Coronavírus: crise ameaça companhias aéreas

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

As companhias aéreas, que já vinham sofrendo com a redução de viagens e as restrições no transporte, sofreram novo baque na quinta-feira, 12. Foi quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que cancelaria voos da Europa para os EUA por um mês. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), a decisão afetará fortemente o setor. E poderá levar até mesmo ao fechamento de algumas empresas.

Em comunicado, a Iata criticou a ação norte-americana e pediu ajuda emergencial dos governos ao setor. “As companhias precisam de medidas urgentes para aliviar a crise”, afirmou o presidente da Iata, Alexandre de Juniac. “A decisão dos EUA criará enormes pressões de liquidez sobre as empresas”, complementou.

Pelos cálculos da entidade, as companhias aéreas do mundo todo terão uma perda de receita de pelo menos US$ 100 bilhões no ano. Mas a estimativa foi feita antes do cancelamento de voos entre Europa e EUA. “Esse cenário não incluiu as medidas dos Estados Unidos”, informou no comunicado repercutido pela CNBC.

Novas regras nos EUA

As novas regras de limitação de voos entram em vigor à meia-noite desta sexta-feira, 13. Pela regra, estrangeiros que estiveram na Europa nas últimas duas semanas não poderão entrar nos Estados Unidos. A proibição se aplica aos 26 países do chamado Espaço Schengen. O “espaço” compreende países signatários de um acordo de livre circulação de pessoas em território europeu, mas não inclui o Reino Unido e a Irlanda.

“A União Europeia desaprova a decisão unilateral e sem consulta dos EUA de impor uma proibição de viagem”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.

Na semana passada, a britânica Flybe, que era até então a maior companhia aérea regional da Europa, decretou falência. A Norwegian Air Shuttle afirmou que reduzirá fortemente seus voos e demitirá metade de seus funcionários.

No Brasil, governo estuda ajuda às companhias aéreas

De acordo com reportagem do Valor, o Ministério da Infraestrutura brasileiro estuda um pacote de medidas emergenciais para socorrer as companhias aéreas do país.

O pacote poderá conter desoneração parcial ou total da folha de pagamento das empresas e isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e os bilhetes emitidos. As desonerações seriam temporárias, de seis meses a um ano.

De acordo com o jornal, as sugestões já foram apresentadas ao Ministério da Economia pela equipe do Ministério do Trabalho. E podem integrar a medida provisória que o governo quer aprovar com as iniciativas contra a crise do coronavírus.