Contas externas têm superávit de US$ 2,32 bi, maior da série histórica

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução/Flickr

O Banco Central (BC) informou nesta sexta-feira (23) que as contas externas registraram saldo positivo pelo sexto mês seguido em setembro, de US$ 2,320 bilhões.

Foi o primeiro resultado positivo para setembro desde de 2007 (US$ 482 milhões) e o maior para o mês na série histórica iniciada em 1995.

No mesmo período do ano passado, houve déficit de US$ 2,727 bilhões em transações correntes. O número se refere às compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países.

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De acordo com relatório do BC, “a reversão decorreu do aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit da balança comercial de bens, e das reduções de US$ 2,1 bilhões e de US$ 885 milhões nos déficits em renda primária [lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários] e serviços [viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros], respectivamente”.

De janeiro a setembro, foi registrado déficit em transações correntes de US$ 6,476 bilhões. Foram US$ 36,748 bilhões em igual período de 2019.

A redução do déficit até então e os resultados positivos mensais são explicados pela retração da demanda por bens e serviços do exterior. Conforme o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, isso é devido à crise gerada pela pandemia.

“A menor demanda por bens e serviços importados diminui o déficit em transações correntes”, explicou.

Em 12 meses encerrados em setembro, houve déficit em transações correntes de US$ 20,7 bilhões (1,37% do PIB). No período equivalente terminado em agosto, houve saldo negativo de US$ 25,7 bilhões (1,66% do PIB).

Rendas

De acordo com o relatório, em setembro de 2020, o déficit em renda primária chegou a US$ 1,625 bilhão, contra US$ 3,733 bilhões em igual período de 2019.

Além disso, de janeiro a setembro, o saldo negativo ficou em US$ 30,089 bilhões, ante US$ 42,825 bilhões em igual período do ano passado.

Por outro lado, a conta de renda secundária teve resultado positivo de US$ 212 milhões. No mesmo período em 2019, o valor foi de US$ 280 milhões. Nos acumulado anual, o resultado positivo alcançou US$ 1,994 bilhão, contra US$ 977 milhões em igual período de 2019.

Investimentos

Mais: os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 1,597 bilhão no mês. Ante a setembro de 2019, quando chegou a US$ 6,033 bilhões.

No acumulado, o IDP chegou a US$ 28,554 bilhões, contra US$ 52,032 bilhões nos sete meses de 2019.

Nos 12 meses encerrados em setembro de 2020, o IDP totalizou US$ 50 bilhões. Isso corresponde a 3,31% do PIB, contra US$ 54,5 bilhões (3,52% do PIB) do mês anterior.

De acordo com Rocha, a crise gerada pela pandemia gerou incertezas, fazendo com que sejam adiados os investimentos diretos.

“A primeira reação é parar um pouquinho e avaliar como vai se dar aquele investimento que tinha uma programação”, disse. 

Conforme Fernando Rocha, as medidas se isolamento e os impactos da crise estão se prolongando por mais tempo do que imaginado inicialmente.

Por fim, em setembro, houve entrada líquida de investimento em carteira no mercado doméstico, totalizando US$ 1,207 bilhão.

Esse valor foi contra US$ 4,911 bilhões de saída líquida em igual período de 2019. No caso das ações e fundos de investimento, houve saída de US$ 972 milhões.

Já os investimentos em títulos de dívida tiveram entrada líquida de US$ 2,179 bilhões.

De janeiro a setembro, nesses tipos de investimento, o total de saídas líquidas de US$ 27,074 bilhões. Em relação a entrada líquida de US$ 2,598 bilhões observados em igual período de 2019.

Análise

De acordo com a Exame Research, o resultado de setembro segue mostrando o ajuste nas contas externas. Houve melhora nos fundamentos para a taxa de câmbio (ou reduzindo a pressão de desvalorização frente ao risco fiscal). Além disso, a crise externa ainda dificulta o apetite por ativos domésticos.

E, principalmente, reduz o fluxo de investimentos diretos que são importantes para financiar o balanço de pagamentos.

A conta que mais vem sofrendo é aquela que envolve reinvestimento de lucros no Brasil, que saiu de US$ 23 bilhões no acumulado entre janeiro e setembro de 2019 para US$ 1,96 bilhão no mesmo período de 2020.

Ainda assim, essa redução preocupa menos, justamente pelo déficit em transações correntes estar cada vez melhor, com melhora no saldo comercial. O ponto positivo é que o fluxo de estrangeiros em carteira segue recuperando, já acumulando entrada de US$ 12 bilhões nos últimos quatro meses.

*com Agência Brasil