Coronavírus: medidas restritivas devem levar de dois a quatro meses

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Presidente da República, Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante Videoconferência com a Frente Nacional de Prefeitos - FNP.

Empresa de consultoria política, a Arko Advice diz acreditar que as medidas restritivas impostas no país por conta do coronavírus devem levar entre dois e quatro meses. Já a XP Investimentos cravou a expressão “crise dentro da crise.”

Ambas empresas têm acompanhado de perto o cenário político por conta da pandemia e em relatório recente apontaram falhas e sugeriram soluções no combate ao coronavírus.

Citando o ministério da Saúde, a Arko ressalta que o Brasil deve ter aumento de casos em abril, maio e junho. “Em julho, devemos entrar no chamado “platô”, registrando uma trajetória de queda a partir de agosto e setembro”, informou.

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Já a XP Investimentos avaliou que os desentendimentos entre o presidente Bolsonaro e o ministro Luiz Mandetta chegaram ao ápice após ameaças de demissão. O chefe do Executivo quer uma volta parcial ao trabalho e o médico mantém a recomendação pelo isolamento total.

Para a XP, esse episódio influenciou comportamentos de outros poderes ao longo da semana e alguma impaciência em relação à postura do presidente. O ministro se manteve na cadeira, mas a relação chegou a tal ponto que não é mais questão de “se”, mas de “quando”.

De acordo com a XP, a linha do ministério da Saúde tem 80% de apoio popular e esse núcleo de oposição interna incomoda Bolsonaro e seus apoiadores mais próximos.

Presidente da República, Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante Videoconferência com a Frente Nacional de Prefeitos - FNP.

Arko: isolamento mitigou efeitos

Na opinião da Arko, o isolamento social imposto até aqui mitigou os efeitos do coronavírus e o país poderá retomar as atividades mais rápido do que se imagina.

“Mas, ainda não sabemos como será o comportamento da Covid-19 durante o inverno, quando a pandemia se somará ao surgimento de outras doenças respiratórias”, informou.

Por fim, fica clara a necessidade de ação conjunta de todas as esferas de governo para que a crise tenha o menor impacto possível na economia brasileira.

A Arko defende a ideia, de que seja elaborado, no mais curto prazo possível, um plano nacional de reconstrução voltado para a retomada do desenvolvimento e da recuperação econômica.

“Tal plano poderia ser elaborado como uma continuação das medidas já em implantação, a fim de servir de base para a consolidação de uma nova estratégia brasileira de desenvolvimento”, disse.

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XP: sinal de fraqueza

Conforme a XP, o círculo mais próximo de Bolsonaro tem calculado as eventuais represálias de outros poderes à demissão. Até dentro do governo há quem tenha visto o episódio como sinal de fraqueza do presidente.

Na outra ponta, Mandetta fez recuos estratégicos, sempre mantendo o cerne do discurso baseado na importância de seguir dados científicos e manter o isolamento para reduzir o número de casos.

“Com todas as ressalvas possíveis, o ministério da Saúde admitiu a ampliação da possibilidade de prescrição da cloroquina, para além de casos graves, e flexibilizou a orientação de isolamento para cidades sem casos confirmados”, informou.

Já Bolsonaro dobrou a aposta no “eu avisei” durante pronunciamento oficial, mantendo mensagem central, mas também buscou suavizar vários pontos dando ênfase aos resultados da cloroquina como remédio para tratar a Covid-19.