Cielo (CIEL3) passa a deter 100% do capital social da Multidisplay

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Cielo

A Cielo (CIEL3) comunicou que os acionistas minoritários da controlada, Multidisplay, venderam sua participação para a Cielo.

Desse modo, o exercício da opção envolveu ações representativas de 8,56% do capital social.

Com isso, a Cielo passa a deter 100% do capital social da Multidisplay. A companhia já havia aumentado sua participação de 50,01% para 91,44% em 2016.

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O preço total da transação foi de R$ 29,8 milhões, pagos ontem aos acionistas minoritários.

Balanço da Cielo no 3TRI

A Cielo registrou lucro líquido de R$ 100,4 milhões no terceiro trimestre deste ano, uma redução de 71,5% ante o mesmo período do ano passado. A margem líquida atingiu 4,9%, queda de 10,1 pontos percentuais.
O volume financeiro de transações somou R$ 165,6 bilhões no período, queda de 3,6% em relação ao terceiro trimestre de 2019.

Os gastos totais consolidados (custos e despesas), desconsiderando a equivalência patrimonial, totalizaram R$ 2,7 bilhões aumento de 14,3% em relação ao terceiro trimestre de 2019. Já as despesas operacionias somaram R$ 628,9 milhões no terceiro trimestre de 2020.

Ebitda cai 33,7%

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 480 milhões no trimestre, um recuo de 33,7% na comparação ano a ano.
A margem Ebitda ficou em 16,7%, baixa de 9,2 pontos percentuais.
O resultado financeiro foi positivo em R$ 10,9 milhões, uma redução de 91,2%.

Receita cresce 2,9%

A receita líquida da Cielo totalizou R$ 2,882 bilhões no período, aumento de 2,9%.
De acordo com a Cielo, o aumento da receita líquida está relacionado ao incremento no volume de transações,bem como do arranjo Ourocard (que impacta a receita da controlada Cateno), e ao aumento no volume do produto pagamento em dois dias, ambos resultantes da gradual retomada da atividade econômica após o segundo trimestre.

A receita com antecipação de recebíveis, por outro lado atingiu R$ 94,6 milhões, queda de 67,5% na comparação com mesmo período de 2019.O lucro bruto caiu 15,7% no período, atingindo R$ 808,6 milhões.

Liquidez e endividamento da Cielo

Em setembro, a Cielo registrou liquidez total (total de disponibilidades) de R$ 6,393 bilhões, um aumento de 119,3%, frente a setembro de 2019.

A alavancagem (total de empréstimos e financiamentos líquidos de disponibilidades/ Ebitda ajustado à aquisição de recebíveis) foi de 1,08 vez ao final do período contra 1,92 vez no terceiro trimestre de 2019.

A queda observada na alavancagem é explicada, principalmente, pela maior concentração de caixa e redução substancial da dívida bruta.

Análise do BTG

O BTG Pactual avaliou como fraco o resultado divulgado pela Cielo no terceiro trimestre deste ano. No entanto, ressalta que definitivamente houve uma melhora em relação ao segundo trimestre de 2020.

Segundo o banco, as expectativas eram baixas para Cielo e, no geral, os números foram melhores do que o esperado.
O lucro líquido de R$ 100 milhões (3,7% de margem líquida) foi duas vezes mais forte do que o BTG tinha modelado.
Os ganhos voltaram para território positivo, após uma perda líquida de R $ 75 milhões no segundo trimestre de 2020, mas ainda com forte queda (-71,5%).

O Volume Total de Pagamentos (TPV, na sigla em inglês) se recuperou mais rápido e mais forte do que esperado pelo BTG, e Cielo Brasil (subsidiária adquirente) teve melhor desempenho. Por outro lado, a Joint Venture com BB Cateno mais uma vez desapontou.

Dessa forma, a recomendação do BTG é neutra para Cielo, com preço-alvo de R$ 5,00.

TPV mais forte, impulsionado por débito

O TPV total no terceiro trimestre registrou aumento de 29% na comparação com o trimestre anterior, uma recuperação mais forte do que o esperado (9%), embora ainda caia 4% na comparação ano a ano.

De acordo com o BTG, o rendimento da receita da Cielo Brasil caiu para 0,73% (vs. 0,79% no 2º trimestre) devido a uma combinação maior de transações com cartão de débito.

Mesmo assim, a receita bruta ficou 6% acima para o que o esperado. A penetração do pré-pagamento continuou a cair, impactando receitas de pré-pagamento.

Por outro lado, dois dias pagamento continuou ganhando participação de mercado, principalmente nas pequenas e médias empresas (PMEs) e na cauda longa, tendência que a Cielo espera continuar nos próximos trimestres.
Isso, segundo o BTG, deve fortalecer o rendimento das receitas no futuro.

Receita da Cateno sobe 34%, mas elevação de custos atrapalham

Na Cateno, o TPV também se recuperou mais rápido do que o esperado, ajudando na receita. Mas novamente, as despesas decepcionaram devido a taxas de marca mais altas (dada a valorização do dólar) e um aumento nas reclamações dos clientes.

Mas outras empresas do Grupo Cielo, como M4U e Me-S, tiveram prejuízo líquido de R$ 73 milhões, ligeiramente melhor que o prejuízo de R$ 79 milhões do segundo trimestre e acima do prejuízo de R$ 25 milhões no terceiro trimestre de 2019.

Os custos e despesas da Cielo Brasil, no entanto, foram melhor do que o esperado e ajudaram no resultado.
Com isso, o Ebitda consolidado da Cielo atingiu R$ 574 milhões, um aumento de 52% na comparação com trimestre anterior.
A taxa de alavancagem financeira melhorou para 1,08vez contra 1,15 vez em 2º trimestre.

Projeções

Embora as expectativas fossem baixas, o BTG escreveu que é justo dizer que os números da Cielo foram melhor do que o esperado, principalmente se levar em consideração o braço adquirente, a Cielo Brasil.

Portanto, o banco afirma que não ficaria surpreso se a ação surpreender positivamente. A economia parece estar se recuperando mais rápido do que o previsto e os pagamentos digitais com cartão estão acelerando, o que definitivamente “dá” mais tempo para a Cielo e sua controladora acionistas para descobrir a melhor opção para a empresa.

Por fim, o BTG afirma ter dificuldade em ver qualquer ângulo para ser estruturalmente positivo para as ações se a Cielo continuar rodando da mesma forma.

Para saber mais sobre a Cielo, suas estratégias e o que pode afetar seu desempenho na bolsa, leia mais nessa reportagem especial

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