Covid-19: Brasil tem mais de 10 mil novos casos em 24 horas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Twitter / Senado Federal

O ministério da Saúde anunciou, nesta quarta (6), que nas últimas 24 horas o Brasil contou mais 10.503 novos casos confirmados, um novo recorde desde o começo da pandemia.

Agora, são 125.096 casos confirmados em todo o país. Ontem essa número estava em 114.715.

O número de novos óbitos também foi recorde: 615, 15 a mais do que os 600 de ontem, que já havia sido recorde. No total, são 8.536 mortos.

A taxa de mortalidade é de 6,82%. Ontem, era de 6,90%. No mundo, a taxa é de 6,93%, com 3,81 milhões de infectados e mais de 264 mil mortos. O número de recuperados globalmente é de 1,28 milhões, ou 33,59% do total.

No Brasil, são 51.370 pacientes recuperados, o que representa 41,02% do total de casos. Há ainda 65.312 casos em acompanhamento e 1.643 óbitos em investigação.

Com o compilado das últimas 24 horas, o Brasil é o terceiro país que mais casos contou, atrás da Rússia, com 10.559, mas que testa 11 vezes mais, e dos Estados Unidos, com 19.006, que testam 19 vezes mais que o Brasil.

Coletiva de imprensa

O ministro da Saúde, Nelson Teich, voltou a participar da coletiva de atualização de dados, mas se restringiu a poucos comunicados.

Um deles tratou sobre novos leitos: “Na parte de cuidado, a gente tem a habilitação de leitos novos. Hoje, saíram no Diário Oficial as portarias que habilitaram mais leitos de UTI. São 592 leitos habilitados exclusivamente para pacientes do Covid-19, em 16 estados”.

E outro sobre produção de vacina: “a gente está conversando com possíveis laboratórios que vão produzir vacina, para que a gente consiga garantir que, caso surja uma vacina, que o Brasil tenha uma cota, que o Brasil tenha uma parte”.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse que “a gestão da resposta da pandemia depende de testes de diagnóstico para identificação do vírus ou dos anticorpos. Isso ajuda a descrição da dinâmica da transmissão. É necessário realizar um número grande de testes, para controle da transmissão e para compreensão do padrão da epidemia, estudando cada localidade de acordo com a sua realidade”.

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Teich ainda admitiu que a curva brasileira passa por uma crescente, mas que não é possível saber em que pontos o país está, porque não é “possível traçar uma média brasileira”, já que é um território muito grande e cheio de particularidades.

Explosão de casos após abertura do comércio

Estudo feito por pesquisadores de quatro universidades aponta que aumento do número de casos em Santa Catarina pode estar fora de controle. O estado foi um dos que há três semanas flexibilizou as medidas de isolamento, cedendo à pressão de comerciantes, e abriu o comércio.

O portal de notícias G1 lembra que “no dia 12 de abril, o estado tinha 776 infectados. No dia 19, eram 1.025, diferença de 249 casos. Após mais sete dias, em 26 de abril, o número foi para 1.337, ou seja, mais 312 pacientes. E, no dia 3 de maio, Santa Catarina registrava 2.519 pessoas com coronavírus – mais 1.182 novos casos em relação à semana anterior”.

A análise feita pelas universidades, incluindo uma canadense, identifica a mudança no padrão de crescimento de casos.

“O gráfico mostra claramente como os casos se desviaram radicalmente da tendência de achatamento que teríamos em abril e já estão marcando um aumento fora de controle. Os dados são os oficiais. E sabemos que estão subnotificados. Os números reais são muito maiores”, disse ao G1 Oscar Bruna-Romero, professor de microbiologia da UFSC e especialista em doenças infecciosas e vacinas.

Os dados atuais refletem o que aconteceu de 7 a 14 dias anteriores, que é o tempo para a doença se manifestar ou não. O professor titular de Saúde Pública da UFSC, Sérgio Freitas, explica que a taxa de crescimento de infectados era baixa até a semana de 24 de abril: “a partir dali em diante, houve crescimento importante. Se trabalharmos com essa janela, uma parte importante (dos novos casos) veio com a reabertura do comércio”.

“Quando você começa a sinalizar para as pessoas que a vida está voltando ao normal, ou seja, o comércio está aberto e os shoppings estão funcionando, as pessoas começam a entender que a vida está voltando ao normal, então elas têm uma tendência de se proteger menos. O grande fator de adesão da população catarinense no início foi o medo de pegar a doença. E o governo ficou sinalizando medidas contraditórias, não pode uma coisa, mas agora pode tal coisa”, declarou.

O governo, porém, não concorda. Acha que o aumento se deve ao fato dos testes rápidos passarem a ser contabilizados.

Santa Catarina tem hoje 2.917 casos e 59 mortos.

Luto oficial em São Paulo

O governador João Doria decretou luto oficial em São Paulo. Hoje, o estado computou um número recorde de casos do novo coronavírus: 3.800, chegando a 37.853 e a 3.045 mortos.

“Lamentavelmente, ultrapassamos 3 mil mortos com coronavírus, maior volume da história do estado de São Paulo, em circunstância de apenas 60 dias. Em respeito a famílias e amigos desses que perderam suas vidas, amanhã o Diário Oficial virá com o decreto de luto oficial em todo o estado, enquanto a crise do coronavírus e a pandemia perdurarem. Será um gesto de solidariedade”, disse Doria.

A taxa de ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) está em 67,2%, com 86,6% de ocupação na Grande São Paulo.

“Queria reforçar a questão do número de óbitos para que as pessoas olhem para esses números e procurem se salvar em casa. Ficar em casa significa se salvar, para que não se exponha e não adquira a doença e não seja mais um caso confirmado em São Paulo. Isso vai passar. Nós vamos vencer, mas precisamos tomar muito cuidado agora, porque estamos brincando com a sorte”, afirmou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

Coronavírus nos estados

Dos 27 estados da federação, 19 já computaram pelo menos 1 mil casos do novo coronavírus. Destes, 12 já ultrapassaram a marca dos 2 mi. Sete já passaram de 5 mil. Cinco, de 9 mil. E três já contaram mais de 10 mil casos.

Os números que são ruins pelo balanço do ministério da Saúde ficam ainda piores com os números já atualizados das secretarias estaduais de saúde, com 126.054 casos (836 a mais) e 8563 mortes (27 a mais).

São Paulo tem 37.853 casos confirmados e 3.045 mortes. O Rio de Janeiro tem 12.295 casos e 1.205 óbitos. O Ceará chega a 12.304 casos e 848 vítimas fatais. Pernambuco conta 9.881 infectados e 803 falecidos. E o Amazonas testou positivamente 9.243 pessoas, com 751 indo a óbito.

Os demais estados apresentam os seguintes números: Maranhão (5.028 casos e 291 mortos), Pará (5.017 e 392), Bahia (4.301 e 160), Espírito Santo (3.568 e 145), Santa Catarina (2.917 e 59), Minas Gerais (2.605 e 97), Rio Grande do Sul (2.050 e 87), Amapá (2.046 e 56), Distrito Federal (1.906 e 34), Alagoas (1.703 e 89), Paraná (1.627 e 101), Rio Grande do Norte (1.574 e 72), Paraíba (1.493 e 92), Goiás (1.024 e 45), Sergipe (998 e 23), Piauí (949 e 30), Rondônia e Acre (943 e 33 cada um), Roraima (932 e 13), Mato Grosso (379 e 13), Tocantins (351 e 9) e Mato Grosso do Sul (288 e 10).

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