Copom, balanços do 3TRI, IGP-M e PIB dos EUA agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A agenda está movimentada. Na quarta (28) sai a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic.

A safra de balanços do terceiro trimestre terá mais de 35 divulgações – entre as quais as da Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).

Na quinta (29) haverá o anúncio do IGP-M de outubro — índice que deve confirmar a tendência de alta de preços apontada na sexta pelo IPCA-15.

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Esta semana é também a última antes das eleições nos EUA.

Enquanto Joe Biden e Donald Trump acirram a disputa — com a maioria das pesquisas dando vantagem ao democrata –, prossegue no Congresso o prolongado debate em torno do pacote de estímulo à economia.

Sem acordo no Congresso, o mercado aguarda por outros índices que podem ou não revelar melhora na atividade econômica. Entre eles estão os números do PIB dos EUA, que saem na quinta.

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Por aqui, no setor corporativo o mercado ficará atento, além dos resultados de Petrobras e Vale, ao desempenho de gigantes como Klabin (KLBN11), Cielo (CIEL3), Bradesco (BBDC3 BBDC4), Ambev (ABEV3) e Gol (GOLL4).

Bolsa acima dos 100 mil pontos

O Ibovespa voltou a ficar acima do patamar dos 100 mil pontos numa semana encerrada com alta de 3%, a terceira consecutiva de ganhos.

Nem mesmo a sexta, que fechou em queda de 0,65%, aos 101.259,75 pontos, derrubou os ganhos da semana.

O mês acumula alta de 7,04% — embora, no ano, haja perdas na casa de 12,44%.

O dólar terminou a sexta em alta com valorização. A divisa ganhou 0,63%, para R$ 5,6295.

Na semana a moeda perdeu 1,92% — e, na anterior, recuou 2,55%.

Apesar das oscilações no mercado externo, causada pela indefinição sobre pacote de estímulos dos EUA e por números elevados de casos de contaminação pelo número números nos EUA e Europa, o Ibovespa se manteve firme.

Vale e Petrobras divulgaram seus relatórios de produção e vendas do terceiro trimestre, reportando aumentos e bons resultados, e ajudaram a fortalecer o otimismo do mercado.

Weg, Romi e Neoenergia também apresentaram desempenhos que animaram investidores.

Na sexta, a realização de lucros e notícias como a alta da inflação revelada pelo IPCA-15 seguraram o índice — assim como a incerteza a respeito do pacote de trilhões travado no Congresso dos EUA.

Para esta semana, espera-se que os resultados dos mais de 35 balanços dê mais fôlego à bolsa.

Investidores vêm apostando também na performance de ações dos bancos — que mostraram força na semana anterior

Mercados mistos no exterior

O cenário lá fora ficou mais instável e hesitante, também em razão da incerteza do pacote trilionário no Congresso, mas não só por esse motivo.

Na semana anterior o Dow Jones recuou 0,10%. O S&P 500 avançou 0,34%. E o Nasdaq subiu mais 0,37%.

Apesar dos avanços mostrados durante a semana, entre a presidente da Câmara dos Representantes, a Democrata Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o processo continua incerto.

A indefinição deve, portanto, continuar pesando no mercado — assim como a última semana antes das eleições nos EUA, em 3 de novembro.

Alta da Covid-19 na Europa e EUA

Outros fatores também repercutem no mercado.

Um deles é a alta de casos de Covid-19. Vários países europeus estão adotando novas medidas de restrição de circulação de pessoas e funcionamento de comércio.

O mundo já está contando algo entre 400 a 500 mil novos casos por dia. Só a Europa tem contribuído com metade desses casos.

A Espanha decretou neste domingo (25) estado de emergência. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pretende conter o aumento nas infecções por coronavírus.

Estabeleceu toques de recolher noturnos e proibiu as viagens entre as regiões do país em alguns casos.

O país ultrapassou 1 milhão de casos registrados – e o número pode ser três vezes maior, dizem autoridades.

A Itália também pode decretar restrições: o país tem novo recorde de casos diários de coronavírus, de 19.644, neste sábado.

Os EUA começam a semana anterior às eleições com índices elevados na pandemia.

Na sexta (23) o pais registrou mais de 80 mil casos em 24 horas — e 35 dos 50 estados têm alta de infecções.

Copom: manutenção da Selic?

A quarta (28) terá o anúncio do Banco Central sobre a Selic.

Fixada em 2% no dia 16 de setembro, interrompendo série de nove cortes, a taxa pode ser mantida — essa é a expectativa do mercado.

O país passa por um período de alta inflacionária, o que pode refletir no documento que será anunciado esta semana. Preocupações fiscais certamente devem figurar no texto do BC.

O último boletim Focus manteve a previsão para a taxa básica de juros da economia para este ano em 2% e, para 2021, em 2,50%.

Nas reuniões de setembro o Copom determinou o corte da Selic de 2,25% para 2%, reduzindo a taxa ao seu piso histórico.

Naquele comunicado, o comitê reconheceu espaço para novos cortes, e explicou que dependerão da trajetória fiscal e da inflação.

Riscos de inflação

“Dessa forma Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado”, disse o comunicado

“Mas admite que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, complementou.

Em seu cenário básico para a inflação, o Copom estabeleceu que “esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza.”

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada podem elevar o risco.

IGP-M

Desde setembro, quando saiu o último comunicado, a alta inflacionária vem sendo apontada em índices como o oficial IPCA (em setembro, foi de 0,64%, acima do esperado).

Prévia da inflação, o IPCA-15 de outubro ficou em 0,94%, acima da projeção e maior valor desde 1995.

Na quinta (29) será vez do IGP-M de outubro.

Utilizando no cálculo dos reajustes de contratos de aluguéis, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou sua alta na passagem de agosto para setembro.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o índice registrou inflação de 4,34% em setembro, acima dos 2,74% de agosto.

Dessa forma, o índice acumula alta de 14,40% neste ano.

IGP-M: aceleração

No levantamento de setembro, os três índices componentes do IGP-M tiveram aceleração.

De agosto para setembro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede o atacado, passou de 3,74% para 5,92%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede o varejo, subiu de 0,48% em agosto para 0,64% em setembro.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou de 0,82% em agosto para 1,15% em setembro.

Entre as altas, destaque para a valorização de grandes commodities, como soja em grão, que subiu 14,32% em setembro,

No IPC, o destaque coube ao subgrupo recreação cuja a variação foi de 4,77%, sob influência de passagens aéreas que avançaram 23,74% nesta apuração.

Enquanto isso, no INCC, a alta foi puxada pelos materiais e equipamentos, cujos os preços avançaram em média 2,97% no mês e 9,67% em 12 meses.

Balanços do 3TRI

A temporada de resultados esquenta esta semana (veja o calendário completo aqui).

Além de Vale, Petrobras, Klabin (KLBN11), Cielo (CIEL3) e Bradesco (BBDC3 BBDC4), o mercado está atento aos resultados de empresas de peso como a Ambev (ABEV3) e Gol (GOLL4).

Também estará no radar o desempenho de Telefônica (VIVT4), Pão de Açúcar (PCAR3), Gerdau (GGBR4), Santander (SANB11)Usiminas (USIM5), Multiplan (MULT3) e B2W (BTOW3).

O BTG Pactual (BPAC11) divulgou em 7 de outubro um relatório de análise da Ambev (ABEV3), esperando um forte crescimento de volume, impulsionado pela cerveja Brasil.

A empresa divulga seus números na quinta (29), antes da abertura da B3.

A análise vem na expectativa de que os resultados do 3T20 apresentem um crescimento de volume anual de 3,4%. A receita líquida consolidada deve crescer mais 15% na comparação anual, para R$ 13,7 bilhões, diz o BTG.

O banco estima o lucro em R$ 2,3 bilhões.

Seria uma boa melhora em relação ao resultado do trimestre anterior, quando a Ambev (ABEV3) reportou um lucro líquido de R$ 1,271 bilhão, um desempenho 51,4% inferior ao do mesmo período de 2019.

Conforme a Ambev, o número foi afetado pela queda do Ebtida e despesas financeiras maiores.

Gol (GOLL4) e Telefônica (VIVT4)

A Gol apresenta o seu balanço na sexta (30).

A companhia registrou um prejuízo de R$ 1,997 bilhão no segundo trimestre de 2020, ante um prejuízo de R$ 194,6 milhões um ano antes.

O desempenho foi impactado severamente pelos efeitos da pandemia do coronavírus e variação cambial do período.

Já o prejuízo recorrente alcançou R$ 771,8 milhões, contra R$ 2,1 milhões no segundo trimestre do ano anterior.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 1,096 bilhão no trimestre, uma elevação de 162,2%.

De acordo com a Gol, o resultado foi devido principalmente em decorrência da variação cambial do período.

A operadora Telefônica Vivo, cujo balanço sai na segunda (26), registrou lucro líquido de R$ 1,113 milhão no segundo trimestre de 2020, queda de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 4,103 milhões, recuo de 3,8%.

A retração, segundo a companhia, reflete a menor atividade comercial do período em função da pandemia do Covid-19, compensada pela eficiência no controle de custos.

A redução do lucro da Telefônica foi motivada pelo Ebitda menor e ainda por maiores gastos com depreciação e despesa com impostos no trimestre.

PIB dos EUA

A agenda externa tem como destaque o anúncio do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no terceiro trimestre, na quinta (29).

Espera-se uma reversão do último resultado, com avanço em torno de 32%.

A leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos veio pouco melhor do que o mercado projetava. Apontou queda de 31,4%, ante recuo de 31,7% divulgados na segunda prévia.

A primeira leitura apontava um tombo de 32,9%.

Ainda assim, o resultado é o mais baixo já registrado desde os anos 1940. Ele foi divulgado pelo Bureau of Economic Analysis, do Departamento do Comércio dos EUA.

No trimestre anterior, que já captava em parte a crise decorrente da pandemia de coronavírus, a queda havia sido de 5%. E dois trimestres atrás, houve alta de 2,1%.

Crise do coronavírus explica queda recorde

De acordo com o relatório, a revisão para cima na terceira estimativa refletiu principalmente uma melhora nas despesas de consumo pessoal (PCE) nos EUA.

Mas o o resultado capta uma mudança brusca na atividade econômica do país devido aos fechamentos decorrentes das medidas de isolamento social.

Houve reduções nas despesas de consumo pessoal, exportações, investimento em estoque privadoe investimento dos governos estaduais e municipais.

Todas estas foram apenas parcialmente compensadas pelo aumento nos gastos do governo federal, segundo o Departamento do Comércio.

O Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) teve queda de 1,6% no segundo trimestre. No trimestre anterior, ele registrou avanço de 1,3%.

Os gastos dos consumidores, que representam dois terços do PIB, caíram 33,2%, ante queda de 6,8% registrada no trimestre anterior.

No segundo trimestre de 2020, ainda fortemente marcado por medidas contra a Covid-19, o PIB da zona do euro recuou 14,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A segunda leitura prévia veio um pouco melhor do que os 15% projetados pela primeira.

Na União Europeia, o recuo foi de 13,9%.

No primeiro trimestre, a zona do euro registrou queda de 3,2% no PIB, na comparação anual. E a União Europeia, queda de 2,7%.

Na comparação com o trimestre anterior, a queda foi de 11,8% na zona do euro. E de 11,4% na União Europeia.

Os recuos são os mais acentuados da série histórica, iniciada em 1995, informa o Eurostat, escritório oficial de estatísticas da região.

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