Copom encerra hoje 1ª primeira reunião do ano com mercado de olho no forward guidance

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Segue nesta quarta-feira (20) a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), com resultado previsto para sair às 18h30.

Segundo a projeção da ampla maioria do mercado, ela deve ser mantida em 2%, pelo menos neste primeiro encontro.

BC publica calendário de reuniões do Copom em 2021

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Praticamente unânime também é a opinião de que, nesta reunião, o Copom deve ou retirar o forward guidance ou apontar claramente que fará isso em seu próximo encontro, que acontece em março.

O forward guidance, que quer dizer prescrição futura, é uma ferramenta de política monetária usada pelo Banco Central para sinalizar a taxa de juros de determinado período, deixando o cenário mais previsível.

Se retirar a ferramenta implantada durante a pandemia, o BC estará se liberando para mexer na Selic, para cima ou para baixo.

Quando e quanto a Selic aumenta?

Agora, o que não é unanimidade entre os analistas é de quando e quanto será o reajuste da Selic.

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a Selic deve ser mantida nos atuais 2% ao longo de todo o ano de 2021.

Ele acredita ainda que o forward guidance será mantido amanhã, mas retirado no encontro dos dias 16 e 17 de março.

No entanto, para ele, isso não quer dizer que a taxa de juros irá subir logo na sequência.

“Não existe uma relação mecânica entre retirada do forward guidance e subida da Selic. Acredito que a retirada se dará mais pelo horizonte de longo prazo, mirando 2022, quando as regras do jogo deverão estar voltando ao normal”, afirma.

Em sua avaliação, a manutenção da taxa básica de juros em 2% neste ano é necessária. Isto porque o ambiente econômico ainda requer estímulos e a inflação deve se manter abaixo da meta, apesar dos repiques recentes.

“Esse contexto prescreve que o juro fique em patamar estimulativo”, afirma. Ele acredita que alta atual da inflação é pontual e não se repetirá graças à retirada do auxílio emergencial, sem chances de ser renovado. “Não há espaço orçamentário para isso”, diz.

Aumento da Selic pode vir em três meses

Já para Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset, o aumento da Selic deve vir dentro de três meses.

“O Banco Central deve retirar em breve o forward guidance, preparando o mercado para o aumento da Selic”, confirma.

“O aumento deve acontecer daqui uns três meses. Se o IPCA não recuar, o Banco Central deve aumentar a taxa sim”, avalia.

A previsão de retirada do forward guidance também é feita pelo banco UBS. A previsão para Selic no ano é de 4%.

“Antes, a inflação estava muito abaixo da meta, principalmente durante a pandemia. O que aconteceu de uns dois ou três meses para cá foi que a economia mostrou mais sinais de aceleração, a inflação em tempo real, do dia a dia, subiu mais que o esperado e, principalmente, as expectativas de inflação para frente começaram a subir um pouco e a diminuir a diferença em relação à meta oficial. As expectativas para 2022 estão na meta e as de 2021 começaram a ficar mais próximas”,  disse o analista do banco Fabio Ramos ao portal Investing.

Paulo Filipe de Souza, sócio e assessor daEQI Investimentos, também visualiza uma subida para a Selic.

“A alta da Selic pode ser maior do que a projetada pelo Boletim Focus. O mercado acredita que inflação e dólar não estão sendo precificados corretamente. E os juros devem subir mais rápido neste primeiro semestre. Isto apesar de Banco Central afirmar que não vai precisar mexer nisso agora”, diz.

Projeções para a Selic de até 5%

Segundo o Boletim Focus, que semanalmente levanta as projeções do mercado, a taxa básica de juros deve alcançar 3,25% até dezembro.

Mas parcela dos analistas considera que tal projeção está descolada da realidade, já que os juros futuros indicam Selic a mais de 4% e até 5% ainda em 2021.

Isto decorre da alta inflacionária, já que, contra todas as projeções, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano de 2020 em 4,52%, sendo esta a maior alta desde 2016. Em dezembro, ela acelerou para 1,35%, a variação mais intensa desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%).

Como consequência, os juros futuros dispararam. Eles representam uma estimativa do mercado para o valor dos juros em um momento futuro, podendo ser meses ou anos. Na prática, os juros sobem quanto maior a percepção de risco dos investidores.

Cenário para investimentos

Se estas projeções se confirmarem e a Selic entrar em tendência de alta, muitos produtos de renda fixa, que perderam a rentabilidade durante a crise, podem voltar a ficar atrativos.

Porém, o investidor não deve perder de vista a pressão inflacionária. Por conta disso, os ativos atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – indicador oficial de inflação) e os que têm vencimento de curto prazo são as principais apostas para o momento atual.

Além de opção de diversificação, os ativos atrelados ao IPCA funcionam como proteção do poder de compra.

Os investidores com ativos atrelados ao CDI também tendem a se beneficiar com uma taxa básica próxima de 4% ou 5%.

“Hoje, ainda há ativos que entregam retornos de 150% do CDI ao ano. Como, por exemplo, os Certificados de Depósito Bancário”, diz Paulo de Souza, da EQI.

Como a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Para o investidor, a Selic deve ser um norte para montar uma boa carteira de investimento. Com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos.

Neste contexto, o mercado de ações ganha destaque, assim como os Fundos Imobiliários.

Em sentido contrário, quando a Selic sobe, a renda fixa volta a ficar mais atraente.

Taxa é a mais baixa da história

A taxa atual, de 2%, é a mais baixa já registrada na série histórica, que teve início em 1999. E representa a nona redução de um ciclo de cortes recentes da Selic.

Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era de 14,25%. Mas já chegou a 45%, em março de 1999.

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