Covid-19: Brasil se aproxima dos 80 mil casos em dia de outro recorde negativo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / Josué Damacena / Fiocruz

Com o balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (29), sobre a situação do novo coronavírus no Brasil, o país se aproxima dos 80 mil casos, ao bater mais uma vez o recorde de casos confirmados em 24 horas: 6.276, elevando o total a 78.162.

Antes, o dia com mais casos confirmados havia sido ontem, com 5.385, o que mostra que a curva está cada vez mais aguda.

O número de mortos passou para 5.466, com a adição de novas 449 vítimas, elevando também a taxa de mortalidade para 6,99% (ontem era de 6,98%). A taxa mundial, com 3,21 milhões de casos confirmados e mais de 227 mil mortos, está em 7,08%.

O mundo se aproxima de 1 milhão de recuperados, com 992.900. Os casos críticos, porém, estão em 60.232 em todo o planeta.

No Brasil, ainda há 38.564 pacientes em acompanhamento para saber se estão ou não infectados, 34.132 recuperados e 1.452 óbitos em investigação.

Maior taxa de contágio é do Brasil

O Imperial College London analisou 48 países e chegou à conclusão de que o Brasil é o que tem a maior taxa de contágio de Covid-19.

Quanto mais alta a taxa, maior a velocidade de propagação do vírus. No caso do Brasil, esse índice é 2,81. Isso quer dizer que um único brasileiro pode passar a doença para cerca de três outras pessoas.

No Estados Unidos, com mais de 1 milhão de casos confirmados, essa taxa é 0,98.

Depois do Brasil, na ordem, Irlanda (2,24), México (1,95), Polônia (1,78), Peru (1,55), Rússia (1,52), Paquistão (1,48), Canadá (1,47), Japão (1,42), Índia (1,39).

A menor taxa é da Grécia, com 0,41.

São Paulo com baixo isolamento

Em entrevista coletiva diária nessa manhã de quarta-feira (29), João Doria (PSDB), governador de São Paulo, deixou claro que “numa taxa de isolamento de 48% eu não preciso sequer perguntar para o doutor David Uip (coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus). Não há menor condição de flexibilização com isolamento de 48%. E evidentemente com os riscos de colapso dos hospitais da capital e região metropolitana”.

Desde domingo (19), são oito dias seguidos com isolamento inferior a 50%. Assim, o governo já planeja rever a flexibilização da quarentena, planejada para o dia 11 de maio.

“Se vocês querem sair do isolamento, se vocês querem ter uma nova fase do isolamento, contribuam para isto”, insistiu.

Com 26.158 casos confirmados e 2.247 mortos, São Paulo se aproxima do gargalo de leitos. Na Grande São Paulo, 85% dos leitos estão ocupados. O estado ainda trabalha para expandir a rede, mas é uma corrida contra o tempo, por isso a importância do isolamento.

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“Se as pessoas relaxarem no isolamento todo mundo vai ficar doente ao mesmo tempo, e nós, mesmo com este esforço, não conseguiremos atender a população. Aí, a possibilidade de salvar vidas cai drasticamente”, afirmou o prefeito da capital, Bruno Covas.

Lista de serviços essenciais ampliada

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), editou decreto nessa quarta-feira (29) ampliando a lista de serviços essenciais que podem funcionar durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o decreto, passam a ser essenciais:

-serviços de comercialização, reparo e manutenção de partes e peças novas e usadas e de pneumáticos novos e remoldados;
-serviços de radiodifusão de sons e imagens;
-atividades de desenvolvimento de produtos e serviços, incluídas aquelas realizadas por meio de start-ups;
-atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação, repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e assistência técnica automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos de carga e de pessoas em rodovias e estradas;
-atividades de processamento do benefício do seguro-desemprego e de outros benefícios relacionados, por meio de atendimento presencial ou eletrônico;
-locadoras de veículos;
-atividades de produção, distribuição, comercialização, manutenção, reposição, assistência técnica, monitoramento e inspeção de equipamentos de infraestrutura, instalações, máquinas e equipamentos em geral;
-atividades de produção, exportação, importação e transporte de insumos e produtos químicos, petroquímicos e plásticos em geral;
-atividades de lavra, beneficiamento, produção, comercialização, escoamento e suprimento de bens minerais;
-atividades de atendimento ao público em agências bancárias, cooperativas de crédito ou estabelecimentos congêneres, referentes aos programas governamentais ou privados destinados a mitigar as consequências econômicas da emergência de saúde pública;
-produção, transporte e distribuição de gás natural;
-indústrias químicas e petroquímicas de matérias-primas ou produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas;
-obras de engenharia e o fornecimento de suprimentos para o funcionamento e a manutenção das centrais geradoras e dos sistemas de transmissão e distribuição de energia.

Bolsonaro é militante crítico das políticas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos.

ONU acusa Bolsonaro

A Organização das Nações Unidas (ONU) deu uma declaração forte nesta quarta-feira (19) referindo-se diretamente ao governo brasileiro: “As políticas econômicas e sociais irresponsáveis do Brasil colocam milhões de vidas em risco”.

O recado foi publicado na coluna do jornalista Jamil Chade no Portal UOL

É, segundo ele, “a declaração mais dura já feita por relatores da ONU contra o Brasil por conta de sua gestão da crise e uma das raras direcionadas contra um país específico por sua gestão sanitária”.

A ONU ainda criticou o Teto de Gastos, política de contenção de gastos públicos aprovada durante o governo-tampão de Michel Temer: “a epidemia da Covid-19 ampliou os impactos adversos de uma emenda constitucional de 2016 que limitou os gastos públicos no Brasil por 20 anos. Os efeitos são agora dramaticamente visíveis na crise atual”.

“Os cortes de financiamento governamentais violaram os padrões internacionais de direitos humanos, inclusive na educação, moradia, alimentação, água e saneamento e igualdade de gênero”, disse a intituição.

Coronavírus nos estados

O avanço do coronavírus é tão rápido que as secretarias estaduais de saúde tão logo mandam seus balanços para o ministério da Saúde e esses números já ficam desatualizados. Enquanto a pasta federal dá conta de 78.162 casos e 5.466 mortes, as estaduais já totalizam 79.123 casos e 5.495 mortos.

Seguindo os números do ministério, São Paulo tem 26.158 casos e 2.247 mortos. O Rio de Janeiro vem na sequência, com 8.869 casos e 794 mortos. O Ceará tem 7,267 e 441; Pernambuco, 6.194 e 538; e Amazonas, 4.801 e 380.

Outros quatro estados passam de 2 mil casos: Maranhão (2.804 e 166), Bahia (2.646 e 96), Pará (2.422 e 137) e Espírito Santo (2.107 e 76).

Mais sete estados passam dos 1 mil casos: Santa Catarina (1.995 e 44), Minas Gerais (1.758 e 80), Rio Grande do Sul (1.368 e 50), Paraná (1.348 e 82), Distrito Federal (1.275 e 28), Rio Grande do Norte (1.086 e 53) e Amapá (1.016 e 31).

Os demais estados passam de 100 casos, sem exceção: Alagoas (957 e 41), Goiás (705 e 27), Paraíba (699 e 58), Roraima (452 e 6), Piauí (454 e 24), Rondônia (433 e 15), Acre (354 e 17), Sergipe (337 e 12), Mato Grosso (292 e 11), Mato Grosso do Sul (249 e 9) e Tocantins (116 e 3).

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