Covid-19: com 881 óbitos em 24h e 12,4 mil no total, país tem pior dia na pandemia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Mateus Dantas / Prefeitura de Fortaleza

Depois de dois dias com queda no número de casos relatados em 24 horas (6.760 no domingo e 5.632 na segunda), o ministério da Saúde volta a informar um aumento no número de infectados em apenas um dia para quase 10 mil: 9.258, fazendo o Brasil chegar a 177.589 testes positivos para o novo coronavírus.

As mortes também voltaram a subir no balanço de 24 horas: são mais 881, totalizando 12.400, no pior dia em número de óbitos.

A taxa de mortalidade subiu para 6,98%, contra 6,84% dos dois últimos dias. No mundo, essa taxa está em 6,74%, com 4,33 milhões de casos confirmados, 292 mil vítimas fatais e 1,57 milhões de recuperados, o que representa 36,30%.

No Brasil, os recuperados são 72.597, ou 40,88% do total de casos relatados.

O ministério ainda informa que existem 92.593 casos em acompanhamento 2.050 óbitos em investigação.

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Brasil, uma grande ameaça

Com o rápido crescimento da pandemia no Brasil, os vizinhos sul-americanos passaram a enxergar o país como uma grande ameaça.

A BBC informa que, “assim que registrou os primeiros casos da doença, no início de março, o governo do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, simpatizante de Bolsonaro, fechou as fronteiras com o Brasil. Militares paraguaios foram enviados para a região fronteiriça para impedir a entrada de automóveis e ônibus de excursões de compradores brasileiros no lado paraguaio”.

“Os dois governos, do Paraguai e do Brasil, têm muita afinidade, mas a nossa preocupação agora é com a saúde dos paraguaios. O Brasil é uma preocupação pelo número de casos, mas estamos tomando todas as medidas preventivas”, disse o vice-ministro de Atenção Integral à Saúde e Bem-Estar Social, Juan Carlos Portillo Romero.

O Paraguai tem apenas 737 casos reportados do novo coronavírus, 10 mortes e 554 casos ativos, nenhum deles em estado grave.

O presidente do país, Mario Abdo Benítez, afirmou que nem pensa em abrir as fronteiras com o Brasil: “com o que o Brasil está vivendo, não passa por nossa cabeça a reabertura das fronteiras, já que talvez seja um dos lugares (o Brasil) onde há maior circulação da Ccovid-19 e isso é uma grande ameaça para nosso país”.

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Na Argentina, as fronteiras seguem fechadas e os voos, quase todos suspensos. O presidente Alberto Fernández disse que o Brasil é um mau exemplo no combate à Covid-19. “Os que (deram prioridade à atividade econômica) acabaram juntando mortos em caminhões frigoríficos e enterrando (corpos) em fossas comuns”, disse.

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A Argentina tem 6.278 casos confirmados, 317 mortos e decretou lockdown desde março no país. O resultado positivo está no baixo registro de infectados.

O Uruguai é outro que enxerga o Brasil com preocupação. O presidente Lacalle Pou orientou todos os ministros a aumentarem a presença de suas equipes na região fronteiriça. O país tem apenas 711 casos e 19 mortos e está pronto para erradicar o vírus de seu território.

Bolívia, Peru e Colômbia também mantém as fronteiras fechadas com o Brasil.

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Lockdown inevitável

São Paulo tem o pior quadro na epidemia em todo o país. São 47.719 casos confirmados e 3.949 mortes em decorrência da Covid-19.

Mesmo assim, o estado tem aplicado uma quarentena branda, permitindo que 74% da atividade econômica funcione, de acordo com números do próprio governo.

Agora, segundo informa a Folha de S. Paulo, “projeções feitas com um modelo matemático desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a adoção de ‘lockdown’ obrigatório no estado de São Paulo será inevitável caso o nível de isolamento social não suba significativamente nas próximas semanas, começando já nesta terça-feira (12)”.

O número de novos casos de coronavírus tem dobrado a cada 11,5 dias no estado, e a cada 12,9 dias, na capital.

“Entre os dias 8 e 10 de maio, foram registrados, em média, 1.839 novos casos diários em todo o estado, sendo 1.033 somente na capital. Se for mantida a taxa de contágio (R0) – que é o número de pessoas para as quais um infectado transmite o vírus – observada nos 30 dias anteriores a 10 de maio, no final de junho São Paulo contabilizará 53,5 mil novas infecções por dia, sendo 20,8 mil casos diários somente no município de São Paulo”, diz o estudo.

E essas projeções podem estar subestimadas.

No primeiro dia do chamado “megarrodízio”, onde carros com placas pares só podem circular em dias pares e placas ímpares só em dias ímpares, o isolamento social ficou em apenas 49%.

“Para controlar a doença nas quatro cidades mais densamente povoadas do país, é preciso atenuar a taxa de contágio livre em 84%, o que seria possível com pelo menos 60% de isolamento social combinado ao uso obrigatório de máscaras de boa qualidade, por exemplo”, disse à Folha Renato Pedrosa, matemático da Unicamp.

Poucos testes

O Brasil é o sétimo país com mais casos confirmados do novo coronavírus em todo o mundo. Com os números de hoje, passa a Alemanha, que tem 173.171 casos e 7.738 mortos.

Há muitas diferenças entre Brasil e Alemanha, porém. Os alemães já começaram um processo de reabertura de sua economia, depois de um lockdown eficiente. Lá, são mais 147 mil recuperados e apenas 18.233 casos ativos. No Brasil, não há lockdown implantado, exceto em alguns municípios, e a pandemia parece estar só no início.

Mais do que isso, o Brasil testa muito pouco, o que sugere uma história ainda pior do que os dados oficiais contam. Na Alemanha, já foram realizados 2,75 milhões de testes, com quase 33 mil a cada 1 milhão de habitantes. No Brasil, o ministério da Saúde informa que foram realizados apenas 482.743 exames e mais de 145 mil deles ainda aguardam análise laboratorial.

Ou seja, são 337.595 testes realmente com resultado conhecido. Há na fila 95.144 esperando análise e outros 50.004 que nem sequer chegaram aos laboratórios. Há ainda outros mais de 100 mil testes em laboratórios privados que devem entrar no registro do ministério.

 

Coronavírus nos estados

São ainda 5 estados com mais de 10 mil casos confirmados de coronavírus: São Paulo (47.719 casos e 3.949 mortos), Rio de Janeiro (18.486 e 1.928), Ceará (18.412 e 1.280), Pernambuco (14.309 e 1.157) e Amazonas (14.168 e 1.098).

Outros dois se aproximam dessa marca: Pará (8.616 e 864) e Maranhão (8.526 e 423). Bahia (6.204 e 225) e Espírito Santo (5.087 e 212) passaram de 5 mil.

Com mais de 3 mil casos são dois estados: Santa Catarina (3.733 e 73) e Minas Gerais (3.435 e 127).

Com mais de 2 mil casos já são 7 estados: Distrito Federal (2.979 e 46), Rio Grande do Sul (2.917 e 111), Amapá (2.910 e 86), Paraíba (2,777 e 154), Alagoas (2.580 e 150), Rio Grande do Norte (2.033 e 93) e Sergipe (2.032 e 37).

Outros 6 passaram de 1 mil casos: Paraná (1.906 e 113), Acre (1.590 e 51), Rondônia (1.460 e 50), Piauí (1.443 e 49), Roraima (1.328 e 27) e Goiás (1.115 e 52).

Tocantins (828 e 14), Mato Grosso (591 e 19) e Mato Grosso do Sul (405 e 12) fecham a lista.

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