Copom, produção industrial, varejo e payroll estão na agenda da semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

A primeira semana de maio terá anúncios de indicadores de peso. Fazem parte do calendário econômico dados da produção industrial, vendas do varejo e as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) que vão definir a taxa Selic.

Selic é o tema da semana e projeção é por alta para 3,5%. Entenda a taxa

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Estão no radar nesta semana, ainda, os números da balança comercial brasileira de abril, da Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores) e Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), sobre o vendas de veículos, e o Índice Commodities Brasil (IC-Br).

Além deles, serão divulgados indicadores de inflação: a FGV, Fundação Getulio Vargas, solta o IGP-DI e a Fipe, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o IPC de abril.

Todos esses números podem indicar o ritmo de recuperação da economia, em meio à crise causada pela pandemia.

Gigantes soltam balanços

A agenda corporativa será recheada de resultados esperados pelos investidores: saem nos próximos cinco dias os balanços de gigantes como o Itaú (ITUB4), Azul (AZUL4), B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), Petro Rio (PRIO3), Localiza (RENT3), Minerva (BEEF3), Ambev (ABEV3), Gerdau (GGBR4), Lojas Americanas (LAME4), Banco do Brasil (BBAS3), Tim ((TIMP3), GPA (PCAR3) e Braskem (BRKM5).

Veja o calendário completo de balanços 

O calendário internacional inclui também outros pontos de atenção. Serão divulgados o PMI industrial mensal da Zona do Euro e dos Estados Unidos (na segunda, 3), os números da balança comercial dos EUA (na terça, 4) e o payroll, com os dados do emprego do mês de abril (na sexta, 7).

COEs crescem e viram opção para diversificar investimentos

Bolsa: maio inicia após abril fechar no azul

A bolsa de valores terminou abril no positivo, com mais 1,94%. O Ibovespa fechou o mês aos 118.893,84 pontos.

Na última sexta, o Ibovespa apresentou na mínima 118.893,84 pontos (-0,98%); e na máxima, 120.124,61 pontos (+0,05%).

Veja como foi o desempenho da bolsa na última semana e como fecharam os índices nos últimos meses e no acumulado do ano:

  • segunda-feira (26): +0,05% (120.594,61 pontos)
  • terça-feira (27): -1,00% (119.388,37 pontos)
  • quarta-feira (28): +1,39% (121.052,52 pontos)
  • quinta-feira (29): -0,82% (120.065,75 pontos)
  • sexta-feira (30): -0,98% (118.893,84 pontos)
  • semana: -1,36%
  • abril: +1,94%
  • março: +6,00%
  • fevereiro: -4,37%
  • janeiro: -3,32%
  • 2021: -0,10%

Na semana seguinte, Brasília estará no centro do noticiário por causa dos desdobramentos da CPI da Covid. A comissão ouvirá os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich na terça (4), Eduardo Pazuello na quarta (5), além do atual ocupante da pasta, Marcelo Queiroga na quinta (6).

Além da agenda de indicadores, com Copom, payroll, balanços das gigantes brasileira e produção industrial, investidores também estarão de olho em outras pautas no Congresso, Aguarda-se, por exemplo, o parecer da reforma tributária, que o presidente da Câmara Arthur Lira cobrou para segunda (3).

Lira também afirmou que o Congresso poderá votar na terça um projeto de “readequação” do Orçamento, revisando cortes que ele chamou de “inadequados”. A ver de onde pretendem tirar o dinheiro.

Nova York: lucros e otimismo cauteloso

Em Nova York, a sessão de sexta refletiu a realização de lucros para as bolsas americanas, em cenário de novos indicadores apontando para recuperação forte dos EUA, o que ajudou a elevar o dólar ante pares e a derrubar o petróleo.

Big Techs Google, Apple, Amazon e Microsoft faturam R$ 1,6 trilhão no 1º trimestre

O dólar subiu nesta sexta e encerrou o mês com queda de 3,49%. A moeda norte-americana avançou hoje 1,79%, valendo R$ 5,4320.

Os Estados Unidos reportaram também que o consumo de março deu um salto de 4,2%, melhor do que o esperado. A renda pessoal aumentou em 21,1%, em meio a mais estímulos fiscais.

A marca de 100 milhões de americanos vacinados tem aumentado o otimismo no mercado, mas os balanços das big techs, na última semana, não impulsionaram as bolsa em Nova York, que fecharam mistos na semana.

Os principais índices caíram nesta sexta-feira (30), mesmo com o balanço de lucro recorde reportado pela gigante Amazon (AMZO34).

A Amazon, a última das empresas de tecnologia de mega capitalização de Wall Street a publicar resultados, relatou que os lucros mais do que triplicaram, para US$ 8,1 bilhões. Os resultados da Amazon mostraram que a demanda permaneceu forte por seu enorme negócio de varejo online, mesmo quando a economia começou a sehttps://www.euqueroinvestir.com/engi11-consumo-energia/ abrir.

O Twitter, por sua vez, moveu-se na direção oposta nos resultados de crescimento do usuário e na orientação de receita do segundo trimestre que ficaram aquém das previsões dos analistas. A plataforma de mídia social disse que os usuários ativos diários monetizáveis ​​totalizaram 199 milhões durante os três meses encerrados em 31 de março e relatou um lucro por ação de 16 centavos.

Nesta semana, saem balanços aguardados, como os da Pfizer (PFIZ34), General Motors (GMCO34, Uber (U1BE34).

Na segunda (3), o mercado estará de olho no discurso do presidente do Fed Jerome Powell, que deve dar mais pistas sobre a política monetária americana quase uma semana depois do anúncio da taxa de juros do país.

Veja como fecharam os principais índices em Nova York na última semana:

  • S&P: +0,02%
  • Nasdaq: -0,39%
  • Dow Jones: -0,49%

Pregões inesquecíveis: relembre os fatos que levaram euforia e desespero às bolsas

Copom: taxa Selic deve aumentar novamente

Começa na terça a primeira das duas reuniões do Copom que vão definir, na quarta (5), a taxa Selic.

Em 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic de 2% para 2,75% ao ano.

Subida da Selic: como investir diante do novo cenário

Naquela ocasião, em meio ao aumento da inflação de alimentos que começava a estender-se por outros setores, o BC subiu os juros básicos da economia pela primeira vez em quase seis anos.

Na próxima quarta, a expectativa é de o BC eleve mais uma vez a Selic em 0,75 ponto percentual, em linha com a comunicação oficial desde o encontro de março.

A percepção geral é a de que o Copom vai manter a indicação que foi feita em sua última ata e vem sendo repetida por seus representantes desde então em entrevistas e eventos: salvo com mudança muito brusca do cenário em relação à inflação ou a riscos ao teto de gastos, o compromisso é promover um novo aumento de 0,75 ponto porcentual (repetindo exatamente a alta da última definição do comitê).

Apostas

A maior parte dos economistas acredita que o BC siga esse caminho, de acordo com a pesquisa conduzida pelo jornal Valor Econômico com 98 instituições e consultorias.

Do total, 96 esperam que a Selic sairá dos atuais 2,75% e atingirá 3,50% na semana que vem, enquanto duas apenas casas estimam uma elevação maior do juro básico, de 1 ponto percentual, para 3,75%.

Divergências nas casas existem em relação para onde vai a Selic até dezembro deste ano. As apostas vão de 4,5% até 6,5% na pesquisa do Valor. Para o BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, a Selic termina o ano em 5,5%.

O último Boletim Focus, do Banco Central, que traz as projeções do mercado financeiro para os principais indicadores do país, trouxe um novo aumento para a Selic, taxa básica de juros, em 2021. Houve revisão da taxa para 2022 e 2024 também.

Até dezembro deste ano, entende agora o mercado, a Selic deve chegar a 5,50% – até a semana de 19 de abril, a projeção era de 5,25% e, há cinco semanas, 5%.

Para a reunião que começa na próxima terça, o mercado quer captar mensagens exatamente sobre a trajetória da Selic até o final do ano. Isso porque, se aproximando dos 6%, o Copom estaria abandonando uma política estimulativa. Ela foi adotada até aqui em decorrência da pandemia, mas retornaria ao que seria uma normalização dos juros.

Para a próxima reunião, o Copom adiantou, em ata no dia 23 de março, que deverá promover novo aumento na Selic. Poderá pesar a mão novamente, a depender de fatores como o desenrolar da pandemia da Covid-19 e o prolongamento das políticas fiscais, que podem elevar os riscos.

“Em última instância a decisão segue dependente de atividade, balanço de riscos e projeções de inflação”, aponta um trecho do relatório..

Produção industrial no Brasil

Saem na próxima quarta (5) os números da produção industrial do país em março, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

A indústria brasileira teve uma queda de 0,7% na produção em fevereiro, na comparação com janeiro. A produção industrial recuou em dez dos 15 locais pesquisados pelo IBGE em fevereiro.

A retração interrompeu um período de nove altas consecutivas, em que o setor teve um crescimento de 41,9%. Mesmo assim, no acumulado em 12 meses, de março de 2020 a fevereiro de 2021, a produção apresenta recuo de 4,2%.

Quando comparado com o mesmo mês de 2020, fevereiro de 2021 teve alta de 0,4% na produção industrial. A variação positiva interanual foi a sexta seguida.

O resultado negativo de fevereiro em relação a janeiro se deu nas indústrias de bens de capital (-1,5%) e de bens de consumo (-1,1%), enquanto a de bens intermediários teve alta de 0,6%. Em 12 meses, as três categorias têm retração, com destaque para os bens de consumo, que caíram 9%.

As atividades que mais influenciaram o recuo na produção em fevereiro foram veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,2%) e indústrias extrativas (-4,7%). Para ambas, a queda interrompeu meses consecutivos de alta, que chegam a nove no caso da indústria automobilística. Ao todo, 14 atividades industriais tiveram retração na produção em fevereiro.

O resultado negativo em fevereiro foi puxado principalmente pelo desempenho de São Paulo (-1,3%), em razão de reduções na produção da indústria alimentícia e na de derivados de petróleo.

Em segundo lugar em influência ficou o Pará, que teve queda de 7,4%, em grande parte devido à indústria extrativa.

Ceará (-7,7%) e Bahia (-5,8%) também assinalaram retrações acentuadas na passagem de janeiro para fevereiro de 2021.

No lado positivo, a principal influência foi o Rio de Janeiro, com 1,9% de crescimento – a quarta taxa positiva consecutiva para a indústria fluminense. O crescimento foi influenciado pelo setor de metalurgia e de veículos automotores.

Vendas no varejo

Sexta será anunciada a Pesquisa Mensal do Comércio pelo IBGE, que aponta as vendas no varejo. Os  divulgados vão mostrar o desempenho do setor no mês de março.

Em fevereiro, ainda sem o impacto das medidas restritivas da maior parte das capitais em virtude do agravamento da pandemia, as vendas no varejo apontaram crescimento, depois de dois meses consecutivos com variações negativas.

O comércio varejista avançou 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou pouco abaixo do consenso, de alta de 0,7%.

Dessa forma, o varejo ficou, em fevereiro, no mesmo patamar de setembro de 2020 e 0,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

Entre maio e outubro de 2020, o comércio havia mostrado forte crescimento. Porém, o cenário se reverteu em dezembro, com o fim do auxílio emergencial.

Já em fevereiro, a volta do orçamento mensal das famílias a uma maior normalidade e o retorno dos alunos às escolas fez aquecer as compras de material escolar.

Em março, porém, os números devem indicar os efeitos das medidas de restrição, que fecharam shoppings e o comércio em geral – que só voltaram a reabrir no final de abril, após uma pequena retração dos casos de Covid-19 e diminuição da ocupação dos leitos em hospital, constatadas pelas autoridades. As medidas de flexibilização só devem impactar os números de abril, preveem analistas.

Payroll

Os números do payroll —  o relatório de emprego com a folha de pagamentos oficial não-agrícola dos Estados Unidos –, sempre aguardados com expectativa pelo mercado, serão anunciados pelo Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho americano.

Espera-se mais recuperação do emprego no país, em meio ao avanço da vacinação (metade da população adulta foi imunizada) e determinações e medidas para flexibilizar a economia no país.

A reação do mercado de trabalho foi mencionado pelo relatório do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), que na última quarta (28) manteve as taxas de juros entre zero e 0,25%.

A decisão, aguardada pelo mercado, foi por unanimidade. A espera dos investidores era pelo comunicado do Fed. No texto que pautou a reunião do comitê, o Fed disse que, com “o progresso na vacinação e apoio político, os indicadores econômicos melhoraram. A trajetória da economia depende da evolução do vírus e da vacinação.”

“Em meio ao progresso nas vacinações e forte apoio às políticas, os indicadores de atividade econômica e emprego se fortaleceram”, disse o comitê do Fed. que ponderou que não é o momento de modificar a política monetária: “A pandemia continua causando tremendas dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos. Setores mais afetados pela pandemia seguem fracos, mas melhoraram.”

Por isso há uma expectativa ainda maior em torno dos dados de abril do payroll.

O crescimento de empregos nos EUA disparou em março no ritmo mais rápido desde agosto de 2020, conforme informou o Departamento do Trabalho americano, nesta sexta-feira (02).

O país criou 916 mil empregos no mês, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6%.

O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava a abertura de 675 mil postos de trabalho. Já o nível de desemprego ficou em linha com o consenso de mercado.

Segundo relatório, o crescimento econômico mais forte e um esforço agressivo de vacinação contribuíram para um aumento nos empregos de hotelaria e construção.

Veja os destaques da agenda ao longo da semana.

Segunda-feira (3)

  • FIPE: IPC (abril), às 5h
  • Zona do Euro: Índice PMI Markit da indústria de transformação (abril), às 5h
  • Boletim Focus, à 8h25
  • Markit: Índice PMI da indústria de transformação (abril), às 10h
  • EUA: Índice ISM da indústria de transformação (abril), às 11h
  • MDIC: Balança comercial mensal (abril), às 15h
  • Federal Reserve: discurso do presidente Jerome Powell, às 15h20

Terça-feira (4)

  • IBGE: Índice de Preços ao Produtor – indústrias de transformação (março), às 9h
  • EUA: Balança comercial mensal (março), às 9h30
  • Fenabrave: Emplacamentos de veículos (abril)
  • IPO Infracommerce

Quarta-feira (5)

  • Zona  do Euro: Índice PMI Markit composto (abril), às 5h
  • IBGE: Pesquisa Industrial Mensal (março), às 9h
  • IBGE: Pesquisa Industrial Mensal (mar), às 9h
  • EUA: Geração de vagas de trabalho – pesquisa ADP (abril), às 9h15
  • Brasil: Markit: Índice PMI composto, às 10h
  • Brasil: Markit: Índice PMI do setor de serviços (abril), às 10h
  • EUA: Índice ISM do setor de serviços (abril), às 11h
  • BCB: Fluxo Cambial (semanal), `14h30
  • BCB: Índice Commodities Brasil (IC-Br), às 14h30
  • BCB: Anúncio da taxa Selic, às 18h30
  • IPO Petrorecôncavo

Quinta-feira (6)

  • Reino Unido: Banco Central anunciará decisão de política monetária, às 8h
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 9h30

Sexta-feira (7)

  • FGV: IGP-DI (abril), às 8h
  • IBGE: Pesquisa Mensal de Comércio (março), às 9h
  • Anfavea: Produção e venda de veículos
  • EUA: Variação na folha de pagamentos (abril), às 9h30

*Com Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo