Coronavírus: Brasil se aproxima dos 190 mil casos e passa dos 13 mil mortos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / Governo Mato Grosso do Sul

O Brasil se aproxima dos 190 mil casos confirmados do novo coronavírus. São 188.974, segundo dados do ministério da Saúde divulgados nesta quarta-feira (13), um acréscimo recorde de 11.385 novos testes positivos, o maior desde o início da pandemia. Entretanto, as secretarias estaduais de saúde, sempre mais atuais, já contabilizam 189.883 casos confirmados.

O número de mortos também subiu 749, totalizando 13.149, segundo o ministério da Saúde. As secretarias estaduais de saúde já contam 13.235 vítimas fatais.

A taxa de mortalidade está em 6,96%. Ontem, estava em 6,98%, patamar que vem se mantendo desde 24 de abril. No mundo, com 4,42 milhões de confirmados e 298 mil mortos, a taxa é de 6,73%.

Com os números apresentados hoje pelo ministério, o Brasil ultrapassa também a França (ontem, havia passado a Alemanha) na quantidade total de casos confirmados e é o sexto país mais afetado. Os franceses têm 178.060 infectados, com 27.074 falecidos.

Simule e projete seus ganhos: utilize nossa calculadora de investimentos

Em todo o mundo, há 1,65 milhões de pacientes recuperados, o que representa 37,41%. O Brasil já tem 78.424 recuperados, ou 41,5% do total infectado.

Ainda há 97.402 casos em acompanhamento e 2.050 óbitos em investigação.

Sem coletiva

O ministro da Saúde, Nelson Teich, cancelou hoje a tradicional entrevista coletiva para informar o balanço dos números do novo coronavírus no Brasil. O motivo é que o ministro vai realizar “a pactuação da estratégia de gestão de riscos junto a estados e municípios”.

Apesar de não informada que “estratégia” seria essa, sabe-se que o ministério que criar um protocolo com cinco categorias de isolamento social para recomendar aos estados e municípios. É algo que os entes federativos vêm protagonizando há um tempo. Até hoje, o governo federal não tocou nesse assunto.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Mais tarde, já de noite, Teich cancelou a apresentação que faria hoje de seu plano com diretrizes, segundo informou o UOL. Isso porque o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) reprovaram o estudo sobre isolamento social.

Conheça os benefícios de se ter um assessor de investimentos

“Não pedimos ao ministério uma flexibilização do isolamento. Pedimos o apoio às medidas de isolamento social, mesmo que não fossem uniformes no Brasil inteiro. O plano de Teich é complexo e exige uma grande quantidade de informações sobre o sistema de saúde dos estados e municípios que ainda não estão disponíveis, como o número de testes”, disse o presidente do Conass, Alberto Beltrame, ao UOL.

Teich passa a ter problemas com Bolsonaro

Teich começa a enfrentar problemas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na noite de terça-feira (12), foi ao Twitter para fazer uma ressalva à cloroquina, que Bolsonaro insiste ser ideal para o combate à Covid-19.

“O @minsaude em 23.03 informou que a cloroquina pode ser prescrita para pacientes hospitalizados. O @Medicina_CFM, em 23.04, entendeu a excepcionalidade em que vivemos e possibilitou o uso em outras situações”, começou dizendo.

Depois, seguiu: “um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o ‘Termo de Consentimento’ antes de iniciar o uso da cloroquina”.

O presidente respondeu na saída do Palácio da Alvorada, no dia seguinte, falando a jornalistas: “olha só, todos os ministros, eu já sei qual é a pergunta, têm que estar afinados comigo. Todos os ministros são indicações políticas minhas e quando eu converso com os ministros eu quero eficácia na ponta. Nesse caso, não é gostar ou não do ministro Teich, é o que está acontecendo”.

“Nós estamos tendo centenas de mortes por dia. Se existe uma possibilidade de diminuir esse número com a cloroquina, por que não usar? Alguns falam que pode ser placebo. Pode ser. Você não sabe. Mas pode não ser também. A gente não pode, por exemplo, falar: ‘Ah, se tivesse usado a cloroquina lá atrás, teria salvo milhões de pessoas’. Só isso”, disse o presidente, sem se importar com o fato de que muitas pesquisas têm apontado a ineficácia da cloroquina no combate à Covid-19.

Subnotificação em Minas Gerais

O estado de Minas Gerais chegou a 3.733 casos confirmados e 135 óbitos.

Entretanto, estudo da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) revela que o estado pode registrar, na realidade, aproximadamente 56 mil infectados.

Os professores Leonardo Costa Ribeiro (UFMG) e Américo Tristão Bernardes (UFOP) chegaram à conta de que existem 16,5 casos da doença para cada um confirmado oficialmente.

“O índice é quatro vezes maior que a média nacional”, reporta o Correio Braziliense. “No país, são 3,8 pessoas com a Covid-19 para cada caso aferido. A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (12). A primeira edição do trabalho foi apresentada há cerca de um mês e, à época, o cálculo mostrava subnotificação de 7,7 vezes em âmbito nacional”.

No estado, o índice da testagem é baixo. O jornal informa que são 476 testes por milhão de habitantes, atrás de Amazonas e Distrito Federal, por exemplo, com 1,6 mil testes.

“A base para o estudo da UFMG e UFOP são estatísticas sobre hospitalizações concebidas pela Fiocruz, com a análise matemática da evolução temporal de internações, entre 2012 e 2019. O cálculo parte de uma técnica de regressão, replicando com grau de precisão acima de 90%, o comportamento típico dos casos de hospitalização por SRAG. Aplicando a técnica para 2020, chega-se à perspectiva de casos sem o surto provocado pelo coronavírus”, informa.

Baixe a planilha e faça você mesmo o rebalanceamento da sua carteira de investimentos

Coronavírus nos frigoríficos

O Rio Grande do Sul registrou surtos de Covid-19 em pelo menos 12 frigoríficos, informa a BBC Brasil. “Já são quase 250 casos confirmados entre funcionários e cerca de 20 mil trabalhadores expostos, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde”.

Os frigoríficos estão na linha de produção de uma grande parcela do Produto Interno Brasileiro (PIB), a pecuária, sensível a qualquer doença e com protocolos de segurança altamente exigentes para que os produtos possam ser exportados.

“O setor emprega 65 mil pessoas no Estado, calcula para a BBC a procuradora do trabalho Priscila Dibi Schvarcz, que coordena o Projeto de Adequação das Condições de Trabalho nos Frigoríficos. Por estar incluído na lista de atividades essenciais, frigoríficos não foram obrigados a suspender os trabalhos.

Mas a doença avança e a Justiça gaúcha determinou a paralisação integral de um frigorífico da BRF e a interrupção parcial de uma unidade da Minuano, que deve operar com 50% da mão de obra por duas semanas. Ambos os frigoríficos ficam em Lajeado, que tem 209 casos confirmados e 10 óbitos.

A Justiça teve também que fechar, mesmo que temporariamente, unidades da Nicolini em Garibaldi (cidade com 53 casos e 3 mortes) e da JBS Passo Fundo (município com 277 casos e 20 mortes).

Coronavírus nos estados

São Paulo ultrapassou a marca de 50 mil casos. Sozinho, o estado tem 51.097 infectados, o que o coloca em 16º entre todos os países do mundo. São 4.118 mortos, o que seria o 13º país com mais vítimas em todo o planeta.

O Ceará ultrapassou o Rio de Janeiro em número de casos, chegando a 19.156, contra 18.728. Mas morreram mais cariocas do que cearenses, 2.050 e 1.389, respectivamente.

O Amazonas é outro com mais de 10 mil casos: tem 15.816, com 1.160 óbitos em decorrência do novo coronavírus. Passou Pernambuco, que tem 14.901 casos e 1.224 falecimentos.

O Pará também passou de 10 mil e 1 mil mortes, segundo a secretaria estadual de saúde (10.344 e 1.022), mas os dados do ministério da Saúde ainda contam 9.618 casos e 946 mortos.

O Maranhão chega perto, com 9.112 testes positivos e 444 falecimentos.

Na sequência, com mais de 3 mil casos, tem a Bahia (6.547 casos e 236 mortos), o Espírito Santo (5.401 e 233), Santa Catarina (3.828 e 73), Minas Gerais (3.733 e 135), Distrito Federal (3.192 e 48), Paraíba (3.045 e 157) e Amapá (3.005 e 94).

Com mais de 2 mil, Rio Grande do Sul (2.997 e 120), Alagoas (2.761 e 164), Rio Grande do Norte (2.367 e 105) e Sergipe (2.032 e 37).

Com mais de 1 mil casos do novo coronavírus, há: Paraná (1.996 e 117), Acre (1.694 e 52), Piauí (1.612 e 57), Rondônia (1.612 e 50), Roraima (1.411 e 29) e Goiás (1.134 e 61).

A lista fecha com Tocantins (932 e 21), Mato Grosso (661 e 20) e Mato Grosso do Sul (430 e 13).

LEIA MAIS
Covid-19: com 881 óbitos em 24h e 12,4 mil no total, país tem pior dia na pandemia

ONU estima prejuízo de US$ 8,5 tri na economia global em 2 anos