Copom: Novo corte na taxa Selic é dado como certo; entenda

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

Um assunto importante de hoje no mercado é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. Este comitê faz parte do Banco Central, e se reúne a cada 45 dias para tomar decisões sobre a economia do país.

Entenda por que esta é uma decisão importante e o que o mercado está esperando.

Juros devem cair

O mercado espera que a taxa básica de juros deve sofrer um novo corte. Segundo um levantamento da Bloomberg, 22 dos 30 analistas ouvidos acreditam que o Banco Central vai cortar os juros em 0,5 ponto percentual.

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Sete analistas esperam um corte ainda maior, de 0,75 ponto. Isso levaria a Selic para 3% ao ano. Apenas um analista ouvido pela Bloomberg espera queda de 0,25 ponto.

Já o boletim Focus divulgado nesta quarta-feira mostrou que a expectativa é de corte na taxa Selic em meio ponto porcentual. Isso levaria a Selic dos atuais 3,75% para 3,25% ao ano.

Antes de continuar, vale explicar que o Focus é um documento divulgado pelo Banco Central que reúne as mais importantes informações referentes a expectativas em relação à nossa economia.

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Para a próxima reunião, que ocorrerá em junho, há expectativa de uma nova redução. Esta também deve ser de meio ponto porcentual, levando a taxa a 2,75% ao ano. Anteriormente, a expectativa era fechar o ano com a Selic em 3%.

As previsões para os próximos dois anos também foram reduzidas. Para o final de 2021, a previsão de alta caiu de 4,25% para 3,75% ao ano. Para dezembro de 2022, o ajuste foi de 5,88% para 5,50% ao ano.

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, trabalha com uma previsão de queda de 0,5% na Selic hoje. Segundo ele, novas quedas devem ser anunciadas nas próximas reuniões.

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Em sua visão, a inflação sem sinais de alta é um dos principais motivos que permitem o movimento. Ele destacou que os juros futuros com vencimentos mais curtos já embutem este corte.

Por que nova queda

A queda é esperada pela maioria dos especialistas devido ao enfraquecimento da economia. O objetivo seria melhorar as condições financeiras do país, estimulando concessões de empréstimos, e melhorar a demanda.

Apesar de haver um consenso no mercado de que a queda dos juros vai ocorrer, existem vários debates a respeito. De um lado, existem especialistas que defendem um corte ainda mais severo, levando a taxa de juros a zero.

Um dos defensores da medida é Guilherme Abbud, sócio fundador e diretor de investimentos da gestora Persevera Asset Management.

Segundo ele, o Banco Central não pode deixar que a depressão econômica se instale no país. “A depressão econômica muda pessoas, a propensão a consumir e investir”, disse em evento online realizado pela Rico.

De acordo com Abbud, existem muitos países emergentes com a taxa de juros inferior a 1%. Ele citou Tailândia, Arábia Saudita, Taiwan, Chile, Hungria, República Tcheca, Estônia, Polônia, Bulgária, Filipinas.

“Não tem essa história de que juros baixos se limita a países desenvolvidos”, afirmou.

Para Luis Bento, analista da Rio Bravo, os impactos do coronavírus sobre a economia são maiores do que o estimados na última reunião do Copom. A deterioração econômica reforça a visão de queda da taxa.

Além disso, o risco de frustração em relação à contunidades das reformas aumentou devido às turbulências políticas em Brasília. Diante deste cenário, ele avalia que um corte de 0,50 ponto da Selic seria uma decisão acertada.

Não é bala de prata

No entanto, existem vozes no mercado que temem um corte maior na taxa de juros. Um dos motivos é que isso poderia causar uma desvalorização ainda maior do real frente ao dólar, segundo Fernando Ulrich, porta-voz da Liberta Investimentos.

Para entender, vale lembrar que os juros mais baixos no Brasil estimulam os investidores a colocarem seus recursos nos Estados Unidos, onde o risco é menor. Com isso, o dólar tende a se valorizar.

O especialista também é crítico da queda dos juros pois avalia que isso seria insuficiente para fazer os bancos emprestarem mais ou as empresas a tomarem mais empréstimos.

“Os bancos estão arredios ao cenário de crise profunda e não emprestam às empresas. Não é uma redução de 50 pontos base que vai estimular a oferta de crédito no sistema”, afirmou no evento da Rico.

O analista da Rio Bravo também acha que o impacto do corte da taxa terá um efeito limitado neste momento. “O corte de juros agora não é uma bala de prata que vai resolver a situação que temos hoje”, destaca.

Entenda o que é Selic

A Selic é a taxa de juros usada como referência em todo país. Todos os empréstimos feitos no mercado usam a Selic como base. Ou seja, quando a Selic aumenta, cresce também o custo do dinheiro no mercado bancário.

Em outras palavras, quanto mais baixa é a Selic, mais fácil fica tomar empréstimos, e o volume de dinheiro circulando na economia aumenta.

Já quando o país precisa combater a inflação e reduzir a circulação de dinheiro, o Copom costuma aumentar a Selic. Com isso ele restringe os empréstimos.

Veja como a Selic se comportou nos últimos anos:

Como você pode ver, a Selic vem caindo de forma consistente, e está nas suas mínimas históricas.

Como são as reuniões

As reuniões do Copom são organizadas para durar um período de dois dias.

No primeiro dia, são apresentados os dados mais importantes sobre as condições de mercado em uma reunião.

Ou seja, temas como condições de liquidez, mercado monetário, mercados internacionais e câmbio são apresentados nesta etapa.

Depois disso, a reunião começa, no período da tarde. Os membros discutem a conjuntura econômica nacional e internacional.

No segundo dia, ocorre a deliberação. Os membros debatem e fazem uma votação para definir um posicionamento.

Em seguida, a decisão é publicada para o mercado por meio da internet, na página do Banco Central, acompanhada de explicações.

Como o Copom mexe com a minha vida?

Os efeitos da mudança da taxa Selic impactam todos os brasileiros, pois a taxa Selic influencia várias operações, como os rendimentos de aplicações em títulos públicos e investimentos em renda fixa.

Com isso, os investidores precisam escolher ativos de maior risco para garantir uma boa rentabilidade.

Além disso, a Selic é referência para os empréstimos entre os bancos (interbancários) e os juros cobrados pelo uso do cheque especial.