Covid-19: Brasil passa a China em número de casos confirmados e chega a 85.380

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Maycon Nunes / Agência Pará

O ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (30) o balanço do dia dos casos do novo coronavírus. O salto em 24 horas foi mais um recorde: 7.218, elevando o total a 85.380, o que coloca o país com mais casos confirmados do que a China, onde o surto começou no final de 2019 e parecia totalmente descontrolado no começo do ano.

Com esse acréscimo, o Brasil se tornou o segundo país a mais confirmar novos casos em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que estão na casa dos 20 a 30 mil novos infectados diários.

O Reino Unido, que experimenta o pico da pandemia, está com uma taxa de 6 mil novos casos por dia.

A Rússia também está na faixa dos 7 mil casos diários, embora o número de mortos seja bem menor que o brasileiro, com 1.073.

O número de vítimas fatais no Brasil saltou para 5.901,  acréscimo de 435 novos óbitos.

A taxa de mortalidade caiu para 6,91%. Ontem era de 6,99%. No mundo, com 3,31 milhões de casos confirmados e mais de 233 mil mortes, a taxa é de 7.08%.

Teich não sabe quando vai ser pico no Brasil

Durante sabatina virtual no Senado Federal, ocorrida nessa quinta-feira (30), o ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu não saber quando será o pico da pandemia no Brasil.

“Quando vai ser o pico? Não sei e ninguém sabe”, afirmou.

“Não sou eu que não sei, ninguém sabe. Um dos problemas de você definir uma data, que se baseia num modelo, é que ela transforme uma promessa num dado real. As datas que a gente projeta hoje são meramente suposições”, disse aos senadores.

“Cada lugar vai ter uma curva e a gente precisa ver em que ponto você chegou da curva. Por que isso é fundamental? Porque a hora que começar a ter queda em alguns lugares (cidades e regiões), já será possível pensar em remanejar aparelhos para outros lugares onde a doença pode estar começando”, continuou.

Curva ascendente do coronavírus

Desde a quinta-feira (23), quando o Brasil tinha 49.492 casos confirmados, a cada dois dias, novos 10 mil infectados foram identificados. Em 9 dias, o país mais do que dobrou o número de pacientes.

A curva do país está francamente em ascensão.

As mortes também estão subindo de maneira vertiginosa. Em 9 dias, foram 115,29% de aumento no número de óbitos.

Nesse ritmo, o país deve entrar no “grupo dos 100 mil” (países com mais de 100 mil infectados) domingo (3).

O Brasil tem ainda 43.544 testes em acompanhamento, esperando o resultado, 35.935 pacientes recuperados, o que equivale a 42,09% do total, e há 1.539 óbitos em investigação.

Transplantes diminuem no país

No Brasil, pelos dados de dezembro de 2019 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), são mais 37,9 mil pacientes esperando um transplante de órgãos. Com a pandemia do novo coronavírus, a oferta de doadores e recepção de órgãos foi afetada, informa a BBC Brasil.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

“Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a diminuição no número de doadores, entre 1º de março e 18 de abril, na comparação com o mesmo período do ano passado, é de 9% e a no de transplantes, 20%”, reporta.

Segundo disse à BBC José Huygens Garcia, presidente da ABTO, a restrição de leitos em alguns Estados e cidades interfere nos procedimentos: “à medida que o coronavírus avança, são necessários mais leitos nos hospitais, inclusive na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e isso dificulta a realização dos procedimentos”.

É mais um drama colateral da crise da Covid-19.

Apesar do gargalo provocado pela doença, Garcia afirma que vários centros de transplante estão operando, porque atuam em paralelo com a pandemia, sem aceitar ou misturar pacientes da nova doença.

Números dos estados

Já são 17 estados com mais de 1 mil casos confirmados. Desses, 10 já contaram mais de 2 mil casos.

São Paulo tem 28.698 casos confirmados e 2.375 mortes. O Rio de Janeiro tem 9.453 casos e 854 óbitos. O Ceará vem na sequência, com 7.606 infectados e 482 falecimentos. Pernambuco tem 6.876 e 565; Amazonas, 5.254 e 425; e o Maranhão, 3.190 e 184.

Com mais de 2 mil casos, Pará (2.876 e 208), Bahia (2.851 e 104), Espírito Santo (2.465 e 83) e Santa Catarina (2.085 e 46).

Com mais de 1 mil testes positivos, há Minas Gerais (1.827 e 82), Rio Grande do Sul (1.466 e 51), Paraná (1.407 e 83), Distrito Federal (1.356 e 30), Rio Grande do Norte (1.177 e 56), Amapá (1.080 e 34) e Alagoas (1.044 e 47).

Os demais estados apresentam os seguintes números: Paraíba (814 e 62), Goiás (781 e 29), Roraima (519 e 7), Piauí (513 e 24), Rondônia (502 e 16), Sergipe (447 e 12), Acre (404 e 19), Mato Grosso (297 e 11), Mato Grosso do Sul (255 e 9) e Tocantins (137 e 3).

LEIA MAIS
Guedes admite emissão de moeda para combater crise do coronavírus

Sul e Sudeste devem ser regiões mais afetadas na crise, diz BC