EconomiaNotícias

Coreia do Norte quer utilizar a alta tecnologia para ampliar seu poder e reestruturar a economia

Nos últimos meses, a mídia estatal do país asiático tem feito publicações sobre as inovações tecnológicas. Contudo, quais são as reais limitações norte-coreanas?

Avalie este artigo!

A Coreia do Norte tem o costume de ostentar bastante o seu aparato militar, contudo, nos últimos tempos tem apresentado grandes progressões em tecnologias civis, é o que aponta a versão oficial norte-coreana.

7077048 x720 1024x576 - Coreia do Norte quer utilizar a alta tecnologia para ampliar seu poder e reestruturar a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet
Apesar de ser bastante complicado confirmar essas informações e dimensionar quais as reais limitações tecnológicas deste que é um dos países mais fechados do mundo e que está sob sanções internacionais, percebe-se a grande importância que o país tem dado à tecnologia nos últimos tempos. Tal ênfase no setor tecnológico mostra o desejo que a Coreia do Norte possui de utilizar a tecnologia na melhora de sua economia, um dos objetivos-chave do líder supremo do país, Kim Jong-un.

Nos últimos meses, a mídia estatal norte-coreana vem celebrando de forma pública as diversas conquistas tecnológicas do país, inclusive a criação de um sistema de casa inteligente.

Domínio tecnológico

Entre os últimos projetos da área de tecnologia da Coreia do Norte está o novo serviço de wi-fi denominado Mirae. Tal sistema permite que as pessoas acessem a internet estatal por meio de dispositivos móveis na capital Pyongyang.

O serviço foi apresentado por meio do canal estatal Korean Central Television no último dia oito de novembro.

escola na coreia do norte gettyimages 1028719934 1024x576 - Coreia do Norte quer utilizar a alta tecnologia para ampliar seu poder e reestruturar a economia
Crédito da imagem: Getty Images

De acordo com o site norte-americano de monitoramento da Coreia do Norte, o 38North, essa foi a primeira vez em que um serviço desse tipo foi mencionado pela mídia do país asiático.

Na ocasião também foi exibido um sistema de casa inteligente que, por meio de comandos de voz, permite operar aparelhos eletrônicos tais como ar-condicionado, luminárias, televisores e ventiladores.

O sistema é desenvolvido pela Universidade Kim Il-sung que, pelo que se pode perceber, deve estar à frente dos esforços norte-coreanos nesse seguimento.

O site de propaganda DPRK Today fez uma divulgação no último dia 21 de novembro em que apontou o desenvolvimento de diversos sistemas de inteligência artificial pelos pesquisadores de Kim Il-sung, inclusive um programa capaz de reconhecer a língua coreana.

De acordo com um artigo publicado pelo Rodong Sinmun, o jornal do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, uma ardente ambição de supremacia na área de inteligência artificial tomou conta do Instituto de Tecnologia da Universidade norte-coreana, que deseja contribuir para o desenvolvimento de uma indústria de tecnologia e inteligência artificial no país.

Segundo Martyn Williams, redator do blog “North Korea Tech”, os serviços que foram citados pela mídia norte-coreana são reais e podem estar sendo utilizados pelas pessoas na capital do país.

Williams ainda aponta que a Coreia do Norte conta com engenheiros de software bastante talentosos, logo, os sistemas destacados nos relatórios publicados devem ser efetivamente reais.

“Quarta Revolução Industrial”

A força que está por trás desses investimentos em tecnologia demonstram uma reestruturação da economia e um impulso ao “poder nacional”, conforme relatos internos do país asiático.

Em uma reunião de seu partido realizada em abril deste ano, o líder Kim Jong-un explicou que a ciência e a educação devem servir de “base para a construção estatal” e, também, como “um importante índice de força nacional”.

Como uma parte dos esforços do país em criar uma comunidade científica, a Coreia do Norte tem oferecido diversos incentivos a cientistas e engenheiros, dentre eles, apartamentos exuberantes e outros privilégios.

Coreia 1024x702 - Coreia do Norte quer utilizar a alta tecnologia para ampliar seu poder e reestruturar a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Recentemente o jornal Rodong Sinmun publicou um artigo escrito por Ri Ki-song, professor do Instituto de Economia na Academia de Ciências Sociais. No referido artigo, o professor explica que a economia do país deveria mudar para algo que tivesse como base o conhecimento e o desenvolvimento de tecnologia, biotecnologia, nanotecnologia e demais tecnologias consideradas de ponta, isso de uma maneira que fosse globalmente competitiva.

No mesmo jornal, porém no dia 8 de dezembro, outra publicação trazia a informação de que a economia do país asiático está apresentando um desenvolvimento em uma direção mais inovadora do que nunca e, além disso, irá priorizar o desenvolvimento de ciência e tecnologia.

Mas o país tem toda essa capacidade?

A pergunta que não quer calar é se a Coreia do Norte está na direção de se tornar uma poderosa nação no ramo de inovação.

Diferentemente do que acontece na Coreia do Sul, o vizinho do norte não é tão conhecido por seus avanços tecnológicos, logo, é preciso ter algum grau de ceticismo nessa análise.

Segundo Williams, do blog Nort Korea Tech, a Coreia do Norte não possui muita força no que tange à manufatura avançada, portanto, os telefones e computadores, que são apresentados como nacionais, normalmente são produzidos na China.

Antes de terminar a leitura, experimente o nosso teste de perfil!

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

The Mansudae Housing Complex and Ryugyong Hotel in the distance 11641467033 1024x526 - Coreia do Norte quer utilizar a alta tecnologia para ampliar seu poder e reestruturar a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Em maio de 2018, uma empresa de softwares antivírus chamada Tren Micro, do Japão, alegou que os norte-coreanos haviam feito uma cópia ilegal de sua propriedade intelectual ou código-fonte de um de seus antivírus.

Além disso, no ano de 2017 a mídia norte-coreana se apossou do termo “iPad”, que pertence a norte-americana Apple, para dar nome a um tablet que foi desenvolvido localmente.

As limitações no que tange a tecnologia na Coreia do Norte ainda vão além. Segundo um relatório divulgado em 2017 pelo Seul Korea Devolopment Bank, existe a possibilidade de que a tecnologia de inteligência artificial da Coreia do Norte dê “de cara com a parede” por conta de recursos financeiros, da situação econômica do país e das sanções internacionais.

Mesmo com a derrubada de tais sanções, conforme aponta Williams, vários países e empresas ainda podem preferir evitar a realização de negócios junto a Coreia do Norte, pois isso pode refletir em algo negativo para a sua imagem.

O blogueiro também acredita que os grandes investimentos das empresas sul-coreanas têm como base o “encorajamento governamental”.

No último mês de novembro, um grupo de autoridades norte-coreanas seniores fez uma visita a um hub de tecnologia da Coreia do Sul chamado Pangyo Tecnho Valley. Na ocasião aprenderam sobre diversas tecnologias como carros autônomos, impressão em 3D, inteligência artificial e desenvolvimento de games.

Outro obstáculo, segundo Williams, pode ser a “paranoia” que a Coreia do Norte possui em relação ao vazamento de informações acerca de novas tecnologias. Ele também aponta que a maior esperança da parte do governo norte-coreano é que uma abertura gradual seja capaz de satisfazer a ansiedade das pessoas sobre informações de uma melhor qualidade de vida, além de controlar o país. Trata-se de um equilíbrio bastante delicado, aponta o blogueiro.

Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

Artigos Relacionados

Close