Consumo doméstico de água e luz pode subir com a quarentena

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com o distanciamento social devido a pandemia, uma grande parte da população brasileira tem ficado em casa como medida preventiva para evitar a propagação do vírus. Empresas estão liberando seus colaboradores para trabalhar de casa, a maioria das escolas e universidades estão funcionando online. Com isso o consumo doméstico de água e luz poderá subir.

Segundo a reportagem da Agência Brasil, especialistas acreditam que o valor a ser pago da conta poderá aumentar cerca de 10% e 20%.

Em contrapartida, com as questões econômicas instáveis espera-se que os brasileiros tenham mais sensibilidade para o consumo consciente, criando estratégias para economizar. Levando a uma redução de utilização da água e luz, bem como redução no valor da conta a ser pago.

“Acreditamos que esse momento será de grande aprendizado para quando tudo passar e que uma nova consciência de consumo e de comportamento permanecerá. Estaremos sempre muito mais atentos a novas possibilidades de hábitos e mais conscientes quanto ao uso racional e econômico dos recursos naturais”, disse Octávio Brasil, da CAS Tecnologia, empresa que atua no desenvolvimento de soluções para redes de água e energia.

Consumo consciente

Estima-se o aumento considerável do consumo doméstico, por outro lado vemos uma redução por parte das industrias e comércio.

A elevação do consumo vai depender do perfil de cada família, bem como o número de pessoas que residem na mesma casa. Com a instabilidade econômica, o brasileiro mesmo não tendo esse hábito, pode vir a cortar gastos e reduzir o consumo dos recursos naturais.

Em entrevista para a Agencia Brasil, Octávio Brasil reforça que “alguns, com preocupações financeiras devido a uma possível redução de renda, podem estar mais atentos a todos os tipos de gastos. Outros, trabalhando em regime de home office, além da permanência de toda a família em casa, podem ter alterações entre 10% e 20% nessas contas. Mas, isso também depende do tamanho da família e da quantidade de pessoas que residem no mesmo local”.

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Conta de luz

Uma estratégia a ser avaliada é a Tarifa Branca, disponibilizada pela companhia de energia de cada região. Mas é preciso avaliar com cuidado, pois “se a energia for utilizada durante o horário de ponta, a tarifa pode ficar até 83% mais cara”.

A tarifa branca, é uma modalidade criada para âmbito doméstico e pequenas empresas onde o consumo de energia é baixo ou moderado. Consiste na variação da tarifa de acordo com o horário consumido.

Essa medida foi desenvolvida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), disponível desde janeiro deste ano.
Nos dias úteis, o preço pago pela energia é dividido em três faixas horárias de consumo. No horário de ponta (17h30 às 20h30), a tarifa fica mais cara que a tarifa convencional. Na faixa intermediária (16h30 às 17h30, retornando das 20h30 às 21h30), o custo também é maior.

Já no horário fora de ponta (das 21h30 às 16h30 do dia seguinte), a tarifa para o consumidor é mais barata se comparada à cobrada no modelo tradicional. Sábados, domingos e feriados contam como tarifa fora de ponta nas 24 horas do dia.

Para aderir é necessário entrar em contato com a companhia de energia da sua região, a fim de instalar o novo medidor.

Água

Quando se trata de condomínios, a melhor estratégia é individualizar a água. Assim é possível medir o consumo, e um valor justo a ser pago.

Geralmente os condomínios que não tem a medição individualizada, o morador não consegue saber qual é o real consumo.

O valor da conta é divido por igual para cada condômino. Uma residência quem tem quatro pessoas morando paga o mesmo valor da residência que tem uma ou duas pessoas morando. Com essa atuação fica difícil conscientizar cada morador.

Um levantamento apresentado pela CAS, feito pelo Grupo Hupert, que administra condomínios, aponta que o gasto com água é a segunda maior despesa dos condomínios, abaixo apenas de mão-de-obra e encargos. Ele responde por cerca de 15% do total dos gastos do condomínio. Tendo por base esse estudo, a CAS estima que, com a individualização do consumo de água, a economia gerada na conta do condomínio pode chegar a 35%.

“Como a conta de água é dividida entre todos os apartamentos, é muito mais difícil combater o desperdício, já que o morador não sente no bolso a diferença entre gastar e poupar”, acrescenta o especialista em medição individualizada da CAS, Marco Aurélio Teixeira.