Copom deve anunciar Selic a 9,25% nesta quarta

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Foto: taxas cobradas em fundos

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nestas terça e quarta-feiras (7 e 8) para decidir o rumo da política monetária do País. No último encontro, em outubro, o comitê cogitou elevar a taxa básica de juros (Selic) de 7,75% para 9,25%.

O banco BTG (BPAC11) também prevê aumento de 1,5 ponto percentual na Selic na última reunião do ano. Para 2022, o banco espera uma alta de 1,5 p.p. em fevereiro (reunião nos dias 1 e 2) e outra de 1 p.p. em março (dias 15 e 16), encerrando o ciclo de alta em 11,75%.

Em levantamento pelo jornal Valor, de 111 instituições financeiras consultadas, apenas uma acredita que o Copom mudará a Selic em 2 pontos porcentuais. As demais apostam em 1,5 ponto, assim como o BTG.

Reprodução/Valor

Retrospectiva Selic

A partir de julho de 2015 e até março de 2021, a Selic sofreu uma série de reduções, indo de 14,25% para o 2%. As medidas sempre serviram para estimular a economia, já que quanto menor a taxa básica de juros, mais acesso a crédito barato tem as empresas e as famílias, com incentivo ao consumo e à produção.

Mas, na reunião de março, o Copom promoveu a primeira alta da taxa de juros em seis anos, depois dela se manter sete meses em 2%, a mais baixa já registrada.

Atualmente, a taxa básica de juros vive novo ciclo de altas. Na última reunião, em 27 de outubro, o Copom elevou a taxa Selic de 6,25% para 7,75% ao ano. Além disso, o Copom previu outro ajuste da mesma magnitude  (1,5 ponto porcentual), com Selic devendo atingir 9,25% até o final do ano.

Selic rumo à sétima alta consecutiva

Selic

Reprodução/Banco Central

O que é a Selic?

A taxa é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida e atrair capital estrangeiro, o que reduz a cotação do dólar e impacta na inflação.

Saber sobre a taxa Selic é importante para o investidor, porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.

E é justamente o que acontece no momento: a renda fixa volta a ser interessante.

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Como o Copom define a Selic?

A principal função do Copom é realizar uma avaliação do cenário macroeconômico do país e os principais riscos a ele associados.

É com base nessas avaliações que são tomadas as decisões de política monetária.

Além de definir a Selic, desde 1999 o Copom também é responsável por acompanhar o cumprimento das metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Vale lembrar que o Copom não pode aumentar ou diminuir a taxa Selic sem que, para isso, exista uma justificativa pautada na tendência do cenário econômico e no mercado brasileiros.

Na realidade, as variações na Selic tendem a acompanhar as variações de um outro índice, o IPCA, que é o indicador base da inflação no país.

Nesse sentido, diante de um cenário em que a inflação esteja controlada, a tendência da taxa Selic é cair.

Já nos momentos em que há um aumento na inflação, a Selic normalmente sobe para ajudar no controle do mercado.

Atualmente, além da inflação, outro tema bastante recorrente nas atas do Copom é justamente o risco de o governo não obedecer ao teto de gastos.

Como são as reuniões?

As decisões do Copom são tomadas de 45 em 45 dias, em uma reunião que se estende por dois dias.

No primeiro dia, os chefes dos departamentos apresentam uma análise técnica de conjuntura do país. Essa análise envolve uma série de pontos importantes, tais como:

  • Inflação;
  • Nível de atividade;
  • Evolução dos agregados monetários, finanças públicas;
  • Balanço de pagamentos;
  • Economia internacional;
  • Mercado de câmbio;
  • Reservas internacionais;
  • Mercado monetário; e
  • Operações de mercado aberto e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Já no segundo dia da reunião, os diretores de política monetária e de política econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa Selic e fazem recomendações acerca da política monetária.

Depois dessas avaliações feitas pelos diretores citados acima, os demais membros fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.

Ao final desse debate é que ocorre a votação das propostas, em que se busca o consenso sempre que possível.

Essa votação leva em consideração a maioria simples dos presentes, ou seja, para que uma proposta seja aceita, a maior parte dos membros presentes devem concordar com ela.

Além disso, em caso de empate, é o presidente do Copom  que irá proferir o chamado “voto de qualidade”, que é o voto de desempate.

As decisões emanadas do Copom devem ser publicadas por meio de comunicado do diretor de política monetária e esse comunicado deve acontecer no segundo dia, a partir das 18h, imediatamente após o término da reunião.

A taxa de juros fixada na reunião será a meta para a taxa Selic, que irá vigorar durante todo o período entre uma reunião ordinária e outra.

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