Covid-19: Brasil registra 600 mortes em 24 horas; total chega a 7.921

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Ministério da Saúde / Twitter

O ministério da Saúde atualizou, nesta terça-feira (5), os dados da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

O país contabilizou de um dia para o outro mais 600 mortes, totalizando 7.921. É o maior número de óbitos agrupados em um só dia, desde o início da crise. Os novos casos confirmados são 6.935, o que eleva o total a 114.715 testes positivos no país.

A taxa de mortalidade no Brasil se elevou a 6,90% – ontem, era de 6,79%. No mundo, essa taxa é de 6,93%, com 3,72 milhões de casos confirmados e mais de 257 mil mortos.

O número alto de mortes contadas em um só dia é explicado pelo feriado de 1º de Maio, quando o efetivo de laboratórios e secretarias estaduais e municipais diminui. Nem todas essas pessoas faleceram de ontem para hoje. De fato, segundo o ministério da Saúde, neste dia 5, foram 25 mortes; no dia 4, mais 51; por exemplo.

Outro motivo é que a data da morte pode ter sido dias atrás, mas o teste dado como definitivo demora para sair.

No Brasil, ainda há 58.573 casos em acompanhamento, esperando o resultado final do teste, há 48.221 recuperados (ou 42,04% do total de casos) e 1.579 óbitos em investigação.

Testes de laboratórios privados

O secretário do ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, destacou que ainda há cerca de cem mil testes para o novo coronavírus realizados em laboratórios privados em todo o país que não entraram na contabilidade oficial.

“Nós ainda não temos os resultados de todos os laboratórios privados”, confirmou.

Os laboratórios precisam transferir os resultados da suas bases de dados para a base de dados do governo federal. “Pelos menos as grandes redes de laboratórios privados têm mais de cem mil exames realizados que não entraram no sistema e não dá pra precisar desses cem mil quantos são positivos”, alertou Wanderson.

De acordo com o secretário, a notificação compulsória está prevista em lei federal de 1975, então é uma responsabilidade dos próprios laboratórios, referindo-se à Lei nº 6.259.

Segundo a lei, há notificação compulsória imediata, quando o governo federal deve ser avisado em 24 horas, e a semanal, que deverá ser feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento do paciente em até 7 dias.

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Ou seja, os números brasileiros podem aumentar muito, embora o secretário não tenha detalhado se os laboratórios têm cumprido a lei e qual a taxa média de atraso dessas informações.

Quantidade de testes

O secretário Wanderson Oliveira também detalhou o montante de testes que o Brasil pretende fazer.

É sabido que entre os países mais afetados pela crise, o Brasil (9º com mais casos) é o que menos testa. São ínfimos pouco mais de 1.500 testes por 1 milhão de habitantes. Os oito países com mais infectados testam em média 26 mil a cada 1 milhão de habitantes.

Mas o ministério da Saúde promete chegar a testar 22% da população, o que daria 46 milhões de testes. Os Estados Unidos, país que mais testa no mundo, tem 7,68 milhões de exames até aqui.

“Nós adquirimos mais de 46 milhões de testes. Este volume vai representar cerca de 22% da população. Deste conjunto de testes, 24,64 milhões já foram adquiridos, pagos ou recebidos. Nós já distribuímos, só de RT-PCR (reverse transcription polymerase chain reaction, método laboratorial usado desde 1983), 1,63 milhões. Com esses 24 milhões, nós vamos testar 12% da população brasileira, o que é muito mais do que muitos países”, contou Wanderson.

“Os testes rápidos, aquele da ponta do dedo, que muitos municípios estão fazendo, são 22 milhões; e nós já distribuímos 15,8% do total, o que dá 3,47 milhões. O teste rápido é para usar a partir do oitavo dia. E o teste RT-PCR, que precisa de laboratório, equipamento, é feito até o sétimo dia (de infecção)”, complementou.

Estados decretam bloqueio total

Embora pareça tardio, levando-se em conta as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o exemplo de países europeus no combate ao novo coronavírus, alguns estados estão reforçando as medidas restritivas de circulação de pessoas, diante do caos na saúde pública.

Os governadores do Pará e do Ceará, Hélder Barbalho (MDB) e Camilo Santana (PT), respectivamente, resolveram endurecer tais medidas a partir dessa semana. Os dois se decidiram pelo bloqueio total, que ficou conhecido no mundo por lockdown.

O Pará começa na quinta-feira (7) e o Ceará, sexta-feira (8).

Ambos os estados vivem uma crise intensa na saúde. O Pará tem 4.756 casos confirmados e 375 mortes, mais do que os 4.472 casos e 369 divulgados pelo ministério da Saúde, tal a velocidade com que os testes positivos se acumulam.

Já o Ceará tem 11.470 casos do novo coronavírus 795 vítimas fatais, o terceiro pior quadro do país.

“Anuncio renovação do decreto de isolamento social por mais 15 dias em todo o Ceará, inclusive com o uso obrigatório de máscaras, e de um decreto específico para Fortaleza, com regras mais rígidas, principalmente quanto à circulação de pessoas e veículos pelos espaços públicos”, tuitou Santana nessa terça.

“Em Fortaleza haverá restrição na circulação de pessoas e veículos em espaços públicos, como praias, praças, calçadões e parques, permitida somente com devida justificativa, como busca aos serviços essenciais. Também haverá controle nas entradas e saídas da cidade. A partir de 6a”, completou.

Ainda deixou claro que os serviços essenciais, como “farmácias, supermercados, bancos, postos e outros, continuarão funcionando normalmente. Mas estarão sujeitos a novas regras para evitar aglomerações. E quem precisar sair de casa, será obrigatório o uso de máscara”.

No Pará, Hélder Barbalho lamentou o baixo isolamento social: “lamentavelmente a taxa de isolamento no Pará ontem (4) foi de 48,27%. Portanto, vamos ter que fazer a ampliação das medidas decretadas. Já estou dialogando com os prefeitos das cidades com maior índice de contaminação, para que, juntos, possamos definir novas regras de restrição”.

Os municípios que serão fechados são: Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara, Santa Isabel do Pará, Castanhal, Santo Antônio do Tauá, Vigia de Nazaré e Breves.

As medidas são bloqueios em vias públicas, principalmente nas divisas entre os municípios, para restringir a circulação de pessoas e veículos; proibição de circulação livre por locais ou espaços públicos, como ruas, praias, praças e calçadões, salvo por atividades consideradas essenciais, tais como ir ao mercado comprar alimentos ou itens de primeira necessidade.

Coronavírus: números nos estados

O ministério da Saúde mudou a forma de divulgação dos dados. Passou a atualizar os números nacionais às 19h e não mais às 16h ou 17h, como vinha ocorrendo.

Acontece que as secretarias estaduais de saúde, logo após a divulgação da pasta federal, já tinham novos números para apresentar. E não eram poucos. Mas nem assim foi possível evitar a diferença. Enquanto o ministério oficializa 114.715 casos do novo coronavírus e 7.921 mortes, as secretarias já contam 115.476 infectados e 7.938 óbitos.

São Paulo tem 34.053 casos e 2.851 óbitos. O Rio de Janeiro tem 12.391 e 1.123 vítimas fatais. E o Ceará, 11.470 pessoas que testaram positivo, com 795 mortos. Esses três estados passaram de 10 mil casos.

Pernambuco, com 9.325 infectados e 749 mortes, e Amazonas, com 8.109 casos e 649 falecidos, estão bem perto.

Acima de 4 mil casos são três estados: Maranhão (4.530 e 271), Pará (4.472 e 369) e Bahia (4.040 e 146). O Espírito Santo tem 3.402 e 133.

Com mais de 2 mil casos, há Santa Catarina (2.623 e 55) e Minas Gerais (2.452 e 94). O Rio Grande do Sul passou hoje a receber os resultados de testes rápidos e a secretária estadual já informa 2.019 casos e 83 mortos, mas o ministério da Saúde contabilizou ainda apenas 1.815 e 79.

Com mais de 1 mil casos do coronavírus, há o Amapá (1.931 e 55), Distrito Federal (1.818 e 33), Alagoas (1.606 e 80), Paraná (1.588 e 99), Rio Grande do Norte (1.536 e 68) e Paraíba (1.361 e 85).

Os demais estados são: Goiás (922 e 38), Sergipe (898 e 21), Piauí (875 e 29), Roraima (869 e 11), Rondônia (861 e 29), Acre (817 e 29), Mato Grosso (365 e 13), Tocantins (303 e 7) e Mato Grosso do Sul (283 e 10).

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