Copom corta juros e taxa Selic recua de 4,25% para 3,75%

Omar Salles
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil cortou a taxa básica de juros (Selic) de 4,25% para 3,75% ao ano. Foi o segundo corte na taxa neste ano e o maior até agora, em 0,50 pontos porcentuais.

A decisão foi tomada no final da tarde desta quarta-feira (18). “O Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 3,75% ao ano”, diz a abertura do comunicado.

“As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,1%, 3,65% e 3,5%, respectivamente”, diz trecho do comunicado, no qual o Copom acredita estar a inflação sob controle.

O Copom ressaltou que o cenário atual é diferente do de fevereiro, quando houve corte de 0,25 pontos base na Selic para 4,25%.

O comunicado cita o advento do coronavírus, que provoca “um desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade dos ativos financeiros”.

“Dados de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom vinham em linha com o processo de recuperação gradual da economia brasileira. Entretanto, esses dados ainda não refletem os impactos da pandemia do Covid-19 na economia brasileira”, escreveu o Copom.

Política monetária estimulativa

O Copom ressaltou que em seu cenário básico para a inflação permanecem “fatores de risco em ambas as direções”.

O Comitê reforçou que o cenário da economia “prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”.

O final do comunicado diz que o Banco Central permanecerá atento e fazendo “uso de todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual”.

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Fonte: XP Investimentos

Juro real

Mais do que avaliar o juro nominal, que atingiu 3,75%, é importante analisar o juro real, onde se desconta a inflação.

O juro real serve se calcular, de fato, o rendimento do investimento. Por isso, é preciso descontar a desvalorização do dinheiro no tempo, que é a inflação.

Tá, e aí?

“Nessa nova mínima histórica, momento inédito na economia brasileira, o cenário aponta que o investidor precisa mudar, mais do que nunca, suas atitudes financeiras se quiser ter mais rentabilidade”, destaca a XP Investimentos.

Dessa forma, com uma taxa Selic em 3,75% e inflação, em torno de 3,5% a 4% ao ano, segundo estimativa da XP, teríamos, neste momento, um ganho real (ou juro real) de menos de 1%.

Veja a trajetória dos juros reais

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O que fazer?

Com esse cenário, mais do que nunca, é importante prestar atenção nos investimentos, reforça a XP, já que, ao ficar na inércia, “o dinheiro certamente perderá valor ao longo do tempo”.

“Ou seja, é fundamental ter atenção na escolha dos investimentos. E isso significa que as decisões que você tomar hoje a respeito do seu dinheiro terão impactos profundos no futuro”, reforçou.

Onde investir?

Antes do coronavírus o mercado de renda variável era a recomendação mais óbvia, porém o cenário mudou completamente.

Veja alternativas de investimento, com base no perfil do investidor:

Para o investidor conservador, não recomendamos exposição em renda variável, destaca a XP.

“Os ativos de crédito privado, na renda fixa, continuam como os queridinhos da classe pelos prêmios elevados e os Prefixados devem desempenhar retornos mais atrativos com a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic.”

Para o investidor moderado que está começando, a recomendação da XP para buscar mais risco e chances de maiores retornos é alocar em renda variável, porém aos poucos e de forma recorrente ao longo de pelo menos seis meses.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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“Os fundos multimercado, apesar das quedas no curto prazo, também são bons ativos, pois estão se reajustando ao novo cenário e são formas mais simples para a diversificação entre vários ativos.”

Em relação à renda fixa, a equipe de alocação da XP recomenda a exposição a ativos de crédito privado e os prefixados, mas em uma parcela mais considerável em relação ao perfil conservador.

Já para o investidor agressivo, a recomendação da XP é continuar alocado em Bolsa, de forma majoritária, mas investindo de forma recorrente para minimizar os riscos das quedas da Bolsa por conta do coronavírus.

“O foco continua sendo um horizonte para o longo prazo a fim de compensar as perdas recentes”, afirma.

(Com Rodrigo Petry)


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