Coronavírus: América Latina e Caribe podem ter pior resultado econômico desde 1930, diz Cepal

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / Cepal

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), prevê que a pandemia do novo coronavírus já impacta as economias da América Latina e do Caribe de tal forma que levará à pior contração que a região sofreu desde 1930. As estimativas são de uma contração média de menos 5,3% para 2020.

Em 1930, em decorrência da quebra da Bolsa de Nova York, a queda foi de 5% nos países da América Latina e Caribe. Em 1914, a queda foi de 4,9%.

A secretária-executiva CEPAL, a mexicana Alicia Bárcena, apresentou nesta quinta-feira (21) uma nova edição de seu relatório conjunto em espanhol “Conjuntura Laboral na América Latina e o Caribe: o trabalho em tempos de pandemia – desafios frente à doença do coronavírus (COVID-19)”, abordando os desafios representados pela pandemia para o trabalho nos países da região.

O relatório foi elaborado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Emprego em tempos de coronavírus

Antes da pandemia, a região já mostrava baixo crescimento, de 0,4% de 2014 a 2019. Mas nada comparável com agora, com a economia global paralisada pela pandemia.

O emprego será afetado duramente, com redução de horas, de salários e aumento de desemprego no trabalho formal. O trabalho informal é afetado diretamente pelas restrições de circulação.

As mulheres são as mais vulneráveis, com maior participação no setor informal e menores salários, além de serem afetadas por sua maior participação no setor de saúde.

“Elas são afetadas por longas jornadas de trabalho, maior exposição ao vírus e menores probabilidades de realizar teletrabalho, porque não têm o mesmo acesso à tecnologia que os homens. Há também a sobrecarga de trabalho, por serem responsáveis pelo cuidado com os filhos e a casa, e, agora responsáveis também pela teleducação, pois são as mulheres que apoiam as crianças que estão fora da escola. Existe ainda o aumento de casos de violência doméstica”, enumerou Bárcena.

O relatório aponta ainda que os setores de turismo, comércio, manufaturas, imobiliário e entretenimento são os mais afetados, com consequências brutais no emprego. Se estima que 42,4% dos trabalhadores estão nesses setores.

As micro e pequenas empresas concentram 46,6% do total de empregados na região.

A taxa de desemprego pode chegar a 11,2% em toda a região. Em 2019, essa taxa ficou em 8,1%, o que corresponde a cerca de 37,7 milhões de desempregados. A consequência imediata é o aumento na quantidade de pobres: quase 30 milhões a mais de pessoas na linha da pobreza, chegando a 215 milhões de indivíduos nessa situação.

Renda básica

A Cepal propõe renda básica de emergência “equivalente a uma linha de pobreza” durante seis meses, para necessidades básicas e estiumular o consumo. A proposta é de US$ 143 (de 2010) para cada indivíduo.

Seria um gasto adicional de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para atender a todas essas 215 milhões de pessoas que estariam em situação de pobreza. O gasto atual gira em torno de 0,7% do PIB.

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Alicia Bárcena disse acreditar que “os países estão analisando com cuidado essa renda básica de emergência para ver como implementar e qual parcela da população poderão abarcar”.

“Acho que o que aconteceu no Brasil foi muito interessante, pois foi o Congresso que indicou isso e deu viabilidade a uma proposta antiga do ex-senador Eduardo Suplicy (PT), que foi muito importante. É uma mostra de que, sim, se pode”, afirmou.