Construtoras batem recordes de lançamentos e vendas nas prévias do 2TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Se as prévias operacionais do primeiro trimestre de 2021 já apontavam para a recuperação das construtoras e incorporadoras listadas na Bolsa, os dados do segundo trimestre (2TRI21) confirmaram a retomada. Impulsionadas pelo grande número de lançamentos, várias empresas registraram dados recordes no 2TRI21.

Foi o caso da Direcional (DIRR3), por exemplo, que reportou recorde de lançamentos (R$ 785 milhões, +123%) e de vendas (R$ 614 milhões, +53%).

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A Plano & Plano (PLPL3) também reportou recordes: vendas líquidas de R$ 361 milhões (+133%); assim como MRV (MRVE3), que obteve recorde em lançamentos (R$ 2,4 bilhões, +5,4%) e vendas líquidas (R$ 2,06 bilhões, +13%), e a Tenda (TEND3) somou lançamentos de R$ 986 milhões (+56%) e vendas de R$ 858 milhões (+49%).

Para o segundo semestre, a expectativa é de que o setor imobiliário siga acompanhando a retomada da economia brasileira.

Somadas, as 13 empresa do setor de construção analisadas pelo portal EuQueroInvestir somaram R$ 10,18 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas) de lançamentos somente no 2TRI21.

As vendas líquidas das 13 empresas somadas foram de R$ 8,2 bilhões no 2TRI21. Destaque para MRV, com R$ 2,06 bilhões, e Cyrela, com R$ 1,56 bilhão.

Expectativas positivas para o segundo semestre

Embora a curva de juros se mantenha com prêmio de risco elevado, as taxas médias de financiamento imobiliário registraram nova mínima, em conjunto com um nível de concessão de crédito à pessoa física com novo recorde.

Com o discurso do Bacen já precificado pelo mercado, análise do Inter (BIDI11) afirma que uma normalização da Selic em níveis entre 7% e 8% não deva elevar o custo de financiamento imobiliário a níveis que comprometam a atividade da indústria.

Se o INCC veio forte no mês de junho, o contrário deve ser dito sobre o IGP-M, que desacelerou para 0,60%, já impactado pela maior apreciação do real e acomodação das commodities, o que deve refletir uma estabilização nos insumos de construção e aliviar o índice nos próximos meses.

Os analistas destacam que o setor de construção continuou a apresentar saldo positivo na geração de empregos formais, de acordo com últimos dados do Caged. Não menos importante, a confiança voltou a superar os 90 pontos, ao registrar uma alta de 4,3 p.p. em relação ao mês anterior, o que refletiu também em um aumento na capacidade instalada.

“Por esses motivos, acreditamos que o setor de construção deve trazer bons resultados operacionais em 2021. Com alívio esperado no INCC no médio prazo, esperamos que o setor apresente menor volatilidade e as incorporadoras apresentem melhor desempenho na Bolsa”, afirma o Inter.

Veja o desempenho das prévias do 2TRI21 no comparativo com o 2TRI20

EmpresaTickerVendas LíquidasVSO (%)Lançamentos (VGV)
MRVMRVE3R$ 2,06 bilhões (+13%)17%R$ 2,39 bilhões (+5,4%)
CyrelaCYRE3R$ 1,560 bilhão (+205%)40,2%R$ 1,929 bilhão (+659%)
EztecEZTC3R$ 285 milhões (+131)12%R$ 928 milhões
EvenEVEN3R$ 354 milhões (+18)16%R$ 216 milhões (+26)
MitreMTRE3R$ 188 milhões (442%)28%R$ 237 milhões
DirecionalDIRR3R$ 614 milhões (+53)18%R$ 785 milhões (+123)
HelborHBOR3R$ 468,1 milhões (+113%)17%R$ 751 milhões
LavviLAVV3R$ 507 milhões (+3800%)59%R$ 705 milhões
TendaTEND3R$ 858 milhões (+49)34%R$ 986 milhões (+56)
Plano & Plano(PLPL3)R$ 361 milhões (+133%)43%R$ 354 milhões (+42)
RNI(RNDI3)R$ 174 milhões (+4%)19%R$ 180 milhões (+20)
Melnick(MELK3)R$ 140 milhões (-42%)Não informadoR$ 97,7 milhões (-70%)
Cury(CURY3)R$ 683 milhões (+134)47%R$ 686,2 milhões (+120%)

Cyrela (CYRE3): alta de 659% no VGV de lançamentos

Com 19 empreendimentos lançados no 2TRI21, a Cyrela (CYRE3) registrou alta de 659% no volume de vendas de lançamentos. O VGV dos lançamentos foi de R$ 1,9 bilhão.

No acumulado do primeiro semestre deste ano, o VGV de lançamentos da Cyrela atingiu R$ 2,350 bilhões, sendo 78% maior que o do primeiro semestre de 2020.

Já as vendas líquidas contratadas no 2TRI21 da Cyrela somaram R$ 1,560 bilhão. Ou seja, valor 205% superior ao registrado no 2T20 (R$ 512milhões).

Nos seis primeiros meses do ano, as vendas contratadas atingiram R$ 2,591 bilhões, sendo 91% superior ao primeiro semestre de 2020.

Para o BTG Pactual (BPAC11), os resultados da Even, mais uma vez, superaram as expectativas. As vendas líquidas ficaram 38% acima das projeções.

“A empresa conseguiu crescer muito, mantendo uma velocidade de vendas impressionante (VSO já era forte) e o aumento dos preços de venda, o que deve gerar boas margens no segundo trimestre. Com fortes resultados, vemos a Cyrela pronta para reportar bons resultados de P&L no mês que vem”, afirmam os analistas.

Para o Banco Inter, a Cyrela trouxe “números fortes na comparação a/a, embora mistos em relação às nossas expectativas. Com a aceleração dos lançamentos esperada para o 2S21, esperamos que a companhia apresente resultados mais sólidos em vendas no decorrer do ano, mantenha o ritmo atual de lançamentos e continue com margens resilientes”.

Even (EVEN3): VSO de 49%

Com VSO de 49%, a Even (EVEN3) registrou vendas líquidas de R$ 354 milhões no 2TRI21. Assim, houve alta de 18% em relação ao 2TRI20.

No 2º trimestre deste ano, foram lançados dois empreendimentos. Juntos, eles somaram um VGV total de R$ 216 milhões. A alta foi de 26%.

Para o BTG (BPAC11), a Even apresentou dados operacionais mais fracos do que o esperado no 2TRI21.

A receita líquida de R$ 354 milhões ficou 16% abaixo da expectativa. Os lançamentos e vendas cresceram, mas ainda abaixo das projeções. Somente de lançamentos a expectativa ficou 36% abaixo do BTG.

“Embora a administração tenha feito um ótimo trabalho ao reduzir a alocação de capital com a venda de ativos principais, em termos relativos, achamos a ação pouco atraente (1,3x P / TBV) versus construtoras com maior potencial de crescimento”, destaca o BTG.

Melnick (MELK3): queda de 70% no VGV líquido

A construtora e incorporadora reportou VGV líquido de R$ 97,7 milhões no 2TRI21. Ou seja, houve queda de 70% no comparativo com o 2TRI20.

Já as vendas líquidas da empresa caíram 42% no segundo trimestre deste ano. O indicador passou de R$ 244 milhões para 140 milhões ao fim do 2TRI21.

O VSO do segundo trimestre foi de 14%.

As prévias operacionais mostraram números fracos, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11).

As vendas líquidas ficaram 31% abaixo da expectativa do BTG. E, com apenas um projeto lançado no 2TRI21, o valor de lançamentos ficou 37% aquém das projeções.

“A empresa apresentou dados operacionais fracos no 2T21, com lançamentos/vendas abaixo previsões. Mas o mercado imobiliário continua sólido, e a Melnick deve se beneficiar de seu domínio em Porto Alegre”, afirma a análise.

Direcional (DIRR3): recorde de lançamentos e de vendas

A construtora Direcional (DIRR3) reportou recorde de lançamentos no 2TRI21.

Com R$ 785 milhões em lançamentos, houve crescimento de 123% sobre o 2TRI20.

Também houve recorde de vendas líquidas, com R$ 614 milhões. Ou seja, alta de 53% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os lançamentos cresceram 123% sobre o 2TRI20, chegando a um VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 785milhões.

O VSO ficou em 18% no trimestre.

Para o BTG Pactual (BPAC11), os resultados da Direcional foram “estelares” e “sólidos como rocha”. Os analistas destacam o forte crescimento nos lançamentos e vendas e um desempenho estelar da Riva. A receita líquida veio 7% acima da projeção.

Segundo o BTG, o forte trimestre reforça que a Direcional está a caminho de crescer muito mais.

Para o Banco Inter, a Direcional “entregou mais uma vez um forte resultado operacional no trimestre, superando nossas projeções já otimistas. Podemos dizer que a resiliência do PCVA, aliada à até agora bem-sucedida expansão no média-baixa renda por meio da Riva, vem trazendo bons frutos à companhia, que deve fechar 2021 com forte e exitosa expansão no seu plano de negócios”.

Cury (CURY3): excelentes resultados no 2TRI21

A construtora Cury (CURY3) registrou vendas líquidas de R$ 683 milhões no 2TRI21. Ou seja, alta de + 134% a/a. A velocidade de vendas chegou a 47%.

Com sete projetos lançados no 2TRI21, a Cury totalizou R$ 686 milhões em lançamentos (+ 120% a/a).

Os resultados da construtora foram acima das expectativas do BTG (BPAC11). Em análise, o banco afirmou que a empresa reportou “excelentes resultados operacionais” no 2TRI21, com fortes dados em todas as áreas da prévia operacional.

O VSO de 47% foi “impressionante”, diz o BTG, e as vendas brutas de R$ 736 milhões foram “acima das projeções”.

“Nós mantemos nossa recomendação de compre para Cury, pois a avaliação parece muito atraente (8x P / E 2022E) e está equilibrada para crescer muito, mantendo a alta lucratividade (ROE de 57% em 2022e)”, ressaltou o BTG em relatório.

Helbor (HBOR3): alta de 17% no VGV

A Helbor (HBOR3) registrou VSO de 17% no 2TRI21.

Os lançamentos tiveram VGV total de R$ 751 milhões. Ou seja, houve alta de 17% no comparativo com o 2TRI20.

Já o total de vendas líquidas da empresa somou R$ 468,1 milhões no 2TRI21. O crescimento foi de 113% em relação ao mesmo período de 2020.

A Helbor ressaltou que “se mostra otimista com seus principais indicadores e está preparada para atender as diferentes demandas do mercado imobiliário nas cidades em que atua”.

Para o BTG, os resultados do 2TRI21 foram “sólidos”, com vendas e lançamentos crescentes. “Com fundamentos sólidos de habitação, a Helbor deve crescer muito em suas operações”, afirmam os analistas.

Mitre (MTR3): resultados mistos

A Mitre (MTR3) registrou alta de 442% nas vendas líquidas do 2TRI21. O valor total foi de R$ 188 milhões.

Já o VGV de lançamentos somou R$ 237 milhões. Como não houve lançamentos no 2TRI20, não há dados comparativos.

O VSO da empresa ficou em 28% no 2TRI21.

Segundo análise do BTG Pactual, a Mitre apresentou um segundo trimestre com resultados mistos com “vendas fortes e lançamentos fracos”. As vendas líquidas ficaram 7% acima da estimativa do BTG.

De acordo com os analistas, os lançamentos fracos são explicados pelos reflexos da Covid-19 e atrasos em obtenção de licenças de construção para os projetos da Mitre. Já sobre as vendas fortes os analistas ressaltaram que a Mitre fez o dever de casa em todos os seus projetos, que estão com forte demanda.

“Apesar dos lançamentos fracos (no 1S21, a Mitre lançou R$ 356 milhões), a empresa reforçou seu guidance de R$ 1,5-2,0bi em lançamentos para o ano, o que significa que o 2S21 deve ser um semestre forte”, destaca o BTG.

Lavvi (LAVV3): excelentes resultados no 2TRI21, diz BTG

A Lavvi (LAVV3) reportou vendas líquidas robustas de R$ 507 milhões no 2TRI21. O resultado é quase 40 vezes superior ao mesmo período de 2020 (quando foram R$ 13 milhões em vendas). Somente o resultado em vendas do 2TRI21 é superior a todo o ano passado.

O VSO da Lavvi foi de 59% no 2TRI21 – e de 72% no acumulado de 12 meses.

O VGV de lançamentos foi de R$ 705 milhões.

Segundo análise do BTG, os resultados da Lavvi no 2TRI21 foram excelentes. O resultado é reflexo do lançamento e das vendas do projeto icônico da Villa Versace.

Todos os indicadores do 2TRI21 ultrapassam com folga os dados de 2020. As vendas brutas foram 15 vezes superior ao 2TRI20 e as vendas líquidas 40 vezes maiores do que o mesmo período do ano passado.

Com “números impressionantes”, o BTG manteve o viés positivo para a Lavvi, “refletindo sua equipe de gestão experiente, forte crescimento e expectativas para a empresa (com retornos ainda maiores) e uma avaliação atraente (6,5x P / L 2022E).”

Plano & Plano (PLPL3): vendas 133% maiores no 2TRI21

A Plano & Plano (PLPL3) reportou vendas líquidas contratadas no segundo trimestre de R$ 361 milhões. Ou seja, valor 133,8% superior ao registrado no 2T20 (R$ 154 milhões). Este foi um recorde histórico da companhia para um só trimestre.

A empresa lançou sete empreendimentos no 2TRI21, totalizando um volume de R$ 354 milhões. Assim, foi 42,2% superior ao realizado no 2TRI20 (R$ 249 milhões).

Os dados operacionais resultaram, em 30/06/2021, em um indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO) dos últimos 12 meses de 43,1%, sendo 4,3 p.p. acima de 31/03/2021.

RNI (RNDI3): melhor semestre dos últimos 5 anos

A RNI (RNDI3) reportou vendas líquidas de R$ 174 milhões no 2TRI21. O resultado foi 4% maior do que o mesmo período do ano passado.

Já o VGV de lançamentos ficou em R$ 180 milhões. Ou seja, 20% maior do o mesmo período de 2020.

O VSO da empresa foi de 19% no 2TRI21.

Já no acumulado do ano, a RNI afirma que este foi o melhor semestre dos últimos 5 anos em relação a lançamentos, com R$ 401 milhões. O valor é 87% superior aos seis primeiros meses de 2020.

Também foi o melhor semestre dos últimos cinco anos em vendas líquidas. Foram R$ 332 milhões no 1S21, 36% maior do que o mesmo período de 2020.

MRV (MRVE3): recordes de lançamentos e vendas

A MRV (MRVE3) registrou dados operacionais históricos no 2TRI21.

A empresa somou R$ 2,399 bilhões em lançamentos no 2TRI21. Assim, houve crescimento de 5,4% no comparativo com o mesmo período de 2020 – um recorde para um trimestre.

As vendas líquidas também bateram recorde: R$ 2,06 bilhões no 2TRI21. Ou seja, alta de 13,7% na comparação com o mesmo período de 2020.

O VSO foi de 17% no 2TRI21.

Eztec (EZTC3): quase R$ 1 bilhão em lançamentos

A Eztec (EZTC3) reportou R$ 927,8 milhões em lançamentos na prévia operacional do 2TRI21. No mesmo período do ano anterior a empresa não fez lançamentos.

Já as vendas líquidas do 2TRI21 somaram R$ 284,7 milhões. Ou seja, crescimento de +130% nas vendas líquidas.

O VSO líquido da Eztec foi de 12,8% no 2TRI21.

Tenda (TEND3): recordes de resultados

A Tenda (TEND3) foi outra construtora que reportou recordes na prévia operacional do 2TRI21.

Os lançamentos somaram recorde de R$ 986 milhões. Ou seja, alta de +56% na base anual.

Já as vendas líquidas contabilizaram R$ 858 milhões. Assim, houve crescimento de +49% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

O VSO líquido também foi histórico: 34,3%.

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