Copom, prévia do PIB, Biden e indicadores da China agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na terça (19) e quarta (20), para o primeiro anúncio sobre a taxa Selic em 2021.

A divulgação do BC se sobressai entre os eventos da agenda econômica no país desta semana. Mas o calendário, mais vazio que de costume, terá outros pontos de atenção.

O BC também vai apresentar o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), tido como a prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

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Na agenda externa, destaque para a divulgação dos indicadores de atividade na China. Os números podem apontar crescimento em 2020, mesmo com a pandemia.

Números da China e posse de Biden

Na quarta (20), haverá o posse do presidente Joe Biden, substituindo Donald Trump — sem a presença dele na cerimônia, como anunciado.

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Os investidores estão de olho no que virá a partir dessa data, em temas que vão do pacote de quase US$ 2 trilhões de estímulo à economia ao plano de vacinação, anunciados na última semana.

O plano contra a crise sanitária deverá ainda passará pelo crivo do Congresso, que terá em 2021 a maioria democrata.

O debate em torno da agenda do novo presidente será feito em meio à discussão sobre o impeachment de Trump, aprovada na última quarta (13) — uma semana após uma multidão invadir o Capitólio e interromper a certificação formal da vitória de Biden, na eleição de 3 de novembro.

Trump foi acusado formalmente de incitar uma insurreição contra o governo dos Estados Unidos.

Os democratas temem que o tema do impeachment atrapalhe o inicio da gestão Biden e podem adiar votação e tramitação para alguns meses.

Bolsa perde força após semanas de altas

O noticiário da semana anterior foi sombrio e chocante, afetado pelo aumento de casos de coronavírus em patamar global – os óbitos, por exemplo, superaram 2 milhões, segundo dados da universidade Johns Hopkins.

Os EUA vêm batendo recordes assustadores de aumento de contágios.

Países como Portugal e Reino Unido intensificaram medidas para frear a disseminação da Covid-19, incluindo lockdows.

Além do cenário apavorante da crise sanitária, o mercado ficou apreensivo com o pacote de Joe Biden. O novo chefe na Casa Branca deve enfrentar dificuldades no Congresso.

Possíveis aumentos de impostos para financiar os recursos para combater a pandemia preocupam os investidores.

Primeira semana de 2021 no negativo

No Brasil, a semana foi marcada pela situação crítica e absurda da falta de insumos e de oxigênio em Manaus, com colapso no sistema hospitalar, em um período de agravamento da crise sanitária em todo o país – mais de 15 estados com números de alta de contaminações.

Isso levou a um bate-boca político de jogo de culpa sobre a falta de estratégia de vacinação, ainda indefinida.

Por todos esses motivos, a bolsa de valores brasileira fechou a primeira semana cheia no negativo desde outubro de 2020.

Nos cinco pregões entre 11 e 16 de janeiro , a bolsa perdeu 3,80%.

Entre 26 e 30 de outubro, a perda foi de 7,22%. Depois disso, predominou o azul, com exceção da curta semana do Natal, com três pregões apenas, e uma leve perda acumulada de 0,18%.

Vacinação: incertezas

Duas vacinas — AstraZeneca e Coronavac — tiveram o uso aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste domingo (17).

O governo federal promete começar a vacinação no país na próxima quarta (20), enquanto o governador de São Paulo disse que a imunização terá início nesta segunda (18).

Antes da aprovação da Anvisa o clima era de desconfiança com o processo.

Investidores acompanharam ressabiados o governo federal e o vaivém de informações sobre o início da vacinação nesta semana.

O Ministério da Saúde informou que uma aeronave da Azul levou cilindros de oxigênio para Manaus neste sábado (16).

O avião era o mesmo que viajaria à Índia nesta semana para buscar vacinas da AstraZeneca/Oxford contra o coronavírus, mas teve a partida adiada após fracasso nas negociações entre os governos brasileiro e indiano.

Por que a vacinação em massa é fundamental para a retomada econômica

Nesta sexta-feira (15), o Ibovespa caiu 2,54%, fechando em 120.348,80 pontos, acompanhando mais um dia negativo em Wall Street, com os três principais índices reforçando as quedas de ontem.

Em janeiro, a alta acumulada é de 3,02%o.

Após Biden anunciar o pacote de estímulo à economia local de US$ 1,9 trilhão, o os investidores resolveram realizar lucro, prevendo que essa conta deverá ser paga na forma de mais impostos.

È o que pode levar a uma disputa no Congresso para aprovação total do pacote, mesmo com a maioria democrata em ambas as casas legislativas.

Um outro projeto, focado em mudança climática e infraestrutura, deve ser apresentado em fevereiro, promovendo mais gastos do governo federal.

Houve uma boa notícia na agenda econômica do país: a produção industrial dos EUA teve variação positiva de 1,6% em dezembro, acima da projeção de 0,50%. Na comparação anual, há queda de 3,6%, ante queda de 5,50% do mês anterior.

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Dólar

O dólar se recuperou um pouco nesta sexta. A moeda norte-americana subiu 1,81%.

Nas primeiras semanas de 2021, o dólar avançou 2,32% frente ao real. Os investidores estão prudentes com o risco em razão do crescimento dos números da pandemia.

Além de seguir o exterior, o dólar volta a se ajustar à tensão do ambiente político, com a crise de Manaus colocando boa parte da opinião pública contra Bolsonaro, lembra o BDM Online.

As dúvidas sobre o início da vacinação, com notícias desencontradas sobre a chegada das doses da AstraZeneca da Índia, também entraram nessa conta.

Além disso, é claro, existe a necessidade cada vez mais evidente de novos lockdowns e rodada de auxílio emergencial, sem condições fiscais para tanto.

Copom e taxa Selic

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou na próxima quarta (20) se irá manter a taxa Selic em 2% ao ano, patamar que representa a mínima histórica.

Analistas do mercado preveem que a Selic irá permanecer nesse nível nas reuniões desta semana, as primeiras do ano.

Vejamos o cenário que os membros do comitê do BC irão analisar,

Contra as projeções, a inflação fechou o ano de 2020 em 4,52%, a maior alta desde 2016.

Em dezembro, ela acelerou para 1,35%, a variação mais intensa desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%). A divulgação foi feita nesta terça (12), pelo IBGE.

Como consequência, os juros futuros dispararam. Eles representam uma estimativa do mercado para o valor dos juros em um momento futuro, podendo ser meses ou anos.

Atualmente estão em tendência de alta, devido ao cenário de instabilidade e alta inflacionária. Na prática, os juros sobem quanto maior a percepção de risco dos investidores.

De acordo com o Focus, a Selic, taxa básica de juros, deve chegar a 3,25% até o final deste ano e a 4,75% em 2022 — e 6% em 2023.

Ainda assim, o próprio Focus trouxe um leve ajuste em sua última publicação, subindo a Selic de 2021 de 3% para 3,25%. Para 2022, ela estava anteriormente em 4,5% e, agora, em 4,75%.

“O mercado acredita que a alta da Selic pode ser maior do que a projetada pelo Focus, pela inflação e também pelo dólar, que tinha reagido de R$ 5,40 para R$ 5, mas voltou para R$ 5,40”, explica Paulo de Souza, assessor e sócio da EQI Investimentos.

“O mercado acredita que esses dados não estão sendo precificados corretamente e os juros devem subir mais rápido neste primeiro semestre, apesar de o BC acreditar que não vai precisar mexer nisso agora”, diz.

BC deve retirar forward guidance em março

Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset, acredita que o aumento da Selic deve vir dentro de três meses.

“O Banco Central deve retirar em breve o forward guidance, preparando o mercado para o aumento da Selic”, ele diz.

“O aumento deve acontecer daqui uns três meses. Se o IPCA não recuar, o Banco Central deve aumentar a taxa sim”, avalia.

O forward guidance, que quer dizer prescrição futura, é uma ferramenta de política monetária usada pelo Banco Central para sinalizar a taxa de juros de determinado período, deixando o cenário mais previsível.

Ao retirar a ferramenta implantada durante a pandemia, o BC sinalizaria uma subida iminente da Selic.

UBS também vê saída do forward guidance em 3 meses

O economista Fabio Ramos, do UBS. também acredita nessa tendência de o BC retirar o forward guidance na reunião de março.

Em entrevista ao site Investing, ele estimou que o Banco Central deve mudar, na reunião da próxima semana, a comunicação da decisão de política monetária em relação a dezembro.

Segundo ele, as políticas monetária e fiscal do país conseguiram controlar o impacto da Covid-19 no PIB no curto prazo.

Porém, o desempenho veio às custas de um aumento do déficit e da dívida pública.

Assim, segundo ele, o cenário só vai se alterar quando o país chegar a um consenso político em torno dos temas mais relevantes para a economia. Entre eles estão as reformas necessárias para avançar.

Projeções para 2021

O UBS prevê um IPCA de 3,4% para o fim do ano, mas elevado a 6% entre maio e junho antes de desacelerar.

Para a Selic a previsão é de 4%, com altas em junho. Já o PIB deve ficar em 3,5%, apesar de cair 0,7% no primeiro trimestre. Já para câmbio a expectativa é R$ 4,95 até o fim do ano.

“Antes, a inflação estava muito abaixo da meta, principalmente durante a pandemia. O que aconteceu de uns dois ou três meses para cá foi que a economia mostrou mais sinais de aceleração”, disse Ramos ao Investing

“A inflação em tempo real, do dia a dia, subiu mais que o esperado, assim elevaram-se as expectativas. Diminuiu-se a diferença em relação à meta oficial. Para 2022 os índices de inflação estão na meta e as de 2021 começaram a ficar mais próximas”, acrescentou Ramos ao Investing.

Copom: última reunião de 2020

Na última reunião do comitê no ano, em 9 de dezembro de 2020, a decisão para deixar intacta a taxa foi unânime e era aguardada pelo mercado.

Em meio ao aumento da inflação de alimentos que começava a estender-se para outros setores e da alta de casos da Covid-19 no país, o Banco Central não mexeu nos juros básicos da economia.

“No cenário externo, a ressurgência da pandemia em algumas das principais economias tem revertido os ganhos na mobilidade e deverá afetar a atividade econômica no curto prazo”, dizia o comunicado do BC.

Os dirigentes do Copom ponderaram: “Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem a continuidade da recuperação desigual entre setores, em linha com o esperado.”

“Contudo, prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano”, diz o comitê.

Manutenção garantida da taxa?

A a manutenção da taxa no patamar atual não está garantida, observou o comitê em dezembro. Pode mudar em breve, assinalou o Copom — mas não vai cair mais.

O comunicado do Copom enfatizou riscos fiscais e a importância de destravar a agenda reformista.

O BC disse que questionamentos sobre reformas e ajuste das contas públicas podem elevar juro estrutural e que o risco fiscal elevado segue criando assimetria altista no balanço de risco

O prolongamento de medidas da pandemia ou frustração com reformas podem elevar prêmio de risco,  afirmou o Copom no final de 2020.

O BC mencionou condições do forward guidance: “Seguem satisfeitas, mas em breve podem não estar. Um eventual retirada do forward guidance não implica em elevação do juros.”

Na ata do Copom, divulgada em 15 de dezembro, o comitê lembrou que os dados recentes continuam refletindo uma recuperação desigual da atividade econômica.

A pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e ao necessário ajuste dos gastos públicos a partir de 2021 aumenta a incerteza sobre a continuidade da retomada da atividade econômica. Assim, para o colegiado, a retomada econômica seria ainda mais gradual.

Mas fez uma ressalva: com base nesse cenário, o documento afirma que as condições para a manutenção do forward guidance seguem satisfeitas e por isso não se pretende por ora reduzir o grau de estímulo monetário.

Recomendações para os investidores

primeira recomendação dos especialistas no cenário atual de Selic a 2% é que o investidor proteja sua carteira da inflação, para não perder o poder de compra.

A rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos públicos e CDBs, por exemplo), aponta Souza. Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

Neste cenário, o destaque entre os títulos fica por conta do Tesouro IPCA+.

segunda recomendação é ter atenção aos títulos públicos, especialmente se a intenção não for carregar os papéis até o vencimento.

Isto porque estes títulos estão sujeitos à marcação a mercado e, caso sejam vendidos antes do prazo, serão impactados negativamente, como já ocorreu com o Tesouro Selic no ano passado.

A recomendação é sempre levar os papéis até o vencimento, para evitar a volatilidade e as possíveis perdas na negociação no mercado secundário.

Apesar de a renda variável ser a mais atrativa em termos de rentabilidade, com o possível aumento da Selic ainda no primeiro semestre, a renda fixa volta a ficar interessante. No entanto, ela deve ficar bem abaixo dos 14,25% de agosto de 2016 ou dos 45% de março de 1999. Ou seja, em termos de rentabilidade, a renda variável segue como destaque.

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Prévia do PIB: IBC-Br

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) será anunciado nesta segunda (18).

O indicador é considerado uma prévia PIB. Em outubro ele subiu 0,86%, abaixo da projeção de 1,10%.

No trimestre até outubro, a alta foi de 6,46%.

O resultado também teve desaceleração em relação a setembro, quando o IBC-Br teve alta de 1,29%. Em agosto, foi de 1,06%. Em julho, o avanço foi de 2,15%. E, em junho, de 4,89%.

Na comparação com outubro de 2019, o indicador teve queda de 2,61%. No ano, o tombo é de 4,92% até outubro, e de 3,93% em 12 meses.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acabou crescendo 7,7% no terceiro trimestre de 2020, na comparação com o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal.

O resultado veio abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 8,8%.

Em valores correntes, o PIB do terceiro trimestre de 2020 totalizou R$ 1,891 trilhão.

A Agropecuária caiu 0,5%, a Indústria cresceu 14,8% e os Serviços subiram 6,3%.

Banco Mundial: PIB crescerá menos que a média global

O Banco Mundial divulgou nesta terça-feira (5) as previsões para o PIB dos países em 2021. De acordo com o órgão, o Brasil crescerá menos que a média global.

O relatório, intitulado “Perspectivas Econômicas Mundiais”, apontou que o PIB brasileiro deverá crescer 3% em 2021, enquanto a média global pode bater os 4%.

O UBS afirma que o crescimento do PIB do Brasil dependerá principalmente da consolidação fiscal por meio de avanços de reformas e cumprimento do teto de gastos, o que reduziria os prêmios de risco. Dessa forma, o banco projeta o PIB de 2020 em -4,2% e de 2021 em +3,5%.

As previsões são ligeiramente melhores que as do Ministério da Economia. O governo trabalha com uma retração de 4,5% em 2020 e um avanço de 3,2% em 2021.

Já o mercado financeiro, segundo o Boletim Focus, estima queda de 4,55% neste ano e alta de 3,40% para o próximo.

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Segundo o Banco Mundial, os países da América Latina e Caribe devem acumular crescimento de 3,7% no ano. O Brasil também está abaixo da média prevista para os países emergentes, que é de 5%, muito por conta da China – sem a inclusão do país asiático, que deve crescer 7,9%, a projeção é de alta de 3,4%.

Crescimento do mercado financeiro brasileiro

As contas também são mais pessimistas que a previsão de crescimento do mercado financeiro brasileiro. O boletim Focus desta segunda-feira (4) traz expectativa média de alta de 3,40% do PIB para 2021.

David Malpass, presidente do Banco Mundial, explicou as projeções divulgadas nesta segunda-feira.

“Embora a economia mundial pareça ter entrado em um período de recuperação moderada, os formuladores de políticas públicas enfrentam desafios tremendos ao tentar garantir que a recuperação global ainda frágil ganhe força para um cescimento robusto”.

O Banco Mundial deixou claro, no entanto, que as previsões do PIB, tanto para o Brasil quanto para outros países, pode se alterar no decorrer do ano. Foi isso o que aconteceu, por exemplo, em relação a 2020.

Na atual edição, a entidade afirmou que a queda de 2020 na economia global será de 4,3%, mas, na época do primeiro impacto da pandemia do novo coronavírus, a projeção apontava queda de 5,2%, sendo que a do Brasil era ainda pior, na casa dos 8%.

O Banco Mundial alegou que, no caso de uma boa surpresa, como o controle mais eficaz da pandemia, a estimativa de crescimento do PIB global em 2021 pode ser elevada para 5%.

O órgão alertou, contudo, que a questão fiscal, que sofreu ajustes e abriu exceções durante a pandemia, principalmente nos países emergentes, como o Brasil, precisará ter atenção.

China: indicadores

A China divulgará esta semana números de peso da economia do país.

Na segunda, por volta das 23 horas (em Brasília), saem os resultados da produção industrial e PIB do país, referentes a dezembro e ao quatro trimestre de 2020.

Os dados econômicos e a previsão do PIB da China, divulgados na segunda, podem confirmar o país como uma das poucas economias que cresceram em 2020, mesmo com a pandemia.

Essa é a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters, em reportagem publicada no portal CNBC..

A matéria revelou que, embora tenham havido focos de surtos ocasionais do novo coronavírus em algumas regiões recentemente, a economia chinesa, primeira a sentir os efeitos da Covid-19, se recuperou amplamente desde que relatou uma queda anual de 6,8% no primeiro trimestre de 2020.

Segundo os economistas, a expectativa é de que a recuperação da China se acelere em relação aos últimos meses do ano passado.

Salto anual

Eles projetam um salto anual médio de 6,1% no PIB no quarto trimestre – melhorando em relação ao crescimento de 4,9% do trimestre anterior.

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A previsão é de crescimento do PIB de 5,7% para o último trimestre e 2,1% no geral de 2020.

“Exportações mais fortes e uma recuperação constante nas vendas no varejo ajudaram a China a estender sua recuperação do crescimento para os três meses finais de 2020”, disse Ting Lu, economista-chefe para a China do banco japonês Nomura, à CNBC.

“O ressurgimento de casos da Covid-19 fora da China tem impulsionado ainda mais as exportações da China, especialmente de equipamentos de proteção individual (PPE) e produtos eletrônicos para trabalho em casa (WFH), mas isso também pode atrasar um pouco a recuperação total do mercado doméstico setor de serviços”, escreveu ele em uma nota.

“Por outro lado, as vacinações em massa podem levar à supressão final da Covid-19 em todo o mundo, o que seria positivo para o setor de serviços, mas negativo para as exportações de produtos PPE e WFH da China”.

O Barclays pontuou o PIB para 6,5% no último trimestre e 2,3% no geral de 2020. Segundo Jian Chang, economista-chefe do banco britânico, os principais pontos fracos da economia da China – serviços e consumo – aceleraram no quarto trimestre do ano passado.

Isso adicionará “força sustentada nas exportações e investimentos”, que impulsionou a “forte recuperação econômica” da China no segundo e terceiro trimestres do ano passado.

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Melhores perspectivas para 2021

A previsão do banco francês aponta para um crescimento do PIB de 6,3% ano-a-ano no quarto trimestre e 2,3% ano-a-ano em 2020.

Vários indicadores apontam para o sucesso da China em conter os danos econômicos causados ​​pela pandemia.

“Como a China provavelmente passará o inverno gelado com o escrutínio contínuo da Covid-19, sua economia deve melhorar, estendendo o momento atual em direção a uma recuperação econômica mais sólida em 2021”, afirmou.

No entanto, o desempenho econômico chinês também será afetado pelo ambiente externo, “que não dependerá apenas da recuperação global por meio de vacinas eficazes e de seu lançamento, mas também da evolução da relação incerta entre os EUA e a China”, disse Natixis à CNBC.

Veja a agenda completa

Segunda-feira (18)

  • BC: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • BC: Índice IBC-Br de atividade econômica (novembro), às 9h
  • China: Produção industrial (dezembro), às 23h
  • China: Investimento em ativos fixos (dezembro), às 23h
  • China: PIB (4º trimestre), às 23h

Terça-feira (19)

  • FGV: IGP-M (2ª prévia) (janeiro), às 8h
  • Alemanha: Índice de preços ao consumidor (dezembro), às 4h

Quarta-feira (20)

  • 5h: FIPE: IPC (semanal), às 5h
  • Zona do euro: Índice de preços ao consumidor – final (dezembro), às 7h
  • Brasil: BC, Fluxo Cambial (semanal), às 14h30
  • BC/Copom: Anúncio da taxa básica de juros, às 18h30

Quinta-feira (21)

  • CNI: Sondagem Industrial (dezembro)
  • Zona do Euro: Banco Central anunciará decisão de política monetária, às 9h45
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 10h30

Sexta-feira (21)

  • Zona do Euro: PMI Markit composto (janeiro, prévia), às 6h
  • 8h: FGV: Sondagem da Indústria (janeiro, prévia), às 8h

 

 

 

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