Construção é setor mais impactado pela pandemia, indica pesquisa do Ibre

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

As medidas restritivas por causa da pandemia de coronavírus provocaram a interrupção parcial ou total das atividades não essenciais, como supermercados e farmácias. Isso teve impacto direto no consumo e investimento.

A questão é mensurar o tamanho desse efeitos e sua duração.

Para isso, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) perguntou para consumidores e o empresariado como estão sendo afetados e suas expectativas quanto à retomada pós-pandemia.

Itens essenciais

De acordo com sondagens do FGV IBRE, em abril, 79,1% dos consumidores afirmaram estar adquirindo somente itens essenciais. Aproximadamente 15% declaram que não sentiram o efeito da crise, esse percentual sobe junto com a renda.

A maioria dos entrevistados (67,8%) acredita que a recuperação da economia acontecerá após 6 meses.

A crença é convergente com a análise dos economistas, que esperam uma retomada lenta e gradual, como já vinha acontecendo antes do coronavírus.

“Mesmo que o final da quarentena seja definido nos próximos meses, a velocidade da retomada vai depender da velocidade da recuperação da demanda. É importante destacar que a alta taxa de desemprego e as incertezas associadas à pandemia vão contribuir para segurar o ritmo da volta ao consumo”, disse o economista do FGV IBRE Rodolpho Tobler, um dos responsáveis pela pesquisa.

Construção

Empresas de diferentes setores definem como negativo ou muito negativo os reflexos da pandemia.

O percentual de empresários com essa percepção chegou a 94,3% entre as empresas do setor da construção, sendo seguidos por serviços (91,7%), principalmente os segmentos de alojamento, serviços de transporte rodoviário e obras de acabamento, entre os quais mais de 75% consideraram que foram afetadas muito negativamente.

Os dois principais motivos apontados para o pessimismo foram: redução da demanda e paralisação parcial ou total por questões de saúde.

No mês passado, quando o FGV IBRE perguntou sobre os reflexos da paralisação de parte da economia, o setor de serviços foi o que menos estimava choque em suas operações.

Mas os resultados prévios da confiança de abril mostraram que são os que mais têm queda no nível de confiança.

Segmentos de bens duráveis

Já a indústria apontou dificuldades no abastecimento de insumos importados, impactando especialmente os segmentos de bens duráveis e de capital.

O setor de vestuário (87,8%), couros e calçados (81,8%) e veículos automotores (79,7%) são os que têm maior proporção de empresas reportando impacto muito negativo em seus negócios.

Com a alteração da rotina da população, alguns setores foram beneficiados, principalmente de companhias voltadas ao segmento de alimentos, fabricação de artigos alimentícios, supermercados, produção de itens farmacêuticos, além de empresas de produtos de plástico e serviços da construção relacionadas à parte hidráulica, ventilação ou refrigeração.

Recuperação

A maioria das empresas (70%) espera que a recuperação da economia aconteça entre 4 e 6 meses.

Em todos os segmentos, a maior parte das companhias estima que o vírus afetará suas operações no segundo e no terceiro trimestre deste ano.

“Existem empresas esperando uma demora maior da retomada: 37,0% esperam que ocorra em mais de nove meses. Porém há quase um empate com o grupo de empresas que consideram a normalização dos negócios entre quatro e seis meses (35,3%)”, lembra o economista.

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“Essa diferença pode ser explicada pela resposta de estabelecimentos de menor porte, ou que ficam em localidades onde o consumo está mais restrito a itens essenciais. Outro ponto de cautela que os empresários podem estar considerando é a demora que o mercado de trabalho, e consequentemente a renda das famílias, deve apresentar nessa recuperação”, concluiu.

Por fim, os resultados apontam que o período pós-pandemia deverá apresentar uma retomada heterogênea e em velocidade diferente entre os segmentos de todos os setores da economia.

O levantamento ouviu 1731 consumidores e 2987 empresas, até o dia 17 de abril.