Coronavírus derruba novamente bolsas em Nova York

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
1

O surto do coronavírus provavelmente se tornará uma pandemia global, segundo autoridades da área de saúde americana.

A informação derrubou novamente os mercados globais nesta terça-feira (25), após uma sessão em que os índices americanos chegaram a operar em alta, se recuperando das fortes perdas registradas na véspera.

Dessa forma, o Dow Jones recuou 3,3%, S&P 500 caiu 3,2% e o Nasdaq fechou com retração de 2,8%.

Segundo a CNBC, a sessão de segunda-feira havia sido a pior do mercado em dois anos.

O S&P 500 não registrava quedas consecutivas de mais de 3% desde novembro de 2008, durante a crise financeira, de acordo com o Bespoke Investment Group.

O Dow, por sua vez, se encaminhava para registrar seu pior período de duas sessões desde fevereiro de 2018.

O que você verá neste artigo:

Volatilidade

Em entrevista à CNBC, a estrategista-chefe de mercados da National Securities, Art Hogan, afirmou que a “volatilidade é normal”.

Entretanto, “o que é assustador” está sendo a rápida queda dos mercados, após o atingimento dos recentes picos históricos de alta.

A atual retração dos mercados colocou o Dow e o S&P 500 cerca de 7% abaixo dos recordes atingidos no início deste mês. Já o Nasdaq está 8,2% abaixo de sua máxima histórica de 19 de fevereiro.

As ações de tecnologia como Apple e Facebook também caíram em território de correção, com retração superior a 10% em relação às máximas históricas atingidas apenas no mês passado.

Derretendo

Acompanhando a piora das bolsas, os preços do petróleo tiveram forte queda nesta terça-feira, com o WTI fechando abaixo dos US$ 50, com queda de 3,07%, enquanto o tipo Brent recuou 2,7%, a US$ 54,78.

As preocupações com a disseminação do coronavírus e seu impacto na demanda de petróleo acabaram superando o impacto dos cortes na produção da Opep e as perdas na oferta da Líbia, registra a Reuters.

“As preocupações com a demanda estão acabando com todos os ganhos das últimas semanas”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho em Nova York. “Esta não é uma situação que vai melhorar”, acrescentou, segundo a Reuters.

Na sessão desta terça-feira, até mesmo o ouro, considerado um porto seguro dos investidores, sucumbiu à retração dos mercados.

O metal precioso recuou mais de 1%, após registrar a maior alta em sete anos na sessão da véspera.

Questão de tempo

Segundo a diretora adjunta principal dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Anne Schuchat, a pandemia global do coronavírus é apenas uma questão de tempo, até que comece a se espalhar nos EUA.

“As atuais circunstâncias globais sugerem que é provável que esse vírus cause uma pandemia”, afirmou, de acordo com relatos de agência internacionais.

Já Nancy Messonnier, diretora do centro americano, avaliou que “não se trata tanto de saber se isso acontecerá no país, mas quando isso acontecerá”.

Ela afirmou que as autoridades de saúde pública não têm ideia se a propagação da doença nos EUA será leve ou grave, mas que os americanos devem estar prontos para uma perturbação significativa em suas vidas diárias.

Segundo a Reuters, autoridades de saúde pública americanas se preparam para qualquer eventualidade em relação ao impacto do coronavírus no país, de acordo com o principal assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow.

Kudlow reforçou, contudo, que o vírus até agora está contido no país. “Isso está muito contido nos EUA”, disse, à CNBC.

De acordo com ele, entretanto, qualquer planejamento de emergência não significa que um surto do vírus aconteça nos EUA.

Vacina

Enquanto a situação se deteriora, as autoridades da área de saúde americanas informaram nesta terça-feira que espera-se que uma vacina em serem humanos possa ser testada em seis semanas.

A Casa Branca já teria pedido cerca de US$ 1,25 bilhão em recursos para o desenvolvimento de uma vacina e para tratamentos terapêuticos contra o vírus.

As esperanças de colocar uma vacina no mercado são altas, mas os médicos querem expectativas baixas quanto à rapidez com que isso pode acontecer, reporta a CNBC.

Em meio ao aumento do número de casos ao redor do mundo, algumas empresas ao redor do mundo buscam desenvolver vacinas para combater o avanço do coronavírus.

Mais de 80,2 mil pessoas já foram infectadas, com ao menos 2,7 mil óbitos. Nessa semana, a doença se espalhou pela Coreia do Sul, Irã e Itália.