Coronavírus: Brasil passa de 96 mil casos e mortes já são 6.750

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ministério da Saúde divulgou neste sábado (2) os números atualizados do novo coronavírus no Brasil. São mais 4.970 novos casos confirmados, elevando para 96.559 infectados (aumento de 5%), e mais 421 mortes, totalizando 6.750 vítimas fatais (aumento de 7%).

Com esses números, o Brasil ultrapassa outro forte centro epidêmico mundial, o Irã, que tem confirmados 96.448 casos e 6.156 mortos.

A taxa de mortalidade brasileira foi a 6,99%, depois de ontem ter recuado para 6,91%. A taxa mundial está em 7,03%, com 3,47 milhões de casos confirmados e mais de 244 mil falecidos.

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O ministério informa também que há 48.872 casos em acompanhamento, 40.937 pacientes são considerados recuperados (42,39%) e outros 1.330 óbitos estão em investigação.

Apagão de dados

O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou em sabatina por videoconferência com senadores essa semana que não sabe e “ninguém sabe” quando será o pico da crise do coronavírus no Brasil. Pior: para ele, o país está “navegando às cegas”.

Segundo o portal IG, “na avaliação de diferentes organizações que têm compilado estatísticas públicas sobre a Covid-19 no Brasil, existe um ‘apagão’ de dados. A situação dificulta a travessia pela crise e a projeção de cenários, em especial quando se discute o afrouxar o isolamento social”.

O aspecto mais problemático está na base de notificações do Ministério da Saúde, cujo acesso está restrito a secretarias municipais e estaduais de Saúde e à Fiocruz. Há outras informações que poderiam ajudar a compor o quadro completo da crise.

“O voo às cegas se deve à própria atitude do ministério de fechar essas bases. É uma decisão que, para mim, parece estritamente política. Por que não liberar os dados para todos?”, avalia Renato Coutinho, professor de Matemática Aplicada da Universidade Federal do ABC e integrante do Observatório Covid-19 BR.

Governo piorou a comunicação

Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil, ONG que tem feito análises semanais do nível de transparência dos portais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, além da União, disse ao IG que o governo federal deveria servir de exemplo para os estados.

“A sensação depois de um mês de monitoramento é que tínhamos uma situação de absoluta escuridão, apagão mesmo. O que chama atenção é o papel do governo federal, que deveria ser liderança no processo de transparência. Embora tenha evoluído desde o início da crise, o painel de dados na internet traz uma informação muito pouco útil por ser agregada e difícil de mergulhar em detalhes. O mínimo que o governo federal deveria fazer é abrir a base de dados completas, omitindo dados pessoais, e colocar à disposição do público”, avalia Campagnucci.

Shopping têm queda de vendas

O grande debate entre restringir ainda mais a quarentena ou relaxar o isolamento dá indícios de que nem mesmo o meio termo pode ser a solução para a economia.

Há oferta, mas não há consumidor. Eles simplesmente não aparecem. Segundo relatos de lojistas de diferentes regiões do País ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, “as vendas médias têm ficado até 80% inferiores às normais. E com alguns agravantes, como a insegurança jurídica e a alta de custos”.

“Até a próxima segunda-feira (4), 73 centros comerciais deverão estar abertos no País, conforme a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Mas isso não é necessariamente alento para os lojistas”, segue.

“Ficar aberto não tem pago nem os custos de mercadoria”, disse Emiliano Silva, diretor de operações da rede de restaurantes Divino Fogão, ao jornal paulista.

O movimento nas unidades da rede em shoppings de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e em Santa Catarina está 80% abaixo do normal. Já em Betim (MG), a queda é de 73%.

Em meio a alta recorde do novo coronavírus, porém, o estado do Amazonas anuncia reabertura gradual do comércio em Manaus. O estado, com o sistema de saúde colapsado, tem 6.062 casos confirmados e 501 mortos. Os óbitos cresceram 179,5% em abril.

o governador Wilson Lima (PSC) anunciou na quinta-feira (30) plano de reabertura escalonada do comércio não essencial em Manaus daqui a duas semanas.

Números nos estados

O Maranhão decretou lockdown a partir de terça-feira (5), com o estado chegando a 3.805 casos do novo coronavírus e 224 mortos. Haverá bloqueio nas entradas e saídas da capital São Luís, com permissão apenas da circulação de cargas, e nas principais avenidas da cidade, para restringir a circulação de veículos. Haverá multas e punições para quem desobedecer a restrição.

O anúncio do lockdown no estado do Norte mostra o problema pelo qual o país atravessa. Dois estados já passaram de 10 mil casos. Outros dois, dois 8 mil, e mais 7, dos 2 mil. Os que já contaram mais de 1 mil casos são mais 7 estados. Apenas 9 deles estão na casa das centenas.

São Paulo, com 31,174 casos confirmados e 2.586 mortos, vai passar a bloquear avenidas importantes na capital do estado, para restringir a circulação. O Rio de Janeiro, com 10.546 casos e 971 mortes, viu neste feriado de 1º de Maio os calçadões das praias cheias e as pessoas pouco cumprindo qualquer tipo de distanciamento social.

Ceará, com 8.309 casos e 638 mortes, e Pernambuco, com 8.145 casos e 628 mortos, enfrentam um drama na superlotação do sistema de saúde.

Amazonas tem 6.062 casos de coronavírus e 501 vítimas fatais. O Maranhão foi a 3.805 e 224. Seguem: Pará (3.460 e 273), Bahia (3.315 e 123), Espírito Santo (2.985 e 103), Santa Catarina (2.346 e 52) e Minas Gerais (2.023 e 88).

Com mais de 1 mil casos, há o Rio Grande do Sul (1.619 e 62), Distrito Federal (1.566 e 31), Paraná (1.492 e 90), Alagoas (1.372 e 58), Rio Grande do Norte (1.366 e 59), Amapá (1.187 e 40) e Paraíba (1.034 e 74).

Os únicos estados que não chegaram aos mil casos são Goiás (825 e 30), Roraima (668 e 9), Piauí (665 e 26), Rondônia (653 e 23), Sergipe (601 e 14), Acre (553 e 22), Mato Grosso (331 e 12), Mato Grosso do Sul (266 e 9) e Tocantins (191 e 4).

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