Coreia do Sul: pacientes considerados recuperados testam positivo novamente para Covid-19

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reuters / Agência Brasil

A Coreia do Sul, país tido como um dos mais efetivos na luta contra o avanço do novo coronavírus, apresentou nessa sexta-feira (10) uma informação bastante preocupante: 91 pacientes considerados recuperados do Covid-19 testaram positivo novamente.

Jeong Eun-kyeong, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC), disse que o vírus pode ter sido “reativado” e não que as pessoas tenham sido reinfectadas.

Autoridades de saúde sul-coreanas, porém, ainda investigam as causas dessa “reinfecção”.

Preocupação mundial

Como o novo coronavírus ainda é patógeno desconhecido da comunidade internacional, em termos de comportamento, casos de “nova infecção” são vistos com preocupação. Já havia acontecido no Japão, pontualmente, em fevereiro. Agora, esses casos em massa na Coreia.

A ciência espera que pessoas já infectadas e curadas desenvolvam imunidade suficiente para impedir uma nova infecção e, uma vez controlada a epidemia em determinada comunidade, que ela se reative e a pandemia volte.

No país, 7.368 são consideradas recuperadas da doença. É 70% dos 10.512 coreanos que testaram positivo desde o começo do surto, um número considerado muito bom.

Desse total, 214 morreram, numa taxa de mortalidade de 2,03%, bem mais baixa do que a mundial, de 6,19%.

Hoje, a Coreia tem o surto minimamente sob controle. Há uma média de 3 mortes diárias e 30 novos casos.

Coreia prevê aumento

“O número só aumentará, 91 é apenas o começo”, disse à Reuters Kim Woo-joo, professor de doenças infecciosas no Hospital Guro da Universidade da Coréia.

Mas Kim, assim como o diretor do KCDC, disse que os pacientes provavelmente “recidivaram” (a doença reapareceu) em vez de serem reinfectados.

Outras possibilidades

Há outras possibilidades a serem investigadas.

Uma delas referem-se a falsos negativos nos testes de cura.

Também há a linha em que pedaços do vírus se mantém no sistema imunológico dos pacientes recuperados, mas sem capacidade de transmitir a infecção. Nessa situação, ninguém sabe como o vírus pode evoluir.

“Existem diferentes interpretações e muitas variáveis”, disse também à Reuters Jung Ki-suck, professor de medicina pulmonar no Hospital do Coração Sagrado da Universidade Hallym.

“O governo precisa apresentar respostas para cada uma dessas variáveis”.

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