Copom, Fomc, IPOs e prévia do PIB movimentam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

O calendário econômico da semana inclui uma data especialmente agitada: na próxima quarta (16) saem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic e o anúncio da taxa básica de juros pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve.

Reforçam a agenda robusta dos próximos dias a divulgação da prévia do PIB brasileiro, parciais da inflação, em dias tensos de alta de preços de alguns produtos, e IPOs aguardados pelo mercado.

Bolsas

A bolsa encerrou a semana passada em queda de 2,84% — na última quinzena, foram duas semanas consecutivas de baixas no Ibovespa.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Na sexta-feira (11) o recuo foi de 0,48%. O índice ficou abaixo dos 100 mil pontos – precisamente a 98.363,22 pontos.

Em Nova York, em dia de volatilidade intensa, os índices fecharam positivos, com exceção do Nasdaq. Isso ocorreu na reta final da sessão e não contribuiu para mudar o rumo da bolsa brasileira.

No mês a queda está em 1,01%. No ano, as perdas acumuladas estão em 14,94%.

O dólar fechou a semana com avanço de 1,18%. Semana passada, tinha desvalorizado 1,98%.

Nesta sexta, a moeda norte-americana mostrou discreta recuperação, com mais 0,27%, indo a R$ 5,3334.

Big techs

Nas bolsas americanas, as atenções continuam voltadas para o desempenho das big techs americanas, que vêm alternando quedas e alguma recuperação.

Investidores querem saber é se a tendência se manterá, confirmando a “bolha”, receio que ainda paira no ar.

Sexta-feira mostrou outra sessão volátil, com a contínua liquidação das ações de tecnologia colocando o Nasdaq no ritmo de sua pior semana em meses.

O índice caiu 0,60%,  puxado pelas baixas da Apple e Amazon.

O S&P 500, com mais 0,05%, conseguiu na reta final virar para positivo, depois de trabalhar o dia em queda. Dow Jones fechou com mais 0,50%.

Foi a segunda semana seguida de queda dos três principais índices norte-americanos. S&P fechou a semana em queda de 2,51%; Nasdaq caiu 4,06%; e Dow Jones recuou 1,65%.

“As próximas sessões serão cruciais para julgar a possível extensão do recuo”, disse Ken Berman, estrategista da Gorilla Trades, à CNBC.

Números da Covid-19, em alta na Europa e em algumas regiões dos EUA e Brasil — com quadro ainda distante de um a estabilidade confortável –, além da definição sobre uma possível vacina, estão no radar dos investidores.

Faltando pouco mais de um mês e meio para as eleições americanas, Joe Biden e Donal Trump acirram a disputa e elevam o tom da corrida pela presidência.

O cenário indica, portanto, incertezas e o sobe e desce tenso das últimas semanas.

Veja aqui as ações que mais renderam na sexta (11) e na última semana

Copom

O Copom anuncia, nesta quarta (16), por volta das 18 horas, se mantém ou não a taxa Selic no patamar dos 2%

No ultimo dia 5 de agosto. o corte anunciado foi de 0,25 ponto percentual da para 2%.

Definição do Copom: entenda o que muda com a Selic a 2%.

Essa diminuição da taxa básica de juros ocorreu pela nona vez consecutiva.

No comunicado, o comitê justificou a decisão: “No cenário externo, a pandemia da Covid-19 continua provocando a maior retração econômica global desde a Grande Depressão.”

“Mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, sinalizou.

O Copom informou não descartar futuros ajustes nos juros básicos, mas ressaltou que as próximas mudanças, caso ocorram, serão graduais dependerão da situação das contas públicas.

Na ata divulgada no último dia 11 de agosto, o Comitê sugeriu: deve manter a Selic em 2% até o final do ano.

Novo corte, se houver, será pequeno, reforçaram os dirigentes do BC.

O Copom avaliou que o Brasil recuperou apenas parcialmente até aqui as perdas decorrentes das medidas de isolamento social devido à pandemia, lembrou o comitê.

“Eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação sobre a inflação prospectiva”, afirmou o comitê na ata.

Segundo as análises das principais instituições financeiras, divulgadas no último boletim Focus, uma nova mudança na Selic só deve acontecer no meio do ano que vem.

Fomc

Mais cedo na mesma quarta (16), às 15h, os EUA verão a definição do Fomc sobre as taxas de juros.

No último dia 29 de julho, o Fed anunciou a manutenção das taxas de juros entre entre zero e 0,25%. A decisão foi tomada de maneira unânime.

Em 19 de agosyo, o Fed explicou que a crise sanitária causada pela Covid-19 ainda vai impactar fortemente a atividade econômica.

Os EUA tiveram nas últimas semanas aumento de casos de contaminação do novo coronavírus.

“Emprego e a inflação terão riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo”, apontava a ata do comitê.

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O comitê informou também que continuará comprando pelo menos US$ 120 bilhões em treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) e títulos lastreados em hipotecas todos os meses para estabilizar os mercados financeiros.

“O Comitê espera manter essa taxa de juros até ter certeza de que a economia resistiu a eventos recentes e está a caminho de alcançar suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”, acrescentou.

O recuo do mercado acionário dos Estados Unidos nas últimas semanas tem aumentado esperanças de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) reforce compras de ativos para impulsionar a economia.

O discurso do presidente do Fed Jerome Powell pode dar mais indicativos dos rumos da política monetária dos EUA.

Agenda externa

Completam a agenda externa o anúncio da produção industrial da zona do euro e China, ambas na segunda.

Dados de vendas do varejo dos EUA sairão na quarta.

A balança comercial da zona do euro será divulgada no mesmo dia.

O Banco da Inglaterra, o banco central do Reino Unido, anuncia a decisão de sua taxa de juros na quinta.

Outro ponto de atenção será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de agosto da zona do euro.

A prévia do índice teve queda de 0,4% em agosto. No ano, a queda da inflação é de 0,2%, ante avanço de 0,4% em julho.

De acordo com o relatório divulgado pelo Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia, alimentos, álcool e tabaco responderam pelo maior avanço da inflação no mês (tiveram alta de 1,7%, ante 2% em julho).

Brasil: prévia do PIB

A agenda no Brasil terá também a divulgação, na segunda (14), do IBC-Br de julho. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) é tido como a prévia do PIB.

O indicador de julho apurou alta de 4,89% ante junho. Em maio, o avanço foi de 1,31%. A projeção do mercado era por 4,70%.

Apesar do resultado acima das expectativas, o IBC-Br soma queda de 7,05% na comparação anualizada, com junho de 2019.

No trimestre, a queda é de 12,03% na comparação com o mesmo período do ano passado.

No ano, o acumulado aponta queda de 6,28%. E em 12 meses até junho, recuo de 2,55%.

O Boletim Focus, divulgado na última terça-feira (8) pelo Banco Central, apontou um recuo na projeção do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, depois de nove leves melhoras sequenciais nas últimas semanas.

A projeção agora é por queda do PIB de 5,31%, ante 5,28% da semana anterior.

O Monitor do PIB, divulgado pelo Fundação Getúlio Vargas na quarta (16), também servirá como indicativo ou não da economia.

Na análise mensal da FGV, o indicador aponta crescimento de 4,2% em junho, na comparação com maio. Na comparação anual, a economia apresentou queda de 10,5%, no segundo trimestre e de 6,5% em junho.

Inflação

Em tempos de alta de alguns produtos como o arroz, outros termômetros da economia mostrarão tendência de avanço ou recuo nos próximos dias. Na quarta será a vez do IGP-10 para setembro.

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 2,53% em agosto, acima da mediana das projeções, que era de 2,11%.

Em julho, o índice havia subido 1,91%.

Com o resultado, o IGP-10 acumula alta de 9,24% no ano e de 11,84% em 12 meses até agosto. Na comparação anual, o IGP-10 teve queda de 0,47% no mês e alta de 5,20% em 12 meses.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do indicador, subiu 3,38%, ante 2,54% do mês anterior.

Na quinta (17), sai uma parcial do IPC-Fipe. Na quarta será anunciado a segunda quadrissemana apurada pelo IPC-S. E, na sexta (18), a prévia do IGP-M.

IPOs Cury e Plano & Plano

A semana terá mais uma etapa da temporada de IPOs, com dois destaques.

Plano & Plano, na terça (15), e Cury, na quarta, anunciam valores para a oferta pública inicial de ações.

Com foco em empreendimentos econômicos ou que estão dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, a Cury Construtora está na fila das ofertas públicas de ações (IPO) de 2020.

Há um forte movimento em curso de abertura de capital de empresas do mercado imobiliário.

Para se ter ideia, só a Cyrela (CYRE3) vai abrir o capital de três subsidiárias em 2020. A Cury é uma delas. Mas há ainda a Lavvi Empreendimentos e a Plano & Plano Desenvolvimento Imobiliário.

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A Cyrela possui 48,25% de posição acionária na Cury. Em março, a Cury representava aproximadamente 2,22% do seu patrimônio líquido consolidado.

No ano passado, a Cury lançou 14 empreendimentos imobiliários com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,14 bilhão.

No primeiro semestre de 2020, a empresa lançou seis empreendimentos. Com isso, totalizou R$ 469,1 milhões de VGV, dos quais R$ 384 milhões referem-se à participação da empresa.

O IPO da Plano & Plano poderá movimentar até R$ 1,3 bilhão, caso a faixa de preço da ação fique entre R$ 11,25 e R$ 15,25..

A empresa informou que os recursos captados serão destinados para capital de giro e aquisição de terrenos.

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