos transportes (9,93%);

» Atividades de agências e organizadores de viagens (2,73%);

» Aluguel de bens móveis (2,67%);

» Atividades recreativas, culturais e desportivas (17,93%).

Paralisado desde meados de março último – com ‘direito’ a suspensão da produção, cancelamentos, remarcações de pacotes e renegociação de passagens já vendidas – o setor nutre a expectativa de que em maio próximo, quando a suspensão já completa três meses, “deva recomeçar a busca pelo reequilíbrio dos negócios”.

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Reação lenta

Reação lenta, é o que se espera do setor, cuja motivação inicial serão as chamadas ‘viagens essenciais’ ou visitas a parentes, após o surto da doença.

Num segundo instante, será a vez das viagens de lazer e trabalho, e, num terceiro momento, a volta dos eventos corporativos e culturais. Já o turismo internacional deverá ficar por último nessa projeção.

Produção magra

A previsão é de que a pandemia deverá provocar redução de até 11% na produção mensal da atividade, no comparativo com o ano de 2019.

‘Waiver’ de impostos

O ‘socorro financeiro’, de curto e médio prazos, poderia incluir uma espécie waiver (perdão) de impostos, definido como “condicionantes de suporte econômico”, voltada, tanto para pequenas como para grandes empresas turísticas.