Coronavírus no mundo: Europa começa a relaxar medidas restritivas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Europost

Este foi um final de semana diferente para os espanhóis, desde o início da crise do novo coronavírus. Pela primeira vez em quase dois meses, o governo autorizou as pessoas a saírem as ruas para correr, andar de bicicleta e caminhar um pouco. Crianças puderam brincar ao sol, mas apenas por uma hora.

Com o mundo ultrapassando os 3,5 milhões de casos confirmados e chegando a 250 mil mortos, o problema aparentemente parece estar diminuindo na Europa. Entretanto, o alívio é cauteloso. Governos que adotaram duras medidas de confinamento preocupam-se em ter que enfrentar uma segunda onda, caso o relaxamento tenha sido prematuro.

É a pior crise econômica global desde a Grande Depressão, em 1929, mas o quadro pode piorar com incertezas quanto ao grau de abertura que se pode aplicar nesse momento, especialmente na Europa.

Espanhóis de sobreaviso

O pico da crise na Espanha começou a ser identificado em 23 de março, com 6.328 novos casos em 24 horas. Embora alguns dias tenham sido mais tranquilos, em 24 de abril, o país identificou novos 6.740 infectados, para só então essa taxa cair para algo entre 2,5 mil e 3,7 mil.

O número de mortes que já chegou a 961 em 2 de abril nesse domingo (2) ficou em 164, o menor desde 18 de março (105 naquele dia).

A Espanha tem 247.122 casos confirmados e 25.264 mortos. É uma taxa bastante alta, de 10,22%.

São 148.558 pacientes recuperados e outros 73.300 ainda com a doença.

A proporção de testes é alta: 32.699 a cada 1 milhão de habitantes, totalizando 1,52 milhões de testes realizados.

Relaxamento na Itália

Após um bloqueio de dois meses na Itália, país que tem 28.884 mortos e que nesse domingo (3) noticiou o menor número de vítimas fatais, 174, desde 10 de março (naquele dia, foram 168 mortes), as pessoas na segunda-feira (4) poderão passear em parques e visitar parentes.

Os famosos restaurantes italianos poderão reabrir e lojas devem ver clientes, enfim.

São 210.717 italianos testados positivos. Destes, 81.654, ou 38,75%, se recuperaram. Há ainda mais de 100 mil com a doença no país, sem contar os assintomáticos.

O país testou muito, 35.622 a cada 1 milhão de habitantes (um total de 2,15 milhões de testes), e acredita que tenha capturado um quadro preciso do problema.

O pico ocorreu na última semana de março e parece ter ficado mesmo para trás. No auge, eram algo entre 5 mil er 6,5 mil novos casos todos os dias. Há uma semana, essa taxa ainda é alta, mas está entre 2 mil e 2,5 mil por dia.

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O problema norte-americano

Assim como em algumas partes do mundo, incluindo o Brasil, os Estados Unidos enfrentam protestos pela abertura do comércio.

Mas no país o caso é mais sério do que em qualquer outro lugar do mundo. São 1,17 milhões de testes positivos para o novo coronavírus, 68.088 mortos (o país com mais vítimas fatais), e apenas 174.764 recuperados, com quase 1 milhão de pacientes ainda doentes.

Os números são altos por vários motivos, entre eles a insistência em não fechar a economia e impedir a circulação de pessoas, mas também pelo número de testes alto, embora ainda insuficiente, dado a extesnão populacional. São 21.167 testes a cada 1 milhão de habitantes, totalizando 7 milhões de testes realizados, o maior número mundial.

Entretanto, só testes em massa não justificam os números que os EUA apresentam.

Desde 2 de abril, quando passou a barreira dos 30 mil casos confirmados em um só dia, raramente as estatísticas computaram menos de 25 mil novos casos. O país pode ter achatado a curva, mas num nível muito alto.

Desde 31 de março, todos os dias o país contou mais de 1 mil mortos por dia, com recorde de 2.683 em 21 de abril.

Aceleração do coronavírus na Rússia

Entre os Brics, a Rússia é o país que mais testa, e o Brasil é um dos que menos testa, proporcionalmente.

Os russos já realizaram 4,1 milhões de testes, numa taxa de 28.005 a cada 1 milhão de habitantes, enquanto o Brasil fez 339 mil, a uma taxa de 1.597 a cada 1 milhão de habitantes.

O resultado é que a Rússia vê o número de novos casos subir a passos largos. Nesse domingo (2), bateu seu recorde, com novos 10.633 novos infectados, embora, proporcionalmente, o número de mortos seja baixo, 1.280.

No resto da Europa

Na Hungria, algumas lojas e museus, espaços ao ar livre de restaurantes e hotéis, praias e os famosos banhos podem reabrir a partir de segunda-feira (4). Apenas a capital Budapeste, que registrou cerca de 70% dos casos de coronavírus no país, manterá as restrições. O país tem 3 mil casos e 340 mortes.

A Alemanha fará uma flexibilização cautelosa, processo que já iniciou. Com muitos testes realizados (taxa de 30.400 a cada 1 milhão de habitantes), o país vive a expectativa de reabertura de escolas em alguns estados. São 165.183 casos confirmados e 6.812 alemães mortos.

A França disse que vai suspender parcialmente o lockdown em 11 de maio, mas o medo é constante. O país tem 168.396 casos e 24.760 mortos. Não se tem certeza ainda, ao contrário da Itália e da Espanha, se o pior já passou.

Já na Inglaterra, a preocupação persiste. O país ainda vive o pico, com algo entre 4,5 mil e 6 mil casos diários e acima de 500 mortes todos os dias. Não se fala em relaxamento.

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