Conselho de Administração: Anitta no Nubank mostra tendência de diversificação

Yolanda Fordelone
Colaborador do Torcedores
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Nesta semana, o mercado financeiro recebeu com surpresa a indicação de um novo nome para o Conselho de Administração do Nubank: Larissa Machado ou, como a maioria conhece, Anitta. O anúncio veio após menos de um mês da notícia do aporte de US$ 500 milhões da Barkeshire Hathaway, de Warren Buffett, na fintech.

Mas afinal: será que veremos mais pessoas do mundo pop daqui para frente nas empresas? Do mundo pop ainda não sabemos, mas diversificação é o que não falta nas companhias.

Segundo pesquisa da organização global WomenCorporateDirectors (WCD) para o jornal Valor Econômico, as mulheres têm ocupado mais espaços nas empresas. A organização reúne 267 mulheres associadas. Em 2021, 124 passaram a ocupar novas posições.

Do total, 58 assumiram posições em conselhos de administração. Para 19 mulheres, foi a primeira vez que entraram no colegiado.

A começar pelo próprio Nubank, também foi em 2021 que a empresa anunciou outra mulher para o conselho: Jacqueline Reses, atual presidente do Conselho Consultivo Econômico do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

Há um ano, havia sido a vez de Anita Sands, professora da universidade norte-americana de Princeton e ex-diretora de operações do banco suíço UBS, entrar no grupo. Ou seja, a cantora Anitta é a terceira mulher a integrar o Conselho de Administração do Nubank.

Cenário internacional

O fato é que houve avanços, mas o cenário de diversidade no quesito gênero ainda está longe do que se pratica lá fora. Segundo dados do Estudo de Conselhos de Administração 2020, feito pela Korn Ferry, a a presença das mulheres nos Conselhos de Administração cresceu nos últimos anos. Em 2014, era de 7%, e em 2020, já somava 14%.

Ainda assim, o porcentual brasileiro é baixo se comparado ao restante do mundo. Na Europa, a presença chega a 30%, pois por lá já perceberam o valor de terem negócios diversos.

O estudo ainda revela que no Brasil os setores que possuem maior participação feminina nos Conselhos de Administração são consumo, varejo e tecnologia.

Outras diversidades

Para além do gênero, os Conselhos de Administração também tem se tornado diversificados em outros grupos.

Na Embraer, por exemplo, o Conselho de Administração do período de 2021 a 2025 passou a contar com dois estrangeiros. No total, são 11 membros, sendo oito independentes.

No caso na mineradora Vale, acionistas minoritários ganharam força na última eleição. O grupo conseguiu eleger os quatro nomes indicados para o Conselho da companhia entre 2021 e 2023. As outras oito vagas foram preenchidas por nomes indicados pela companhia, sendo quatro estrangeiros.

Conselho de Administração diversificado traz vantagens

A leitura do mercado é que Conselhos diversificados acabam ampliando a visão da companhia sobre os seus problemas e desafios. Se vivemos em um país tão plural, por que não trazer diferentes vivências para tomar as decisões?

Um Conselho de Administração não diversificado acaba não sendo tão saudável para a companhia.

A pauta está tão quente no mercado que entidades de peso circularam neste ano uma carta pela diversidade. “Como atores importantes nesse cenário e engajados com a causa, neste período em que os profissionais começam a ser selecionados para conselhos, pedimos que considerem promover mais diversidade (de gênero, cor, etnia, orientação sexual, formação, idade, região, etc.) para os boards em que atuam, assim como gostaríamos que provocassem essa reflexão nos ambientes de governança pelos quais circulam”, diz a carta, que traz as assinaturas de Gilson Finkelsztain, CEO da B3; Pedro Melo, diretor-geral do IBGC; Carlos Leiria Pinto, country manager da IFC; Fernando Carneiro, sócio da SpencerStuart; e Marienne Coutinho, co-chair da WCD no Brasil e sócia da KPMG.

Caso Anitta

É o que se espera da nova posição de Anitta no Nubank. Segundo a fintech, a cantora não fará propaganda ou marketing. Na verdade, ajudará a pensar novos produtos da empresa.

“Anitta tem profundo conhecimento do comportamento dos consumidores nesses mercados que tem explorado e tem muita experiência em estratégias de marketing vencedoras. Essas competências foram chave para a convidarmos para o Conselho”, afirmou CEO e fundador do banco, David Vélez, em comunicado ao mercado.

Anitta, que foi criada em uma favela do Rio de Janeiro, mostra que entende de parte do público do banco: as classes mais baixas. Com isso, deve trazer novas soluções que atendam ao público.

“É muito chato e constrangedor não conseguir ter acesso a produtos financeiros. Muita gente na América Latina sempre viveu de emprego informal. Como essas pessoas vão ter histórico de crédito?”, disse Anitta, também em nota.

O que é um Conselho de Administração?

O Conselho de Administração é o órgão responsável pelas principais decisões estratégicas do negócio. Além de decidir sobre pontos importantes da companhia, é o Conselho que fiscaliza a diretoria a fim de evitar excessos.

Assim, acaba sendo o grupo “guardião” da governança, sempre buscando equilíbrio nas decisões e transparência.

Por isso mesmo, parte do grupo é formada por conselheiros independentes, ou seja, por pessoas que não estão atuando no dia a dia dos negócios, como diretores.

Os membros do Conselho de Administração são eleitos em assembleias de acionistas e tem tempo de mandato, que vaia de acordo com a empresa.

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