Consumo: mesmo com flexibilização, vendas online seguem turbinando resultados

Mitchel Diniz
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Female keyboard computer desk fingers

O segundo trimestre de 2021 (2T21) colocou à prova a capacidade de adaptação das grandes varejistas e outras empresas do setor de consumo. As vendas online ainda responderam por uma boa parte do faturamento dessas companhias no período. A flexibilização das regras de distanciamento social é relativamente recente e até abril ainda havia restrições rígidas, que impediram uma retomada mais rápida das vendas físicas no período.

Ainda assim, Magazine Luiza, Americanas e Via (ex-Via Varejo) conseguiram melhorar seus resultados em cima de uma base forte. Um ano atrás, quando a pandemia estava apenas começando, essas empresas contavam com subsídios que ajudaram na redução de custos e na manutenção de empregos. As vendas online disparavam, com a maioria da população em casa dependendo de canais digitais para adquirir bens de consumo.

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Agora com a reabertura mais consistente da economia, essas empresas são desafiadas a recuperar seus segmentos de varejo físico e saber integrá-los à parte digital, dizem os analistas.

Via (VVAR3): Vendas digitais bateram R$ 7,5 bilhões no 2T21

O lucro da dona das redes Casas Bahia e Ponto (ex-Ponto Frio) mais que dobrou no 2T21 na comparação anual, para R$ 132 milhões. O resultado foi impulsionado pelas vendas digitais, que bateram R$ 7,5 bilhões no período. As receitas com vendas brutas totais (GMV) cresceram 51%, comparando com o segundo trimestre do ano passado.

Analistas do Banco Inter destacam o crescimento das vendas digitais sobre uma base forte. A empresa obteve crescimento no faturamento online e avanço logístico em decorrência das medidas restritivas, que turbinaram o comércio eletrônico.

“O avanço do cronograma de vacinação beneficiou o canal físico da companhia, embora abril, em razão das restrições, ainda tenha travado parte do potencial de vendas”, destaca relatório do Banco Inter. Para os analistas do banco, a Via deve se beneficiar da maior estrutura de lojas físicas no segundo semestre, período de maior sazonalidade.

Magazine Luiza (MGLU3): Vendeu mais que a concorrência, mas margens seguem apertadas

A Magazine Luiza (MGLU3) fechou o segundo trimestre com lucro de R$ 95,5 milhões, revertendo o prejuízo de de R$ 64,5 milhões registrado um ano antes. As vendas brutas totais bateram R$ 13,7 bilhões, uma alta de 62,8% em relação ao mesmo período em 2020. A receita líquida fechou em R$ 8,2 bilhões;

Analistas da Levante Ideia de Investimentos afirmam que os números são fortes, com a companhia mantendo ritmo de crescimento e aumento substancial de rentabilidade. Eles destacam: o crescimento de vendas em todos os canais da empresa; a taxa de crescimento de vendas online três vezes superior à média do mercado; e o aumento de 209% no Ebitda ajustado.

“O resultado do Magazine Luiza foi bom e surpreendeu positivamente em termos de geração de caixa e Ebitda, porém o crescimento de receita foi abaixo do esperado. Mesmo com este ponto negativo, o crescimento nas vendas foi superior ao de suas principais concorrentes”, diz o relatório da Levante.

Americanas: Integrou operações e reverteu prejuízo

A Americanas (AMER3) foi outra que conseguiu reverter prejuízo e fechou o trimestre com lucro de R$ 225 milhões. Um ano antes, o resultado havia sido negativo em R$ 36 milhões. O GMV total foi de R$ 12,6 bilhões, com alta de 32,6% na comparação anual. As vendas brutas do digital responderam por uma fatia de R$ 9,8 bilhões desse montante.

De acordo com a companhia, durante o trimestre, 31% da área de vendas das lojas físicas operou com restrições de funcionamento devido à pandemia de Covid-19. “A Companhia, que vivenciava grandes obstáculos desde o começo da pandemia, começa a enxergar crescimento em vendas, mesmo com um terço da operação inativa no trimestre”, diz o relatório do Banco Inter.

Os analistas do banco dizem que a evolução no canal digital segue em bom ritmo acreditam que a empresa pode recuperar seu potencial de vendas e margens em lojas físicas com o avanço mais sólido do cronograma de vacinação.

Na avaliação dos analistas da Levante, a empresa apresentou crescimento abaixo de seus principais pares de mercado e continua consumido caixa em ritmo relevante. Porém, a Americanas apresenta estratégias interessantes de integração operacional.

“O ponto alto da integração dos ativos físicos com os digitais é a possibilidade de a antiga B2W possuir um meio de geração de caixa recorrente para o financiamento de seus projetos na frente digital e de inovação tecnológica, com ampliação do ecossistema e plataforma online”, diz o relatório da Levante.

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