Setor aéreo mundial vive turbulência sem precedentes com Covid-19

Paulo Amaral
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Crédito: 3D imagery

O setor aéreo sentiu demais a crise provocada pela pandemia de coronavírus e enfrenta, atualmente, a maior turbulência de sua História em todo o planeta.

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As medidas de prevenção para evitar a propagação maior da doença paralisaram os voos ao redor do Globo e causaram efeitos devastadores nos cofres das principais companhias de aviação.

Demissões, pedidos de falência e de recuperação judicial, além de um clamor generalizado por socorro dos governos uniu as marcas que, antes da pandemia, eram meras rivais de mercado.

De acordo com a Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), o impacto econômico no setor aéreo em 2020 será de US$ 314 bilhões, reduzindo em 55% os ganhos do ano passado.

Os cofres mais vazios obrigaram algumas das principais companhias do planeta a adotar medidas de contenção de gastos. As principais foram as seguintes:

Recuperação judicial

Latam

 

A Virgin Australia se declarou inadimplente no dia 21 de abril, ao ter negado o pedido de socorro de 1,4 bilhão de dólares australianos por parte do Governo Federal.

Pouco depois foi a vez da Avianca, segunda maior companhia da América Latina, recorrer ao Capítulo 11 de Nova York,  lei de recuperação judicial dos Estados Unidos, para seguir operando sem uma cobrança maior dos credores.

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Latam

A Latam, maior companhia aérea da América Latina, de origem chilena, mas com maior parte de suas operações no Brasil, seguiu pelo mesmo caminho.

A empresa declarou quebra em 26 de maio. A companhia, que tem 42.000 funcionários, também pediu apoio na lei norte-americana, que permite que uma empresa sem condições de pagar suas dívidas possa se reestruturar sem a pressão dos credores.

No caso específico da Latam, As unidades do Brasil, Argentina e Paraguai não fazem parte do pedido.

Pelo twitter, a companhia afirmou que continuará operando normalmente durante o processo. Para isso, deve receber um empréstimo de até US$ 900 milhões dos controladores, a chilena Cueto, que tem 21,5% de participação, a brasileira Amaro, dona de 2%, e a Qatar Airways, 10%, de acordo com o Estadão.

“Implementamos uma série de medidas difíceis para mitigar o impacto dessa interrupção sem precedentes do setor, mas, no final das contas, esse caminho representa a melhor opção”, afirmou o CEO Roberto Alvo.

A espanhola Ibera anunciou, segundo a AFP, que retomará em 1º de julho 20% dos seus voos domésticos e de média distância.

O setor aéreo da África do Sul também sentiu os efeitos da crise provocada pelo coronavírus, assim como outras empresas europeias. South African Airways (SAA) e Comair, a britânica Flybe e quatro filiais da Norwegian Air Shuttle na Suécia e na Dinamarca tiveram que se readaptar à nova realidade.

Cascata de demissões

setor aéreo

A crise no setor aéreo deixou muita gente desempregada. Segundo a AFP, a American Airlines cortou 30% do quadro de funcionários administrativos, além de reduzir também o corpo de pilotos e tripulantes.

Segundo a agência de notícias, a pandemia de coronavírus obrigou a American Airlines a mexer em 5.100 de suas 17.000 vagas administrativas.

Elise Eberwein, uma das principais executivas da companhia, assinou um documento indicando que a decisão faz parte de um plano de demissão voluntária em andamento. Pelo menos 39.000 dos 100.000 funcionários da empresa já aderiram.

Boeing

Outra empresa fortíssima no setor aéreo do país que está sentindo os efeitos da crise é a Boeing.

A gigante do setor, que vem enfrentando problemas desde o ano passado, antes mesmo da pandemia, anunciou o corte de 16.000 empregos, ou seja, 10% de sua força de trabalho na aviação civil.

Air Canada já informou que demitirá praticamente metade de seus funcionários, cerca de 19.000 pessoas.

Outra empresa que adotou as demissões como forma de evitar a falência foi a Easyjet. A empresa britânica confirmou o corte de 4.500 postos de trabalho, ou 30% de seus funcionários.

British Airways, Ryanair e Virgin Atlantic, também britânicas, deram início à onda e anunciaram demissões recentemente, ante da rival.

O grupo IAG, proprietário da espanhola Iberia, anunciou no fim de abril sua intenção de eliminar até 12 mil postos de trabalho na companhia aérea British Airways, que tem 42 mil funcionários.

De acordo com a AFP, a Kuwait Airways anunciou a dispensa de 1,5 mil funcionários expatriados, ou 25% de seus trabalhadores estrangeiros, devido a “dificuldades importantes” acarretadas pela pandemia.

“Frente à crise do novo coronavírus e seu impacto negativo nas operações comerciais, a Kuwait Airways anuncia a demissão de cerca de 1,5 mil funcionários não-kuwatianos”, tuitou a empresa, alegando “dificuldades importantes”.

Além de todas as empresas citadas acima, outras que já se posicionaram a respeito da dispensa forçada de funcionários por causa do coronavírus foram: a americana Delta Air Lines, que espera 10.000 demissões voluntárias (11%) e a escandinava SAS, 5.000 (40%).

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Socorro do governo

Azul Gol Latam

Os pedidos de socorro das companhias do setor aéreo aos governos locais se amontoaram desde o início da crise do coronavírus.

No Brasil, no último dia 15 foi anunciado que as três principais companhias aéreas do País, Azul (AZUL4), Gol (GOLL4) e Latam fecharam acordo para receber socorro de um sindicato de bancos.

Segundo o BNDES, o pacote de incentivo ao prejuízo causado pela pandemia do coronavírus ficaria entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões.

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O apoio às empresas seria feito por meio de ofertas públicas de títulos de dívida e contemplaria a participação mínima de 30% de investidores privados, com BNDES (60%) e bancos privados (10%) garantindo a demanda da maioria de cada oferta.

Mas a Latam não tem capital aberto no Brasil. Precisaria, então, buscar uma alternativa.

Apesar de ser chilena, a empresa também teria dificuldade de conseguir auxílio no Chile.

Naquele país, diz o Estadão, “haveria uma dificuldade extra: o presidente Sebastián Piñera já foi acionista da companhia e é próximo à família Cueto, controladora da empresa. Uma ajuda financeira à Latam poderia, portanto, não ser bem recebida no Chile”.

Nos Estados Unidos, segundo a AFP, as principais companhias aéreas americanas recorreram a um programa de apoio ao emprego lançado em março pelos Estados Unidos, do qual US$ 50 bilhões são destinados à aviação civil.

Alitalia UE

Na Alemanha, o governo local e a Lufthansa elaboraram em 25 de maio um pacote de resgate de 9 bilhões de euros, no qual o Estado se tornaria o maior acionista da empresa. O acordo, no entanto, ainda não foi fechado.

Outra empresa alemã, a do setor de transporte Condor, filial do operador de turismo em quebra Thomas Cook, obteve empréstimos garantidos pelo Estado no valor de 550 milhões de euros.

Os governos de França e de Holanda se uniram para “salvar” a Air France-KLM, com uma injeção financeira que poderá ser entre 9 e 11 bilhões de euros.

 

A Itália, por outro lado, preferiu nacionalizar a Alitalia. A Suíça injetou 1,2 bilhão de euros em empréstimos à Swiss e à Edelweiss, duas filiais da Lufthansa.

Na Oceania, a Air New Zealand fechou um empréstimo estatal de 900 milhões de euros, enquanto os governos de Dubai e da Turquia confirmaram que concederam incentivos para a Emirates e a Turkish Airlines, respectivamente, mas sem revelar os valores.

Segundo dados da IATA, os valores já destinados pelos governos para ajudar as empresas do setor aéreo chegaram a US$ 123 bilhões até meados deste mês de maio.

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